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A escola é o segredo do Ballet Bolshoi, diz antigo bailarino Valdimir Vasiliev

02 nov, 2018 - 16:18 • Maria João Costa

Antigo diretor e bailarino do Ballet Bolshoi de Moscovo está em Lisboa para Gala de Prémios da Fundação Mirpuri, no Teatro Nacional de São Carlos, e falou à Renascença.
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Vladimir Vasiliev é o convidado de honra da gala de entrega dos Prémios Dança, Música e Teatro 2018 da Fundação Mirpuri. O evento vai decorrer no sábado, dia 3, no Teatro Nacional de São Carlos.

Quase a completar 80 anos, o bailarino russo do Ballet Bolshoi – companhia da qual foi diretor artístico e coreógrafo até 2000 – está em Lisboa pela primeira vez.

Em entrevista à Renascença, diz que tem o sonho de voltar aos palcos. Dentro de dois anos quando completar 80 anos, Vladimir Vasiliev quer voltar a dançar.

Como coreógrafo, Vasiliev criou um bailado e um papel para si. No Teatro Nacional de São Carlos, com a ajuda de uma tradutora de russo diz-nos: “Agora tenho 78 anos. Claro que é difícil falar em dançar como eu costumava fazer. Mas dentro de dois anos, quando tiver 80 anos espero voltar aos palcos com a minha produção ‘Anyuta’, que fiz há 30 anos. Há um papel que criei para mim que é a figura de um pai. É baseado na história de Tchaikovsky”, conta.

Vladimir Vasiliev já recebeu vários prémios internacionais, entre eles os mais altos prémios estatais da antiga União Soviética e o mais recente prémio Commendatore del’Ordine della Stella d’Itália, entregue pelo Presidente italiano.

Continua a ser apontado como um dos bailarinos mais talentosos. Perguntamos, por isso, como se identifica o talento na dança. Vladimir faz uma pausa para pensar e responde com uma imagem: “Dou-lhe um exemplo: há pessoas que falam muito e nós não fixamos uma palavra. E há outras que dizem apenas poucas palavras que vão diretas ao coração”.

É do coração que também sairão as próximas telas de Vladimir Vasilev. Nos últimos anos, o bailarino agora reformado tem-se dedicado à pintura. Nesta que é a primeira vez que está em Portugal, o artista russo foi visitar Sintra e Cascais, além passear por Lisboa. E admite que os passeios que deu poderão vir a inspirá-lo para criar.

“Eu fiquei inspirado com o que vi ontem”, revela à Renascença, acrescentando que “certamente em breve haverá mais quadros que terão Portugal e a paisagem portuguesa como temas”.

Na cerimónia de sábado no Teatro Nacional de São Carlos participam a Orquestra Sinfónica e vários bailarinos internacionais do Bolshoi, Royal Ballet de Londres e do State Ballet da Georgia. Questionado sobre o segredo do sucesso dos bailarinos do conhecido Bolshoi, Vladimir Vasiliev sublinha o método de trabalho que é usado. Nas suas palavras “o segredo está na escola e na grande tradição”.

“Enquanto houver ensino da dança, haverá grandes bailarinos”, destaca ainda.

Os prémios da Fundação Mirpuri acontecem depois de, no verão, a fundação ter assinado com a OPART, que dirige o São Carlos, um protocolo que vai apoiar a limpeza e restauro da fachada principal do teatro nacional de ópera português e a doação de uma superfície adequada para atuações de dança.


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