|
A+ / A-

​“Há uma demonização orquestrada do eucalipto”

19 out, 2018 - 17:33 • José Carlos Silva

Presidente da União da Floresta Mediterrânica acusa o Parlamento de se precipitar quando pede um programa para arrancar o eucalipto que nasceu depois dos fogos do ano passado.

A+ / A-

É uma voz que destoa do politicamente correto. A voz de António Gonçalves Ferreira, presidente da União da Floresta Mediterrânica (Unac), corta rente os argumentos da associação Quercus.

Os ambientalistas defendem que as empresas de celulose paguem mais impostos para custear o controlo do eucalipto a nível nacional.

Em declarações à Renascença, António Gonçalves Ferreira diz que o pedido não faz qualquer sentido, “porque nas zonas com gestão pelas empresas de celulose e pelos proprietários rurais a regeneração está controlada”.

Sublinha, contudo, que “em zonas concretas, nomeadamente nas zonas estratégicas, onde deviam estar a ser implementadas faixas estratégicas de gestão de combustível, aí o Estado deve apoiar para que essas faixas sejam implementadas”.

O presidente da Unac vai mais longe e acusa o Parlamento de se estar a precipitar quando recomenda ao Governo que avance com a criação de um programa de apoio ao arranque dos eucaliptos que nasceram depois dos fogos do ano passado.

Para António Gonçalves Pereira, está a ser feita tábua rasa do “conhecimento técnico e científico que temos e da experiência de gestão”, em detrimento do uso mediático e recorrente após todos os incêndios “para tirar dividendos políticos, obviamente, contra um setor que está a ser altamente penalizado e que é uma ferramenta importante na rentabilidade e na gestão das nossas florestas”.

Para este engenheiro que à frente da Unac representa mais um milhão de hectares de produção florestal em Portugal, “há uma demonização orquestrada do eucalipto.” E não necessariamente contra a indústria papeleira.

O problema, diz, é que “ao longo dos anos passou-se uma imagem que o eucalipto era uma coisa má e essa imagem entrou na consciência do cidadão comum”.

Remata que é preciso de quando em vez olhar para a árvore e não para a floresta, porque há “eucaliptos que não deveriam estar plantados nalgumas zonas, tal como há pinheiros nessa situação, como há muitas intervenções humanas que foram feitas numa realidade e num enquadramento e numa época que hoje seriam feitas de outra maneira”.

Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

  • João Branco
    23 out, 2018 Vila Real 12:14
    União da Floresta Mediterrânica ou Promoção da Floresta Australiana ????
  • João Forte
    21 out, 2018 Ansião 21:34
    Presidente da União da Floresta Mediterrânica? Mais parece um alto quadro de uma celulose... Isto de o Presidente da República ter aparecido a arrancar eucaliptos mexeu mesmo com os eucaliptólogos....
  • Eurico Ferreira
    20 out, 2018 Lisboa 19:02
    Triste e infeliz imagem, a do nosso querido Presidente da República, a arrancar eucaliptos. É a primeira vez que lhe faço reparo pois tem sido inexcedível. Aqui, nesta situação requere-se bom senso.
  • Jaime Macedo
    20 out, 2018 Lisboa 16:36
    Se é o presidente da União da Floresta Mediterrânea, porque está a defender uma espécie exógena em vez da floresta autóctone? Não haverá aqui conflito de interesses? Já agora, por que é Portugal o país com maior percentagem de plantação de eucalipto? Todos os outros países estão errados e nós estamos certos? E por que continua a chamar floresta ao cultivo intensivo de uma única espécie? Não será silvicultura? Por que reduzir o valor da floresta ao valor económico imediato? E as questões ambientais? E a biodiversidade? E a alteração climática que a exploração silvícola do eucalipto provoca com a redução da humidade no ar e nos solos?