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França

Vaticano levanta imunidade de núncio apostólico acusado de assédio sexual

08 jul, 2019 - 17:47 • Redação

Vários homens acusam Luigi Ventura, de 74 anos, de lhes tocar de forma imprópria. O Vaticano diz que a decisão traduz a vontade do núncio de colaborar com a Justiça.

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O Vaticano levantou esta segunda-feira a imunidade diplomática do núncio apostólico em França, acusado de assédio sexual por várias pessoas.

O arcebispo Luigi Ventura, que está a apenas cinco meses de completar os 75 anos de limite de idade para resignar ao cargo, é núncio em França há quase uma década, mas recentemente viu-se embrulhado em polémica quando um homem o acusou publicamente de lhe ter tocado de forma imprópria, repetidamente, durante um evento oficial.

Segundo a vítima, o caso ocorreu numa festa de passagem de ano na Câmara Municipal de Paris, onde trabalha.

“Quando o carro do monsenhor Ventura chegou eu sai para o ir buscar e ele começou a dizer que eu estava muito bonito, que me achava um homem muito bem-parecido, e apalpou-me várias vezes”, disse Mathieu de La Souchère, de 27 anos, em entrevista ao site “Crux”.

Desde que essa notícia se tornou pública outras pessoas, incluindo alguns padres, fizeram alegações semelhantes.

Numa nota desta segunda-feira, enviada à Renascença, o porta-voz da sala de imprensa da Santa Sé diz que “posso confirmar que a Santa Sé renunciou à imunidade jurisdicional de que goza o núncio apostólico em França, monsenhor Luigi Ventura, em virtude da Convenção de Viena de 18 de abril de 1961 sobre as relações diplomáticas, em função do processo penal que lhe diz respeito.”

“Trata-se de um gesto extraordinário que confirma a vontade do núncio, expressa no início deste caso, de colaborar plena e espontaneamente com as autoridades judiciárias francesas competentes.”

“A Santa Sé esperou pela conclusão da fase preliminar do processo – comunicado no final de junho – em que monsenhor Ventura participou livremente, para tomar esta decisão”, conclui a nota do Vaticano, dizendo que a mesma já foi comunicada às autoridades francesas na semana passada.

Antes de ser nomeado para Paris, Luigi Ventura trabalhou no Canadá, onde em julho de 2008 também foi acusado de tocar de forma imprópria num homem.

A nota do Vaticano não dá qualquer indicação de que o núncio tenha sido suspenso de funções.

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