Opinião de João Ferreira do Amaral
A+ / A-

​Itália e os miniBots

07 jun, 2019 • Opinião de João Ferreira do Amaral


O Parlamento italiano há alguns dias atrás autorizou o governo a emitir miniBots, ou seja bilhetes do tesouro de pequena denominação que têm como finalidade acorrer à falta de liquidez do Estrado e da economia em geral.

A ideia não surgiu agora, uma vez que já se encontrava prevista no acordo celebrado o ano passado entre os dois partidos da coligação governamental. Por outro lado, o facto do Parlamento ter autorizado não significa que o governo vá mesmo emitir estes bilhetes. Em todo o caso vale a pena olhar para o que significará esta emissão, fazendo a hipótese que ela vai mesmo verificar-se.

Os bilhetes a emitir não vencerão juro. Serão utilizados para fazer pagamentos a fornecedores do Estado, em particular os que estão mais atrasados. Por outro lado, os bilhetes serão aceites pelo Estado para pagamento de impostos e pelas empresas públicas para pagamento de fornecimentos aos seus clientes.

Serão estes bilhetes uma verdadeira emissão monetária? Na realidade não, a não ser que tivessem de ser obrigatoriamente aceites pelos fornecedores do Estado ou pelos fornecedores destes.

O que é que ganha o estado italiano em emiti-los? Tem a vantagem de se livrar de dívidas já existentes sem ser através de contracção de nova dívida, uma vez que os bilhetes não vencem juro. Mas a prazo, é natural que os bilhetes tenham alguma desvalorização, o que significará que poderá haver aí um encargo para o Estado quando receber de volta os bilhetes para pagamento de impostos. Por outro lado, o sistema pode impulsionar positivamente a economia e aí estará certamente um ganho.

Por isso, considero um sistema prático de introduzir alguma, embora insuficiente flexibilidade no colete-de-forças criado pela moeda única. E será uma atitude pouco inteligente se as autoridades comunitárias vierem a opor-se argumentando uma pretensa violação das regras da moeda única. Mas a verdade é que nunca ninguém acusou a moeda única de ser um projecto inteligente.

Artigos AnterioresJoão Ferreira do Amaral

Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.