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Estabelecimento Prisional de Lisboa. Hoje não há visitas mas vão ser retomadas

05 dez, 2018 - 12:05

A Renascença falou com os familiares que se juntaram à porta do estabelecimento e que pedem mais informações. “Tentem acalmar os nossos corações”, pedem.
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Esta quarta-feira, não vai haver visitas no Estabelecimento Prisional de Lisboa porque os guardas prisionais estão reunidos em plenário.

Os familiares que, entretanto, se juntaram à porta da cadeia estão a ser informados do cancelamento das visitas – um facto que sido uma das razões na origem do motim de terça-feira à noite que e continua a ser contestado, agora pelos familiares.

“Como é que nós, como mães e familiares, estamos aqui sem saber nada? Que venha a diretora ou o diretor ter connosco, dêem-nos uma satisfação. Nós merecemos saber”, diz à Renascença Ana Rio Maior, mãe de um recluso.

A mesma familiar adianta que, durante o motim, “houve tiros de balas de borracha, houve tudo lá dentro” e que daí resultaram “nove feridos. Não são graves, mas são feridos”.

A versão é contrariada pelo diretor geral dos Serviços Prisionais e Reinserção, que garantiu esta manhã, também à Renascença, que não há feridos. Celso Manata garante ainda que é falso que só no início de janeiro sejam retomadas as visitas – tudo deverá ficar normalizado no próximo fim de semana.

O mesmo responsável indica ainda que nada está decidido quanto ao encontro de Natal que habitualmente os reclusos têm com as suas famílias. Os guardas prisionais não estarão dispostos a realizá-lo, mas será uma comissão paritária a tomar a decisão.

Mas todas estas informações ainda não chegaram bem aos familiares que, de sacos na mão (com o máximo de um quilo de comida) e outros com alguma roupa estavam esta manhã prontos a fazer uma visita.

Soraya Pinto, que queria ver o namorado, lamenta que tenha tido notícias através da comunicação social. “Ninguém nos veio dizer nada. Nós, os familiares, somos as pessoas que mais querem saber da informação. Tentarem acalmar os nossos corações também, porque há aqui muitas mães", lembra.

Na terça-feira à noite, cerca de 160 ou 170 reclusos de uma ala do Estabelecimento Prisional de Lisboa revoltaram-se por não terem tido visitas, como estava previsto, e amotinaram-se com gritos, colchões e papéis queimados, bem como algum material partido. O Corpo da Guarda Prisional foi obrigado a intervir e até a "usar a força".

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