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Patriarca anuncia que a renúncia quaresmal deste ano é para a Venezuela

06 mar, 2019 - 19:45 • Filipe d'Avillez

Os males do mundo não devem paralisar os cristãos, pois estes têm como “horizonte inadiável” a Páscoa.

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O patriarca D. Manuel Clemente, de Lisboa, anunciou esta quarta-feira que a renúncia quaresmal de 2019 será destinada a ajudar o povo da Venezuela, através da Caritas local.

Com esta decisão do Patriarcado de Lisboa, chega a uma dezena o número de dioceses que se comprometem a enviar toda ou parte da sua renúncia quaresmal para aquele país sul-americano, a atravessar uma grave crise social, económica e política.

Das 21 dioceses portuguesas, 10 já anunciaram este objetivo, nomeadamente Aveiro, Beja, Évora, Funchal, Porto, Santarém, Setúbal, Vila Real, Viseu e agora Lisboa. Outras dez dioceses escolheram outras causas e Viana do Castelo ainda não divulgou esta informação.

O anúncio do Cardeal D. Manuel é feita na sua tradicional mensagem de Quaresma. Neste documento, o Patriarca começa por elencar vários problemas que afetam o mundo atualmente, incluindo “devastadores conflitos por esse mundo além, que tanto demoram em resolver, com populações em fuga e tão pouco acolhidas, clamam por um envolvimento muito mais forte e consequente da comunidade internacional e da ajuda humanitária. O desrespeito pelo ambiente e as agressões ecológicas põem em causa o futuro – e já o presente – de populações inteiras e da humanidade em geral.”

“O recente encontro promovido em Roma pelo Papa Francisco sobre “a proteção dos menores na Igreja” enfrentou um grave problema que exige solução radical, reprimindo os abusos, apoiando as vítimas e prevenindo tais casos. As trágicas notícias de violência doméstica, especialmente sobre mulheres, manifestam outra chaga intolerável. A corrupção abala a confiança indispensável à vida social e institucional. A proteção ativa de cada vida humana, da conceção à morte natural, continua à espera duma corresponsabilidade coletiva muito mais capaz, pois se trata da primeira alínea do nosso bem comum”, escreve ainda o cardeal.

Contudo, esta listagem não nos deve paralisar, conclui D. Manuel, uma vez que o cristão tem na Páscoa o seu horizonte.

“E finalmente – urgentemente – abre-se a Páscoa, como inadiável horizonte. A Quaresma exercita-a já, para a festejarmos depois. O ritmo das estações do ano acaba por ser monótono, quando não supera os repetidos ciclos com que o paganismo se entretém. A primeira lua cheia da Primavera, que marcará como sempre a Páscoa deste ano, há de trazer-nos bem mais do que isso, se nos encontrar melhores, numa filiação divina que nos libertará também, porque o louvor de Deus e o bem dos outros nos preencherão a vida.”

A Quaresma, período em que os católicos se preparam para a Páscoa, tem início com a Quarta-feira de Cinzas. Este ano a Páscoa celebra-se a 21 de abril.

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