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​Igreja quer estar cada vez mais no digital, mas “com qualidade”

26 set, 2018 - 19:31 • Ângela Roque

“APPlica-te” é o tema das Jornadas Nacionais de Comunicação Social, que contam com mais de 150 inscritos. Iniciativa leva a Fátima oradores de referência na área da comunicação e do marketing digitais, para mostrarem o muito que já se vai fazendo nesta área.

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As Jornadas Nacionais de Comunicação Social são este ano promovidas conjuntamente pelo Secretariado Nacional das Comunicações Sociais, da Igreja, e pela Rede Mundial de Oração do Papa em Portugal, ligada aos jesuítas. Destinam-se a jornalistas e comunicadores em geral, muitos deles responsáveis pelos gabinetes de comunicação da Igreja, que ao longo de dois dias vão poder assistir a conferências, workshops e debates sobre produção e gestão de conteúdos para websites, redes sociais e aplicações móveis.

A edição deste ano tem, assim, um objetivo claramente prático e formativo. “Os participantes foram progressivamente indicando essa perspetiva, para as Jornadas serem sobretudo de formação para os comunicadores. Dada a expansão da comunicação através deste ambiente digital, nomeadamente através das aplicações móveis, decidimos fazer estas jornadas voltadas para as potencialidades dessas aplicações, ver até que ponto é que elas podem ajudar na comunicação, seja a comunicação institucional, da Igreja Católica, seja a informativa, seja a comunicação pastoral que se faz”, explica à Renascença Paulo Rocha, diretor da agência Ecclesia e secretário da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais.

Este responsável reconhece que esta vertente mais prática das Jornadas tem atraído mais gente às jornadas. “Sim, sem dúvida. O ano passado, quando se realizaram na Rádio Renascença, em Lisboa, já tiveram uma componente prática voltada para a produção de conteúdos para as redes sociais, e este ano vão ser mais voltadas para as aplicações móveis”. Mas, a grande novidade é serem organizadas em parceria com a Rede Mundial de Oração do Papa.

“Eles já tinham umas jornadas também muito práticas, que realizavam normalmente em abril, e então surgiu esta parceria para fazermos esta iniciativa em conjunto. E acho que conseguimos dar mais qualidade às Jornadas, e dar também um alcance maior, seja pelo número de participantes, seja pelos resultados que delas podem sair”.

A parceria com os jesuítas surgiu de forma quase natural, dada a larga experiência que têm nesta área, com vários projetos digitais que desenvolveram ao longo dos últimos anos, de que são exemplo o ‘Click to Pray’ e o ‘Passo a Rezar’.

“De facto, os jesuítas souberam fazer de um ambiente de oração que tinham propostas que chegaram a um alargado número de pessoas, e souberam fazer isso de uma forma muito criativa. É capaz de ser em Portugal o primeiro grande exemplo de como no ambiente digital podemos replicar tudo aquilo que fazemos noutros ambientes, sejam os ambientes dos templos, sejam os dos nossos relacionamentos”, sublinha Paulo Rocha, que não tem dúvidas: “o digital é o ambiente onde podemos estar e onde estamos cada vez mais, mas temos de estar com qualidade. Durante as Jornadas vamos promover uma mostra multimédia, para mostrar o que já existe”. Os bons exemplos são muitos, e alguns virão partilhar a sua experiência nestas jornadas.

O pioneirismo da Igreja na área digital

Entre os oradores convidados para estas Jornadas está a irmã Xiskya Valladares. Jornalista e cofundadora da associação iMisión, é autora de vários livros, um deles o ‘Boas práticas para evangelizar no Facebook’.

“Ela é conhecida como a ‘monja tuiteira’, pelas suas intervenções constantes no Twitter, e virá falar-nos sobre as ‘Boas práticas para evangelizar no Facebook, Twitter e Instagram’, e de que forma devemos estar neste ambiente”, explica Paulo Rocha, que destaca ainda a participação de Juan Della Torre, da ‘La Machi – Agência de Comunicação para Boas Causas’, que é responsável pela app oficial de oração do Papa, o ‘Click To Pray’, e pela produção mensal de “O Vídeo do Papa”.

Jesus Colina, fundador e diretor editorial da rede digital Aleteia.org, e que já foi consultor do Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais, vai apresentar um estudo mundial de social listening no Facebook e Instagram sobre os interesses dos jovens com idades entre os 18 e os 25 anos. “É um estudo a nível internacional, que ele preparou para o Sínodo dos Bispos sobre os jovens, que começa na próxima semana, mas que ele vai apresentar aqui em primeiro mão nestas jornadas, com dicas muito interessantes”, avança Paulo Rocha.

A conferência de abertura das Jornadas estará a cargo de Nelson Pimenta, o diretor digital do grupo Renascença Multimédia, que vai falar sobre as novas tendências digitais. Haverá ainda um painel com três professores e investigadores, Patrícia Dias e Inês Teixeira-Botelho, da Universidade Católica Portuguesa, e Fábio Ribeiro, da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e da Universidade do Minho, que vão apresentar os resultados de uma investigação feita sobre ética e eficácia do marketing digital e a relação dos jovens com as “fake news”.

Paulo Rocha diz que estas são jornadas “abertas a todos”, e não só aos jornalistas dos média católicos, ou a responsáveis da Igreja, e até espera que se junte mais gente aos 150 participantes já formalmente inscritos, porque este é um tema que interessa a todos.

“A comunicação digital é cada vez mais uma ferramenta que está ao alcance de todos e é explorada, no bom sentido, por todas as pessoas, sejam profissionalmente comunicadores, jornalistas, ou outros”, crentes e não crentes, embora ressalve que “na comunicação que acontece a partir de organizações da Igreja Católica, ou a ela ligadas, há um assunto que se quer comunicar, que é Jesus Cristo. O assunto é esse, não vamos dizer como se comunica em futebol ou na ciência, há esta perspetiva. E felizmente também que há muitos interessados em comunicar este assunto e este tema. Creio que podem encontrar aqui ferramentas e pistas, que ajudem a que essa comunicação se faça com eficácia com qualidade”, sublinha.

As Jornadas vão decorrer na Domus Carmeli, em Fátima, esta quinta e sexta-feira. Todas as intervenções serão disponibilizadas em vídeo através da agência Ecclesia. “Uma vez que estes conteúdos têm uma componente essencialmente formativa, é possível depois revisitá-los e revê-los. Quem não conseguir por algum motivo lá estar, pode depois ver e ouvir aquilo que lá se passou”, explica Paulo Rocha.

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