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Missão Católica Portuguesa na Venezuela. "Há que fazer os possíveis" para evitar intervenção militar dos EUA

05 fev, 2019 - 17:00 • Pedro Mesquita com redação

Conferência Episcopal da Venezuela deverá pronunciar-se em breve sobre Juan Guaidó, já reconhecido como Presidente interino por mais de 40 países, entre eles Portugal.
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Entrevista ao padre Alexandre Mendonça, da Missão Católica Portuguesa de Caracas, na Venezuela. Por Pedro Mesquita
Entrevista ao padre Alexandre Mendonça, da Missão Católica Portuguesa de Caracas, na Venezuela. Por Pedro Mesquita
Ouça aqui a entrevista completa ao padre Alexandre Mendonça, do jornalista Pedro Mesquita

A Conferência Episcopal da Venezuela poderá pronunciar-se em breve sobre Juan Guaidó, o presidente da Assembleia Nacional venezuelana que se autoproclamou Presidente interino do país e que entretanto já foi reconhecido por mais de 40 países, incluindo Portugal e os EUA.

A possibilidade é admitida pelo pároco da Missão Católica Portuguesa de Caracas. À Renascença, o padre Alexandre Mendonça diz acreditar que a Venezuela não chegará a viver uma guerra civil, embora não afaste o cenário de uma intervenção militar norte-americana, que considera "indesejável".

Quanto a Juan Guaidó, o pároco conclui que é visto por grande parte da população como um sinal de esperança, algo que é "positivo".


Como é que a Igreja na Venezuela olha para os mais recentes desenvolvimentos no país, em particular para o aparecimento de um rosto - Juan Guaidó - que pretende conduzir o país a eleições antecipadas e que já conta com inúmeros apoios internacionais, incluindo o de Portugal?

A igreja está a acompanhar esta situação, a analisar os pontos a favor e contra, e em breve penso que haverá uma informação oficial. Neste momento ainda não há.

Acha, portanto, que em breve a Conferência Episcopal venezuelana vai tomar uma posição relativamente a Guaidó?

Sem dúvida.

Ao mesmo tempo, vimos Nicolás Maduro apelar ao Papa para que seja intermediário em toda esta situação. Acha que isso poderá acontecer?

Não é a primeira vez que o faz. Já uma vez foi pedida ajuda à Santa Sé e, lamentavelmente, não houve muito que se pudesse fazer. Imagino que, a partir de agora, uma solicitude feita ao Santo Padre terá de ter melhores garantias para que a Santa Sé possa atuar - como já fez uma vez e parece que não funcionou muito bem, não tiveram em conta os conselhos da igreja.

Entretanto, chegámos a um momento que parece ser decisivo. Como é que o povo, que a Igreja acompanha atentamente aí na Venezuela, está a encarar tudo isto?

Há sempre gente de um lado e do outro. Mas em termos gerais, pelo menos eu percebo que há um pouco mais de esperança de que esta situação mude.

Guaidó aparece como um sinal de que algo vai acontecer?

Sem dúvida. Não havia ninguém a ocupar esse espaço que fazia falta. E apareceu este cavalheiro, que já tem muitos anos na vida política. E é positivo isto, porque assim o povo não perde a esperança num futuro melhor. Pedimos a Deus que assim seja, que tanta falta nos faz. E oxalá que não tarde muito, porque a situação do povo venezuelana é demasiado difícil.

Receia que isto ainda possa piorar, ou seja, que possa vir a acontecer uma Guerra Civil?

Honestamente, não creio que cheguemos a essa situação.

Os militares ainda estão ao lado de Maduro, pelo menos a maioria deles...

Quanto a isso não me atrevo a opinar, a dizer nem sim nem não. Porque aqui na Venezuela, talvez haja um grupito que está muito bem, mas a grande maioria vive muito mal.

Como é que vê o cenário de uma intervenção militar norte-americana, que Donald Trump não descarta?

Parece que a possibilidade está latente, mas há que fazer os possíveis para que essa triste situação não aconteça.

Seria mau...

Logicamente. Violência só gera mais violência. E o que é preciso é ter paz e justiça, para que reine a fraternidade e o amor no povo. As armas só trazem sofrimento, dor e morte.


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  • Anónimo
    05 fev, 2019 19:49
    Se os americanos tentarem invadir a Venezuela, terão outro Vietname. É vergonhoso que Portugal esteja de rabinho voltado para o imperialismo americano.