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Governo promete. Todos os portugueses com médico de família em 2020

20 mai, 2019 - 10:07 • Redação

Raquel Duarte, secretária de Estado da Saúde, esteve nas Três da Manhã para falar sobre a greve de anestesistas no Hospital Amadora-Sintra e outras questões do setor.

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O Governo garante que, no ano que vem, todos os portugueses vão ter médico de família. É uma promessa antiga que até agora ninguém conseguiu cumprir, mas a secretária de Estado da Saúde diz que é possível já em 2020.

“Vai acontecer seguramente”, afirma Raquel Duarte na Renascença.

E explica: “Qualquer estimativa é feita em modelos matemáticos que vão ter em conta aquilo que entra e aquilo que sai. Aquilo que entra baseia-se nos médicos que acabam a formação e naqueles que pretendem ficar. Aquilo que sai, prende-se com os médicos que são reformados ou decidem fazer outro tipo de vida profissional. Aquilo que está estimado, o que sabemos é que nesta altura temos cerca de 400 médicos a sair: cerca de 200 que sairão por reforma durante 2019, 200 em 2020. Obviamente, aquilo que se pensa é que, de facto, em 2020, se não houver nenhuma alteração, nós conseguiremos atingir o nosso objetivo”.

Anestesistas. Contratar e reorganizar

Sobre a greve dos anestesistas do Hospital Amadora-Sintra, que começou às 8h00 desta segunda-feira e que vai durar cinco dias, a secretária de Estado defende uma reorganização dos serviços e lembra que está a decorrer um concurso para contratar mais especialistas.

“No Hospital Amadora-Sintra, que nesta altura tem 27 anestesistas, neste concurso abriram-se vagas para oito novos [profissionais]”, indica.

“Mas é preciso também pensar que, além de injetar anestesistas nos serviços, é preciso pensar como é que os serviços poderão ser organizados, porque não podem contar só com os anestesistas para todas estas atividades”, começa por defender.

Raquel Duarte considera que “há uma série de outras especialidades que poderão ter competência para fazer algumas destas atividades que são feitas pelos anestesistas”.

“Por exemplo, nos cuidados intensivos, cada vez mais médicos internistas, pneumologistas, cardiologistas, começam a ter competências em cuidados intensivos e começam também a partilhar essas tarefas. É necessário que os hospitais se organizem para, de certa maneira, conseguirem otimizar os recursos que têm em todas as especialidades”, conclui.

Do lado do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), Jorge Roque da Cunha diz que é preciso contratar mais especialistas.

“No Hospital Amadora-Sintra, que cobre cerca de 600 mil pessoas, existem metade dos anestesistas que seriam necessários”, aponta. “Estamos a falar de mais 18 anestesistas, porque as tarefas da anestesia alargaram e ao longo dos anos foi ocorrendo uma saída progressiva dos médicos sem substituição, contando exclusivamente com o trabalho e a abnegação dos colegas que lá estão”, critica ainda.

Plano de contingência para o Algarve

Entrevistada no programa As Três da Manhã, a secretária de Estado falou ainda sobre a situação no Algarve, garantindo que, “quando há um aumento da afluência aos hospitais, está sempre previsto um plano de contingência” e que “esta semana a situação estará normalizada”.

“Esse plano de contingência pressupõe que haja necessidade de ajustar algumas das tarefas, de modo a que as pessoas possam ter a resposta que precisam. Nomeadamente no serviço de urgência, tem de haver uma abertura da resposta em termos dessa resposta de contingência. Nos outros serviços foi exatamente o que aconteceu”, explicou.

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  • Cidadao
    20 mai, 2019 Lisboa 10:40
    Isso não tinha já sido prometido, e acabou por não ser cumprido? O que é que se alterou, para agora a promessa ser "real"?