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De Lisboa a Karachi, milhões de mulheres em todo o mundo exigem respeito e igualdade

08 mar, 2019 - 21:50 • Redação, com Lusa

Marchas do Dia Internacional da Mulher com grande adesão numa altura em que as questões da violência doméstica e desigualdade salarial estão na ordem do dia em Portugal.

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Vários milhares de pessoas em Lisboa, largas centenas no Porto e milhões por todo o mundo manifestaram-se esta sexta-feira para assinalar o Dia Internacional da Mulher.

Já passava das 19h00 quando milhares de pessoas que, pelos valores feministas se concentraram em Lisboa, arrancaram uma marcha ruidosa ao som de bombos e tambores e promessas de mudar o mundo.

Foi ao cair da noite que milhares iniciaram o desfile entre o Terreiro do Paço e o Rossio, em defesa de que hoje e os dias que se seguirem sejam novos para os direitos das mulheres.

No Dia Internacional da Mulher, que se assinala esta sexta-feira em todo o mundo, pediu-se o fim da violência contra as mulheres, sobretudo a violência doméstica, que continua a pontuar as estatísticas no país com femicídios.

Direitos iguais e efetiva justiça para as mulheres violentadas e discriminadas marcaram as mensagens nos cartazes e palavras de ordem, em que o juiz Neto de Moura foi figura de destaque e alvo constante de apupos e críticas por causa dos seus acórdãos polémicos em casos de violência doméstica.

Momentos antes do arranque, o Terreiro do Paço silenciou-se em homenagem às vítimas de violência.

A marcha começou depois ruidosa, com a organização, da Rede 8 de Março, a gritar aos microfones, em cima de uma carrinha de caixa de aberta, "deixa passar, deixa passar, sou femininista e o mundo eu vou mudar".

O cortejo saiu do Terreiro do Paço, num trajeto que contornou a praça do Município, seguindo para a rua do Ouro e depois em direção ao Rossio onde termina.

O primeiro-ministro, António Costa, acompanhado pela mulher, Fernanda Tadeu, a líder do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, e a cabeça de lista do partido às eleições europeias, Marisa Matias, acompanhadas de um conjunto de deputados e dirigentes bloquistas, assim como o deputado do PAN, André Silva, e outros membros do Governo, como a ministra da Presidência, Mariana Vieira da Silva, marcaram presença na concentração.

A Greve Feminista, uma organização da Rede 8 de Março, um coletivo de organizações feministas, está esta sexta-feira por todo o país, em Albufeira, Aveiro, Braga, Chaves, Coimbra, Lisboa, Porto, Viseu, Amarante, Vila Real, Évora, Fundão, Covilhã e São Miguel, nos Açores, entre manifestações e uma greve social.

Na cidade do Porto, largas centenas de pessoas de todas as idades e várias nacionalidades concentraram-se para alertar para os números recentes sobre violência doméstica, no dia em que em Portugal se fez uma greve feminista.

"Nem gueixa, nem criada", "Nem deusa, nem boneca" ou "Processa-me Neto de Moura" - eram algumas das frases que se podiam ler nos cartazes e faixas espalhadas pela Praça dos Poveiros uns no chão e outros empenhados ao alto.

Feriado em Berlim, confrontos em Istambul

O Dia Internacional da Mulher foi assinalado um pouco por todo o mundo. Em Espanha, centenas de milhares de pessoas saíram às ruas de várias cidades, com peças de roupa de cor roxa, para exigir igualdade de género e contra as intenções do partido Vox, de extrema-direita, de rasgar a atual lei de violência doméstica.

A marcha que teve lugar em Istambul, na Turquia, ficou marcada por uma carga policial contra a multidão. Centenas de polícias de intervenção impediram as manifestantes de avançarem. As forças de segurança lançaram gás pimenta e gás lacrimogéneo para dispersar a multidão e perseguiram as mulheres que pediam igualdade. Até ao momento, não há informação sobre a existência de feridos ou detenções.

No Paquistão, na cidade de Karachi, centenas de mulheres saíram à rua para exigir liberdade, o fim dos crimes de honra e acesso à educação.

Em Berlim, na Alemanha, a autarquia decretou feriado no Dia Internacional da Mulher e milhares de ativistas juntaram-se numa concentração colorida na zona de Alexanderplatz.

Em Paris não houve confrontos, mas elementos da Amnistia Internacional colocaram cartazes à porta da embaixada da Arábia Saudita com a frase “Apita pelos direitos das mulheres” e pediram a libertação das ativistas detidas pelo regime de Riade.

Centenas de milhares de mulheres protestaram em Buenos Aires, na Argentina. Em frente à sede do Governo, gritaram palavras de ordem contra a violência doméstica, a não aplicação da lei do aborto e exigiram igualdade salarial.

Em Jerusalém houve violência. Um grupo de mulheres que defende o direito a rezar no Muro das Lamentações em condições de igualdade foi atacado por judeus radicais.

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  • Cidadao
    09 mar, 2019 Lisboa 10:51
    Há 3 anos que está no Poder e nunca lhe ouvi nem uma palavra sobre as Mulheres ou sobre a violência Doméstica. Como "virou moda" falar do caso, aí está o Costa na 1ª linha ... das câmaras e maquinas fotográficas. Ah, ano de Eleições trás destes "fretes" ...