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Cardeal António Marto. Populismos põem "em risco o futuro da casa comum europeia"

12 mai, 2019 • Teresa Paula Costa


Os populismos "que estão a fazer sentir a sua voz na atual campanha para as eleições europeias não só põem em causa o projeto da União Europeia como desestabilizam as nossas democracias", diz o bispo de Leiria-Fátima, pedindo "uma nova narrativa de esperança para a Europa".

O bispo de Leiria-Fátima, cardeal D. António Marto, alertou, este domingo, em Fátima, para o crescimento dos nacionalismos na europa e para o perigo dos populismos que "põem em causa o projeto da União Europeia" e "desestabilizam as nossas democracias".

"Voltamos também o nosso olhar para a Europa, sacudida por movimentos e ideologias populistas e nacionalistas de intolerância e de exclusão, que estão a fazer sentir a sua voz na atual campanha para as eleições europeias. Não só põem em causa o projeto da UE como desestabilizam as nossas democracias", disse D. António Marto, na conferência de imprensa que marcou a abertura formal da peregrinação aniversária de maio.

"Todos nós sentimos a necessidade de uma nova narrativa de esperança para a Europa, que vença os mais diversos medos que a assaltam", acrescentou o cardeal.

Lembrando que "a Europa se fundou a partir de uma matriz cristã", D, António Marto sustentou que "essa marca permitiu-lhe ultrapassar crise atrás de crise, nomeadamente as derivas nacionalistas do século passado". Por isso, o cardeal pede que "não se perca a memória e utilizemos essa arma de novo, combantendo os populismos, que falam, passe a expressão, mais à barriga em vez de falarem ao coração e à razão".

"Está em risco o futuro da casa comum europeia", rematou o bispo de Leiria-Fátima.

Migrações: um desafio para a humanidade enfrentar

Olhando para o fenómeno das migrações, o cardeal Marto sublinhou que ele constitui “um dos desafios de carácter mundial que a humanidade tem de enfrentar no seu todo, a nível global”.

Com a “generalização do discurso e do ambiente xenófobos” no ocidente e a recusa de assinatura do pacto global das migrações por parte de nove países europeus, a situação está a tornar-se “insustentável”, considerou o também vice-presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, que apelou a uma “solução política concertada, mas também a uma mudança cultural na base do respeito pela dignidade de toda a pessoa, independentemente da raça, da cultura e da religião e na base da solidariedade"

No seu discurso, D. António Marto não esqueceu os cristãos vítimas de perseguição religiosa na Ásia, na África e no Médio Oriente, particularmente no Sri Lanka, tendo expressado a sua “comunhão solidária na oração”, e também a situação “preocupante da Venezuela, com risco de uma guerra civil a fazer renascer o clima de uma guerra fria”. D. António manifestou “solidariedade para com a Igreja da Venezuela e os cidadãos portugueses que lá vivem”

A peregrinação aniversária de maio, a primeira do ano, vai ser presidida pelo arcebispo de Manila e presidente da Cáritas Internacional, cardeal Luis Antonio Tagle.

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  • me too
    12 mai, 2019 19:23
    Um bispo tem que se saber manter nas coisas de Deus e nunca 'tratar' dos 'populismos' de César. O homem é como Deus o fez. Com livre arbítrio. Nunca durará um homem que diga aos outros o que fazer. o que pensar.