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Greve dos enfermeiros adia 10 mil cirurgias

01 jan, 2019 - 20:34 • Lusa

O número é apresentado pela presidente da Associação Sindical Portuguesa dos Enfermeiros (ASPE), Lúcia Leite.

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A greve dos enfermeiros em blocos operatórios, que terminou na segunda-feira, levou ao adiamento de 10 mil cirurgias, disse esta terça-feira à agência Lusa a presidente da Associação Sindical Portuguesa dos Enfermeiros (ASPE), Lúcia Leite.

"Os números que temos são de referência, pois só os hospitais têm números concretos", comentou a dirigente, acrescentando que a média de adiamentos foi de 500 cirurgias por dia útil.

Lúcia Leite indicou ainda que a expectativa dos sindicatos é que na próxima reunião de negociações, na quinta-feira, o Governo "esteja disponível para chegar a um entendimento".

A paralisação, que durou mais de um mês, colocou o setor da saúde em convulsão pelo seu caráter inédito, não só por ser prolongada no tempo, mas também porque um movimento de enfermeiros criou uma recolha de fundos através da Internet para financiar os grevistas. "Teve impacto financeiro nas instituições de alguns milhões de euros, e a nossa expectativa é que o Governo mude de opinião", disse. A greve foi convocada por duas estruturas sindicais, mas depois de o movimento "greve cirúrgica" ter já iniciado a recolha de fundos que conseguiu recolher mais de 360 mil euros.

Iniciada a 22 de novembro, a greve abrangeu cinco centros hospitalares: Centro Hospitalar S. João (Porto), Centro Hospitalar e Universitário do Porto, Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, Centro Hospitalar Lisboa Norte e Centro Hospitalar de Setúbal.

Em declarações de balanço hoje à agência Lusa, Lúcia Leite, presidente de um dos sindicatos que convocou a greve, comentou que os enfermeiros "conseguiram demonstrar a sua posição, prejudicando o mínimo possível de doentes".

"Claro que os enfermeiros não podem fazer greve sem prejudicar os doentes, mas são sobretudo pessoas que esperam por cirurgias há um ou mais anos", disse sobre os adiamentos que motivaram alertas, avisos e manifestações de preocupação entre vários atores da área da saúde.

Acrescentou que a proposta que o Governo tem apresentado "é inegociável, e não resolve os problemas dos enfermeiros".

"Os enfermeiros perderam a sua carreira. Tinham cinco categorias e agora têm só uma", argumentou.

Lúcia Leite indicou que a expectativa dos sindicatos é que na próxima reunião de negociações, o Governo "esteja disponível para chegar a um entendimento".
A próxima reunião negocial, com o Ministério das Finanças e o Ministério da Saúde, realiza-se na quinta-feira, às 16:30, na Administração Central do Sistema de Saúde, em Lisboa.

Os administradores hospitalares denunciaram que haveria doentes em situações críticas com cirurgias adiadas, considerando o panorama "extremamente grave".
A Ordem dos Médicos também alertou para doentes prioritários que não estariam a ser operados e insistiu que os hospitais deviam divulgar os casos dos doentes com cirurgias adiadas. A Ordem chegou a fazer esta exigência às administrações das unidades de saúde recorrendo à legislação que obriga a facultar dados e documentos administrativos.

Da parte do Governo, a ministra da Saúde considerou desde logo, mesmo antes do início do protesto, que a greve era "extraordinariamente agressiva", mas foi recusando negociar com os sindicatos que convocaram a paralisação enquanto esta decorria.

Entre as reivindicações dos enfermeiros estão a criação de uma categoria de especialista na carreira, a antecipação da idade da reforma e melhoria de condições no Serviço Nacional de Saúde.

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  • antónio
    02 jan, 2019 12:16
    Os enfermeiros não querem matar ninguém, penso que nos casos mais graves haverá serviços disponíveis para solucionar o problema. Mas vocês são de todas as formas e sem olhar a meios contra as greves. Até mesmo se cortassem metade do salário aos trabalhadores se vocês ainda assim não ficavam contra as greves. Vocês distorcem tudo e são a vergonha da democracia. Olhe para o salário minimo em frança e para aquilo que eles pagam nos combustíveis, na eletricidade e até noutros bens essenciais....compare o salário minimo em portugal e àquilo que se paga pelos mesmos bens essenciais. E mesmo assim os franceses saem à rua em força e mostram-se fartos. Mas aqui em portugal não, os trabalhadores devem se contentar com cada vez menos, pagar mais caro, viver na miséria e ainda serem felizes. Só te queria dizer o seguinte, se te contentas com tão pouco e vives feliz, algo em ti não é muito normal, ou então não te deve faltar o essencial., por isso os outros não interessa. Se fazes parte do patronato, pois então mostras bem aquilo que és (...)
  • P/Filipe
    02 jan, 2019 11:53
    Pois, "no privado tem menos salário e tem de arrastar se for preciso o lixo pelo chão e não reclamam ." É por estas e por outras e por gente como tu, seu grande (....) que este país está como está. É isto que gente como tu quer: escravos e e um prato de arroz por dia. Quanto é que ganhas por mês, já agora? E porque é que se fazes parte do privado e gente como tu produz tanto assim, porque é que este país está na cauda da europa? É por causa dos func. publicos? Tu das duas uma: ou és um patrão (...) ou és daqueles trabalhadores que se contenta com poucas migalhas e com muito trabalho em cima. Ou então ainda vou para outra hipótese, se calhar ganhas acima de 5000 euros e nem fazes o que mereces, mas os outros não são seres humanos com dignidade, não merecem nada. Tu é que és bom. O enstein tem umas frases que condiz bem contigo, se não conheces, é só pesquisar na internet. Um bom ano, cheio de (...) E por favor R.R, faça o favor de publicar o meu comentário, porque até estou a ser muito educado com quem não merece,
  • hara
    01 jan, 2019 mafra 22:43
    Este governo permite que o direito ´greve se sobreponha ao direito á saúde operatória.A requesiçao civil impõe-se assim como legislação que impeça q estas greves possam ser tao prolongadas.Os doentes seus amigos e familiares estão gratos por não serem operados e ansiosos por voltar a votar PS,BE,PCP.É uma vergonha nacional q colide com os direitos do Homem.Nao há pulso e respeito pelo povo doente e sues familiares um mau ano 2019 pra queles q tao mal fizeram em 2018.
  • FIlipe
    01 jan, 2019 évora 21:44
    São 10.000 mil doentes no corredor da morte , nem Hitler fez menos ... deixem de ler os livros que ensinam como torturar pessoas e trabalhem naquilo que o povo lhes paga de ordenado e é bastante vs a produtividade dada no sector público , no privado tem menos salário e tem de arrastar se for preciso o lixo pelo chão e não reclamam .