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Próximo Encontro Mundial das Famílias vai ser em Roma

26 ago, 2018 - 17:25 • Eunice Lourenço , Aura Miguel

No encerramento do encontro de Dublin, o Papa pediu às famílias que tenham coragem e deem testemunho de perdão e acolhimento.

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O próximo Encontro Mundial das Famílias vai ter lugar em Roma, em 2021. O anúncio foi feito pelo Papa Francisco, este domingo, na missa de encerramento do encontro de Dublin.

Na sua homília, na missa que decorreu em Phoenix Park, Francisco pediu às famílias presentes que, no regresso a casa, sejam fonte de encorajamento para outras. “Que vós possais, como um dos frutos desta celebração da vida familiar, regressar às vossas casas e tornar-vos fonte de encorajamento para os outros, para partilhar com eles ‘as palavras de vida eterna’ de Jesus. Na verdade, as vossas famílias são um lugar privilegiado e um meio importante para difundir estas palavras como ‘boas notícias’ para cada um, especialmente para quantos desejam deixar o deserto e a ‘casa da escravidão’ a fim de irem para a terra prometida da esperança e da liberdade”. O Papa falava perante milhares de famílias, que estiveram longe de encher aquele espaço onde, há quase 30 anos, João Paulo II celebrou para perto de um milhão de pessoas, quase um terço da população do país.

Neste encontro, a organização distribuiu 500 mil bilhetes (quem quisesse ir tinha de pedir bilhete), mas apesar de terem sido esgotados, o espaço teria cerca de metade dos participantes. Uma das explicações para o facto é a iniciativa de vários movimentos de protesto à visita do Papa, que reservaram bilhetes sem qualquer intenção de comparecer na cerimónia.

A diferença entre a Irlanda que João Paulo II visitou e a que recebeu Francisco foi salientada pelo arcebispo de Dublin, logo nas palavras de saudação ao Papa, no início da missa. “Há 30 anos, mais de um milhão de irlandeses juntaram-se à volta desta cruz para a missa celebrada pelo seu antecessor, o Papa S. João Paulo II. Foi um momento histórico. É um lugar-comum dizer que vem a uma Irlanda diferente. A Igreja na Irlanda tem atravessado tempos difíceis. As pessoas foram profundamente feridas por membros da igreja; a fé do povo foi desafiada e a igreja de Jesus Cristo foi ferida”, assumiu o arcebispo de Dublin e Primaz da Irlanda, Diarmuid Martin.

O Papa, quase de seguida, no ato penitencial da missa, fez um forte pedido de perdão por essas feridas, que marcou a celebração.

Já na homilia, Francisco pediu coragem e capacidade de perdão às famílias, para que sejam imitação do amor do próprio Cristo, “aquele amor, o único que pode salvar o mundo da escravidão do pecado, do egoísmo, da ganância e da indiferença às necessidades dos menos afortunados”.

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Para o Papa, os desafios dos cristãos de hoje não são mais difíceis do que aqueles que enfrentaram os primeiros missionários irlandeses. “O seu extraordinário sucesso missionário não se baseara em métodos táticos ou planos estratégicos, mas numa humilde e libertadora docilidade às sugestões do Espírito Santo. Foi o seu testemunho diário de fidelidade a Cristo e entre eles que conquistou os corações que desejavam ardentemente uma palavra de graça e que contribuiu para fazer nascer a cultura europeia. Tal testemunho permanece uma fonte perene de renovação espiritual e missionária para o povo santo e fiel de Deus”, disse Francisco.

Assumindo que “naturalmente, haverá sempre pessoas que se oporão à Boa Nova”, o Papa pediu às famílias que não se deixem “influenciar ou desanimar pelo olhar gelado da indiferença ou pelos ventos borrascosos da hostilidade”, mas que reconheçam com humildade as dificuldades.

“Como permanece difícil perdoar àqueles que nos magoam. Que grande desafio continua a ser o acolhimento do migrante e do estrangeiro. Como é doloroso suportar a desilusão, a rejeição ou a traição. Como é incómodo proteger os direitos dos mais frágeis, dos nascituros ou dos mais idosos, que parecem estorvar o nosso sentido de liberdade. Mas é precisamente em tais circunstâncias que o Senhor nos pergunta: ‘Também vós quereis ir embora?’”, disse o Papa, referindo-se à pergunta que Jesus faz aos discípulos na leitura do Evangelho deste domingo.

“Com a força do Espírito que nos encoraja e com o Senhor sempre ao nosso lado, podemos responder: ‘Nós cremos e sabemos que Tu é que és o Santo de Deus’. Com os sacramentos do Batismo e da Confirmação, cada cristão é enviado para ser um missionário, um ‘discípulo missionário’”, continuou o Papa, que concluiu com um apelo para que todos – pais e avós, crianças e jovens, homens e mulheres, frades e freiras, contemplativos e missionários, diáconos e sacerdotes – partilhem “o Evangelho da família como alegria para o mundo”.


A jornalista da Renascença Aura Miguel acompanha o Papa Francisco na sua Viagem Apostólica à Irlanda com o apoio da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

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