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Abusos sexuais na Igreja. Arcebispo de Évora promete "transparência e colaboração"

25 fev, 2019 - 14:40 • Rosário Silva

D. Francisco Senra Coelho espera "que esta página da Igreja seja também prelúdio das outras páginas das diversas realidades sociais que devem preocupar-se com este tema".

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O arcebispo de Évora espera que a cimeira que terminou este domingo no Vaticano sobre abusos sexuais e proteção de menores oriente a Igreja para a “responsabilização e purificação”, numa atitude que deve estender-se à sociedade civil.

“A Igreja tem obrigação de ir à frente e dar um passo acertado” pois “foi atacada de uma forma lamentável e até inesperada por muitos católicos”, refere D. Francisco Senra Coelho.

Em declarações proferidas ontem na paróquia de Nossa Senhora de Fátima, em Évora, em que presidiu à ordenação diaconal de Paulo José Garcia da Fonseca, o arcebispo fez questão de destacar que, “resolvendo o problema na Igreja”, ele “não fica resolvido na humanidade”.

“Sentimo-nos corresponsabilizados para que esta chaga tremendamente infeliz e vergonhosa não se repita”, afirmou, classificando esta missão como “um desafio à vigilância constante, à formação atenta e ao acompanhamento cuidado”.

Um compromisso que o prelado estabelece com a Arquidiocese de Évora, num “esforço” que quer efetuar enquanto bispo, “vivendo cada momento, cada interpelação e orientação do Papa e da Santa Sé” numa atitude de transparência, coerência e colaboração com todas as autoridades competentes”.

O Arcebispo de Évora acredita que “desta dor imensa que a Igreja viveu vai brotar algo mais purificado e mais autêntico” e condena qualquer tipo de “violação e violência” num drama que não se pode “restringir à Igreja".

“Se o problema está agora consciencializado na Igreja”, sublinha D. Francisco, “a verdade é que ainda não está na sociedade, no mundo”, sendo necessária uma “consciencialização” no âmbito da cidadania e “na nossa corresponsabilidade em todos os ambientes humanos, para que as nossas crianças e adolescentes cresçam em segurança e em liberdade”.

O responsável manifesta, ainda, o desejo de “que esta página da Igreja seja também prelúdio das outras páginas das diversas realidades sociais que devem preocupar-se com este tema”.

Para o prelado, não se trata de “descartar ou querer assobiar e olhar para o alto”, antes um alerta para um grave problema que é “transversal” a toda a sociedade.

“Do meu ponto de vista este é um compromisso transversal e básico de toda a cidadania e, por isso, de todos os católicos e de todas a hierarquia da Igreja”, rematou.
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