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Estudo

Empresas arriscam perder mais de 4,5 biliões de euros com ciberataques até 2023

29 mar, 2019 - 17:35 • Sandra Afonso

​Valor corresponde praticamente às economias de França, Itália e Espanha combinadas. "Basta um clique para sermos afetados sem precedentes", alertam especialistas.

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Um inquérito a mais de 1.700 CEO's e executivos em 13 países revela que apenas 30% das organizações a nível global estão muito confiantes com a sua segurança na internet. Atualmente, os cibercrimes ameaçam as operações, a inovação, o crescimento do negócio e a expansão para novos produtos e serviços, o que acaba por representar elevados custos para as organizações.

O último estudo da Accenture, “Securing the Digital Economy: Reinventing the Internet for Trust”, explora a complexidade dos desafios que os negócios enfrentam no contexto digital.

O relatório conclui que os ciberataques às empresas, a nível global, podem vir a custar 4,6 biliões de euros nos próximos anos, até 2023, em custos adicionais e perda de receitas, “à medida que a dependência de modelos de negócio complexos e digitais supera a capacidade de introduzir medidas de prevenção adequadas à proteção de ativos críticos”.

A indústria de alta tecnologia é a que está mais vulnerável, com perdas potenciais que rondam os 670 mil milhões de euros. Segue-se a indústria automóvel, que poderá perder 450 mil milhões, e as indústrias das ciências da vida (biotecnologia, farmacêutica, cosmética, processamento alimentar, etc), que arrisca perdas acima dos 570 mil milhões nos próximos cinco anos.

Pedro Galhardas, diretor de gestão da Accenture Portugal, lembra que “a internet não foi criada com o nível atual de complexidade e conectividade em mente, e é por essa razão que basta apenas um clique, dentro ou fora de uma organização, para sermos afetados por um ciberataque sem precedentes".

A maioria, oito em cada 10 inquiridos, acredita que o avanço da economia digital poderá ser gravemente prejudicado, a menos que haja uma melhoria drástica na segurança da internet, e 59% dos executivos refere que a internet está a ficar cada vez mais instável, afirmando não saber como reagir para reforçar a cibersegurança.

Ao mesmo tempo, 75% acredita que enfrentar os desafios da cibersegurança irá exigir um esforço conjunto e organizado, pois uma empresa não consegue resolver o desafio de forma isolada. Mais de metade aceitaria regulamentações mais rigorosas, impostas por uma organização ou administração central.

O cibercrime está mais avançado do que a segurança online, segundo Pedro Galhardas. Esta sofisticação “está a levar a uma perda de confiança na economia digital”, e é por isso que “reforçar a segurança da internet requer uma liderança decisiva e, às vezes, não convencional por parte dos CEOs e não apenas do IT”.

Pedro Galhardas defende ainda que é necessário transformar as empresas, torna-las ciber-resilientes. Para isso, “as organizações têm de começar a trazer o conhecimento especializado para o conselho de administração, garantindo que a segurança seja incorporada desde o início de cada projeto, e que todos os executivos sejam considerados responsáveis pela segurança e privacidade dos dados".

A rápida evolução das tecnologias também não ajuda. Quase 80% dos inquiridos admite que a empresa está a adotar tecnologias emergentes de forma tão rápida que não têm tempo de lidar com questões relacionadas com a cibersegurança. A grande maioria, 76%, acredita que os consumidores não podem confiar na segurança das suas identidades online, visto que demasiados dados pessoais já estão disponíveis sem restrições.

Recomendações para uma internet mais segura:

1. Governance/organização: colaborar com outras entidades e governos, num esforço conjunto de prevenção de novos ciberataques;

2. Cadeia de valor: estar ligado e protegido através de um modelo baseado em confiança digital -- proteger totalmente o seu negócio em todo o ecossistema de parceiros e cadeias de valor;

3. Tecnologia: garantir segurança -- certificar-se de que as funções de segurança e atualização de software estão incorporadas em dispositivos móveis e IoT desde o design inicial.

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