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Eurodeputado que pernoitou no Lifeline critica "criminalização" de migrantes pela UE

26 jun, 2018 - 14:35 • Vasco Gandra

João Pimenta Lopes passou a noite de domingo para segunda-feira a bordo do navio de resgate que esteve seis dias à espera de luz verde para atracar com 234 requerentes de asilo a bordo.

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Itália diz que Malta deve receber os 224 migrantes do navio “Lifeline” e acusa ONG de tráfico humano
Itália diz que Malta deve receber os 224 migrantes do navio “Lifeline” e acusa ONG de tráfico humano

João Pimenta Lopes passou a noite de domingo para segunda a bordo da embarcação Lifeline, que transporta 234 pessoas resgatadas no Mediterrâneo, incluindo 75 crianças, dois bebés e 14 mulheres, e que esteve seis dias em águas internacionais ao largo de Malta à espera de autorização para acostar.

Recém-chegado a Bruxelas, o eurodeputado português denunciou esta terça-feira aos jornalistas as "condições precárias" a bordo, onde os requerentes de asilo estão amontoados ao longo do convés de um navio que serve o propósito de resgate e não de transporte de passageiros.

"Caminhamos já para o sexto dia de uma embarcação com mais de 230 pessoas a bordo em condições que se estão a deteriorar devido à alteração do estado do mar", sublinhou.

Pouco depois da entrevista coletiva, os Governos de Itália e de Malta anunciaram que o navio humanitário da ONG alemã Lifeline vai atracar num porto maltês e que Roma vai acolher "uma parte" dos migrantes que seguem a bordo.

O caso não é inédito. Há duas semanas, o navio Aquarius fez manchetes na Europa após ter passado vários dias na rota central do Mediterrâneo à espera para poder acostar, depois de Itália e Malta se terem recusado a dar essa autorização. O navio acabaria por ser acolhido em Valência, Espanha.

No caso do Lifeline, denuncia João Pimenta Lopes, muitos dos migrantes que seguem a bordo "estão há mais de um ano" em fuga dos respetivos países, por causa da miséria e da guerra, tendo por isso condições para requerer asilo na União Europeia.

Como a maioria dos migrantes que arriscam as perigosas travessias do Mediterrâneo, refere o eurodeputado, também eles são peões "nesta guerra" entre Estados-membros que se recusam a assumir as suas responsabilidades no acolhimento das embarcações de resgate e salvamento.

Destacando as regras do direito marítimo internacional, que ditam que, "em situação de resgate, o porto de abrigo mais próximo deve aceitar o desembarque", João Pimenta Lopes lembra que estes regastes, por si só, são realizados em condições muito complicadas.

"Estas travessias são feitas em embarcações de borracha de grande dimensão e completamente apinhadas", destacou aos jornalistas em Bruxelas. "O Lifeline fez um resgate de duas embarcações completamente apinhadas depois de frustrados os contactos com as autoridades italianas, maltesas e líbias no sentido de procederem ao desembarque."

Na mesma entrevista, o eurodeputado comunista criticou o que considera ser uma "Europa fortaleza" que alimenta estas situações, bem como as políticas da UE que "criminalizam" os migrantes e refugiados.

Comentários
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  • S. Silva
    27 jun, 2018 Silves 20:18
    Que estranha xenofilia se apoderou da comunicação social!! O que realmente interessava era dizer porque é que nada se faz para acabar com a imigração ilegal. Temos nós que pagar o custo da integração de tantos imigrantes ilegais?? Ou acham que isto não vai ter consequências a longo prazo? Se a democracia fosse um bom regime político não teria fracassado na Grécia Antiga e não teria sido substituída por outros regimes políticos. É claro que eu prefiro viver numa democracia! O que eu quero dizer é que a democracia tenderá a desaparecer pois é um regime que aceita a sua própria destruição. Por exemplo, a democracia ao aceitar incluir qualquer tipo de ideologia política, aceita os próprios inimigos. Ora se esses inimigos se tornarem cada vez mais numerosos poderão mudar o próprio regime político e assim a democracia morre num processo de auto destruição. A democracia é como o próprio corpo humano, o corpo humano não tem armas para combater os tumores, a democracia não tem armas para combater os populistas e os anarquistas!
  • Qqq
    27 jun, 2018 Lisboa 09:53
    Tratemos da pobreza e guerra na origem e este problema não existirá. Acolher massas que não se irão assimilar nem em 200 anos é subscrever a destruição da Europa e não resolve o problema de base.
  • Fernando Machado
    26 jun, 2018 Porto 15:43
    O que eu não vejo é ninguém a tratar o gravíssimo e desumano assunto pela origem. Quem foram e continuam a ser os responsáveis ? O senhor eurodeputado, com a sua "benemérita" intervenção, apenas está a alinhar com os bandidos que forçaram as vítimas a abandonar a sua pátria. Fale neles pelos nomes, senhor eurodeputado.
  • Marco
    26 jun, 2018 Faro 15:37
    Que eu saiba miséria não dá direito a asilo. O problema destes barcos das NGOs é fazerem o que lhes dá na gana.. Li na Reuters que quer a marinha italiana quer a libia disseram ao ilfeline para não se meter que eles estavam a controlar mas mesmo assim o lifeline ignorou e meteu duzentas e tal pessoas num barco com capacidade para 50..... agora vamos lá fazer o papel de coitadinhos ... isto não pode ser assim!