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Papa pede perdão por todos os abusos cometidos na Irlanda

26 ago, 2018 - 15:17 • Aura Miguel , Eunice Lourenço

Na missa de encerramento do encontro Mundial das Famílias, Francisco fez a vontade às vítimas de abusos e incentivou o reencontro de mães e filhos que foram forçados a separar-se.

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Papa pede perdão por todos os abusos e "pelo silêncio"
Papa pede perdão por todos os abusos e "pelo silêncio"

O Papa Francisco pediu perdão por todos os abusos cometidos na Irlanda e pediu “força” para trabalhar para que nunca mais volte a acontecer. No ato penitencial da missa de encerramento do Encontro das Famílias, o Papa disse que, no sábado, se encontrou com oito vitimas de abusos e, tendo em conta essa conversa, avançou para quatro pedidos de perdão inseridos na própria missa.

Francisco começou por pedir perdão por todos os abusos. Na Irlanda há, sobretudo, dois grandes tipos de abusos: abusos sexuais por membros do clero e milhares de casos de mulheres solteiras que foram entregues a instituições, tiveram filhos e foram obrigadas a separar-se das crianças.

“Pedimos perdão pelos abusos na Irlanda. Abusos de poder e de consciência; abusos sexuais por parte de membros qualificados da igreja; de maneira especial pedimos perdão por todos os abusos cometidos em diversos tipos de instituições dirigidas por religiosos e religiosas e outros membros da Igreja e pedimos perdão pela exploração laboral a que foram submetidos tantos menores”, disse Francisco.

“Pedimos perdão pelas vezes em que, como Igreja, não demonstrámos compaixão pelos sobreviventes de qualquer tipo de abusos, nem procuramos a verdade e a justiça com ações concretas”, continuou.

“Pedimos perdão por alguns membros da hierarquia que não fizeram caso dessas situações dolorosas e guardaram silêncio”, prosseguiu o Papa, passando então a satisfazer um dos pedidos que lhe foram feitos no sábado no encontro com vitimas e sobreviventes de abusos: o apelo ao reencontro de mães e filhos forçadamente separados pelo sistema de orfanatos irlandeses dirigido por congregações religiosas, as chamadas Mother and Baby Homes.

“Pedimos perdão pelos filhos que foram afastados das suas mães e por todas as vezes em que foi dito às mães solteiras que tentavam procurar os filhos e aos filhos que procuravam as suas mães que era pecado mortal. Não é pecado mortal, é cumprir o quarto mandamento [honrar pai e mãe]”, deixou bem claro o Papa.

No encontro de sábado, as vítimas destas separações forçadas sublinharam que muitas mães continuavam convencidas de que não deveriam, em circunstância alguma, tentar reatar relações com os filhos. De acordo com dados de associações de vítimas, terão sido cerca de 100 mil as crianças forçadamente separadas de mães solteiras, muitas vezes também forçadas a trabalhar nas instituições.

O Papa terminou a oração a pedir força para que nunca mais qualquer destes abusos volte a acontecer. “O Senhor nos dê força para nos comprometermos a trabalhar para que nunca mais aconteça e para que se faça justiça”, concluiu.

Já de manhã, no santuário mariano de Knock, o Papa tinha feito referência ao encontro com as vítimas de abusos, dizendo que estas situações são “uma chaga aberta” na Igreja.



A jornalista da Renascença Aura Miguel acompanha o Papa Francisco na sua Viagem Apostólica à Irlanda com o apoio da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

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  • Lucas
    27 ago, 2018 Faro 16:27
    Julgados e condenados em Tribunal - prisâo perpetua, no minimo dos minimos. Agora um pormenor relativo às mães solteiras que parece faltar, quem as expulsou e as colocou nas instituições à força foram as proprias familias. Foi a ridicula maneira que utilizaram para "limpar" a imagem da familia. Agora, é ver essa mesma familia a exigir compensações pelo que aconteceu
  • fanã
    26 ago, 2018 aveiro 17:51
    Pedir perdão é o mínimo exigido . Mas tomar as devidas medidas em termos de sanções e anuncia-las era o que estas vitimas esperavam , mas mais uma vez assistimos a continuidade do "SILENCIO" , no Vaticano fica tudo fechado a sete chaves, Julgados e condenados em Tribunal com agravantes do cargo era o que deveria transparecer !