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Intercalares americanas

Uma semana depois, ainda há votos por contar nos Estados Unidos

13 nov, 2018 - 10:57

As eleições intercalares americanas ainda não acabaram. Há votos que ficaram por contar, votos que vieram pelo correio e há eleições que têm de ser repetidas. Os democratas ainda tentam resultados históricos na Georgia e na Florida.
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As eleições intercalarares americanas decorreram no dia 6 de novembro e o resultado ditou uma vitória dos democratas na Câmara dos Representantes. Os republicanos não tiveram uma boa noite eleitoral, mas seguraram o Senado e conseguem “proteger” Trump.

Mas se quem manda não está em questão, resta saber por quanto e como isso vai influenciar o futuro. É que ainda há 17 eleições nacionais que ainda estão por decidir, uma semana depois das “midterms”, como lhes chamam os americanos. Duas delas para o Senado, 13 para a Câmara e duas para governador.

Os democratas já conseguiram dar a volta a uma das corridas eleitorais. Resta saber se os votos que faltam contar e as possíveis recontagens podem virar o panorama político americano para 2020, altura em que há novas eleições, uma delas para o Presidente.


Um Senado ainda mais dividido

O Senado é a câmara alta do Congresso americano, o orgão legislativo mais importante dos Estados Unidos e está nas mãos dos republicanos. Os democratas precisavam de um resultado quase milagroso para ganhar o Senado, algo que não conseguiram.

No dia 6, os estados do Arizona e da Florida tinham caído para o lado dos republicanos. O Mississipi continua uma incógnita.

No Arizona, o caso mudou completamente de cor, do vermelho republicano para o azul democrata. Na noite eleitoral, a republicana Martha MacSally estava à frente num estado tendencialmente vermelho.

Na segunda-feira, a democrata Kyrsten Sinema foi declarada a vencedora. Há ainda votos por contar, mas a matemática está do lado de Sinema e MacSally já lhe deu os parabéns. Sinema é a primeira mulher a representar o estado do Arizona. Foi a primeira vez em 24 anos que o Arizona escolheu um democrata para o lugar.

Na Florida, tudo indica que irá haver uma recontagem. Na noite eleitoral, o antigo governador republicano e aliado de Trump, Rick Scott, parecia ter o lugar garantido.

No entanto, à medida que votos em pequenos distritos eleitorais foram sendo contados, assim como votos de militares e votos por correio, a diferença entre Scott e o candidato democrata, Bill Nelson, foi diminuindo.

Scott tem uma vantagem de 0,15 pontos percentuais. Segundo a lei estatal da Florida, se a vantagem for menor que meio ponto percentual (0,5% dos votos), os votos eletrónicos são recontados pelas máquinas e se for inferior a um quarto de ponto percentual (0,25% dos votos), os votos têm de ser recontados à mão.

Nelson ainda têm uma hipótese de chegar ao Senado – para já, a diferença está em menos de 15 mil votos num estado em que votaram mais de 8 milhões de pessoas. A recontagem eletrónica acaba na quinta-feira.

No Mississipi, já é certo que a eleição vai a uma segunda volta. A republicana Cindy Hyde-Smith conseguiu pouco mais de 41% dos votos e o democrata Mike Espy teve 40,6%. O outro republicano na corrida, Chris McDaniel, obteve 16,5%, mas fica de fora da segunda volta, marcada para dia 27 deste mês.

A lei no Mississipi obriga a que um dos candidatos tenha mais de 50% dos votos. A republicana Hyde-Smith deve garantir a reeleição, com uma boa parte dos eleitores de McDaniel a ficarem do lado vermelho.

No melhor das hipóteses, os democratas conseguem os três lugares e empatam o Senado, com 50 representantes (neste momento, têm 47). Os republicanos ficariam também com 50, mas em caso de empate, o voto final vai para o vice-presidente dos EUA, Mike Pence, conservador e fiel a Trump.

Portanto as contas pouco mudariam: os democratas tentam apenas ganhar uma plataforma mais estável e atacar o controlo do Senado nas próximas eleições.


A Câmara sem segredos

Os democratas garantiram o controlo da Câmara dos Representantes, a câmara baixa do Congresso, na noite eleitoral. Os democratas têm uma vantagem de 30 lugares e há 13 corridas por decidir. Mesmo que um cenário trágico aconteça e os democratas as percam todas, seguram facilmente a Câmara.

Cinco dessas corridas são na Florida – e uma envolve um lusodescendente. O republicano David Valadão tem uma vantagem magra sobre o democrata TJ Cox, de 51% contra 49%. As sondagens sugerem que o filho de pais açorianos e apoiante de Trump vai mesmo vencer e ser reeleito.

Há outras corridas interessantes que podem cair para qualquer um dos lados. Na Georgia, a vantagem do candidato republicano é de menos de mil votos e há 1500 votos ainda por verificar. No Maine, o estado tem um sistema de voto por preferência e com os candidatos independentes à mistura, a contagem tornou-se mais complicada.

Há ainda o caso peculiar no Utah, onde os votos por correio ainda não chegaram e há cerca de 78 mil votos por contar. A contagem ainda pode demorar duas semanas.


Uma concessão revogável

Os democratas tentaram dois resultados históricos nas eleições para governadores dos estados da Florida e da Georgia. Na Florida, Andrew Gillum poderia tornar-se no primeiro governador negro do estado; na Georgia, Stacey Abrams tentava ser a primeira mulher negra a ser eleita governadora.

Na noite eleitoral, o republicano Ron DeSantis foi declarado vencedor na Florida, para desespero dos democratas. Gillum concedeu a derrota. Mas atrasos nos votos deixaram o resultado pendente.

No sábado, DeSantis tinha uma vantagem de 0,41% - abrindo a janela da recontagem. E Gillum retirou a concessão de derrota. DeSantis tem agora uma vantagem de pouco mais de 30 mil votos.

Na Georgia, o republicano Brian Kemp usou todas as táticas possíveis para impedir que milhares de eleitores pudessem votar na democrata Stacey Abrams. Bastava uma fotografia pouco atualizada ou uma assinatura ligeiramente diferente e o voto era considerado inválido.

Ora, num estado muito republicano e com uma população negra considerável nos centros urbanos, Kemp tentou minimizar a vitória de Abrams nestes centros – num volte-face irónico, ele próprio acabou por ter dificuldades em votar.

Kemp tem de ter mais de 50% dos votos para ganhar, o que conseguiu. Teve 50,3%. No entanto, Abrams reclama que muitos boletins não foram contados por restrições aos eleitores, que no dia da eleição viram os seus registos de voto serem suspensos.

53 mil pessoas foram impedidas de votar e há ainda 21 mil votos por contar. Abrams está atrás de Kemp por pouco mais de 30 mil votos. Stacey Abrams processou o estado governado por Kemp, o atual secretário do estado, por restringir votantes com a sua situação perfeitamente normalizada.

O estado da Georgia está assim em suspenso. A haver segunda volta, esta seria no dia 4 de dezembro.


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Comentários
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  • Nuno
    14 nov, 2018 Caldas 13:09
    Para mim não deveria existir repetição de eleições. As eleições só deveriam decorrer enquanto não se soubesse o resultado final. Nem é preciso ir mais longe, se existisse outro referendo no R.U. será que o resultado era o mesmo? Ou ainda, se em 2011 os portugueses soubessem que o PSD junto com o CDS tinham maioria absoluta, será que todos votariam da mesma maneira?? Nas eleições para a junta de freguesia tem de existir repetição, porque nesse caso não pode ser eleito o presidente. Nos restantes casos NUNCA deveria de existir repetição. Os votos são sempre influenciados pelos resultados já conhecidos.
  • FERNANDO MACHADO
    13 nov, 2018 PORTO 14:47
    E FOSSE CÁ, CAIA O CARMO E A TRINDADE....