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Empresários católicos. A diversidade é boa mas não a praticamos. Porquê? "Temos medo"

23 nov, 2018 - 14:47 • João Carlos Malta

A diversidade é boa em termos intelectuais, mas difícil de pôr em prática. A inclusão de pessoas diferentes continua a ser um desafio no mundo laboral.

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Chiari Condi, uma advogada francesa que se dedicou à luta pelos direitos das mulheres, diz que há um paradoxo que se resolve pelo sentimento. Por que razão, face a todos os estudos que dizem que a diversidade é boa para os negócios e que traz mais lucro, não a aplicamos? A resposta é o medo.

A ativista que lidera o movimento “Led by her” foi uma das oradoras do segundo painel da manhã desta sexta-feira no 26.º Congresso Mundial de Empresários Católicos, a decorrer até amanhã na Universidade Católica, em Lisboa, dedicado ao tema “Promover a inclusão nos negócios”.

O medo, segundo Chiara, é alimentado pelo facto de nós “querermos o mundo tal e qual como aquele em que vivemos”. “Escolho pessoas como eu e faço-o porque me dá segurança, é este o padrão”, sublinhou aos empresários católicos.

Fê-lo em reação à história de Randy Lewis, ex-vice-presidente da Walgreens, uma grande empresa norte-americana que opera farmácias e que, nos últimos dez anos, passou a contratar pessoas com deficiência em larga escala.

O ex-vice-presidente da empresa afirmou que, num universo de 10 mil trabalhadores, 30% são pessoas portadoras de algum tipo de deficiência. Surpresa, ou não: o negócio começou a ser mais rentável.

Mas para isto acontecer, ressalta Chiara, é muito importante haver um gatilho. Alguém que abra o caminho. “É muito importante ser a pessoa que tem um gesto de confiança, que dá uma oportunidade. A diversidade é algo que é muito fácil de defender intelectualmente, mas não é nada fácil de pôr em prática”, considera a empreendedora social.

Outro dos oradores, Martin Burt, líder da “Overcoming Poverty”, falou de um problema que é transversal a todos os gestores cristãos.

“Temos de maximizar o lucro e, ao mesmo tempo, ter uma atenção preferencial pelos pobres. Como o podemos fazer?”

O movimento que criou, explicou em modo de resposta à própria pergunta, quer pôr de pé um programa para promover empresas sem pobreza. E para isso, Burt diz que a ideia é colocar os trabalhadores a analisar a sua própria condição num tablet. Nele, há um questionário com diversas perguntas como: “Tenho acesso ao crédito? Tenho diversidade de fontes de rendimento? Tenho acesso a agua potável? Comemos boa comida em casa?”

Estas são apenas algumas questões colocadas aos trabalhadores. O medo dos líderes para aplicar este sistema era que isso levasse as pessoas a exigirem aumentos salariais. Mas Martin diz que não foi isso que aconteceu. “Deu às pessoas dignidade, porque são elas e não outros a responder às perguntas sobre si próprias”, disse.

Burt aponta outro ponto importante, que aprendeu durante este processo: perceber que as pessoas não são apenas indivíduos, “são famílias.”.

“Ninguém é pobre sozinho”, explica. “No Paraguai não há 7 milhões de pessoas, há apenas 1,6 milhões de famílias”, defendeu.

Randy Williams, que agora lidera um movimento designado “Não há grandeza sem bondade”, recorda que há dez anos a administração da Walgreens lhe perguntou: “E se não resultar a aposta em deficientes?”

A sua resposta foi pragmática: “Tal como qualquer problema, vamos dar o nosso melhor e se não resultar ajustamos.”

Randy concorda com Chiara de que é o medo que tolda a ação. E para isso há uma solução: “Não é perdê-lo, é ir além dele.”

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