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Patrício recorda agressões em Alcochete e estranha atitude de Bruno na véspera

01 jun, 2018 - 14:29

O guarda-redes conta, na carta de rescisão de contrato com o Sporting, que chegou a temer pela própria vida. Alega, ainda, que o presidente leonino antecipou o treino de quarta para terça-feira e que, ao contrário do que era costume em dias de treino, André Geraldes não se encontrava na Academia. Patrício também adianta que Gelson recebeu SMS a avisar do ataque.

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Rui Patrício recorda, na carta de rescisão unilateral de contrato com o Sporting, as agressões em Alcochete e estranha certas ocorrências e atitudes por parte do presidente do clube. Nomeadamente, o facto de Bruno de Carvalho ter querido, na véspera, assegurar que os jogadores disputariam a final da Taça de Portugal, "aconteça o que acontecer".

O guarda-redes revela que, numa reunião mantida na segunda-feira, 14 de maio, às 18h00, véspera do ataque, o plantel reuniu com o presidente, três membros da direção e o "team manager", André Geraldes. Bruno "teve com os jogadores uma conversa, toda ela, de teor estranho".

"O Presidente da Sporting clube de Portugal - Futebol SAD começou por perguntar se estavam todos bem, acrescentando: 'Aconteça o que acontecer estão preparados para jogar no fim de semana (final da taça)?'", conta Rui Patrício, que também garante que o líder leonino pediu aos jogadores para lhe ligarem ou a Geraldes se houvesse algum problema e que lhes garantiu que estava sempre ali para eles.

"Os jogadores consideraram o teor da conversa e a calma do Presidente da Sporting clube de Portugal - Futebol SAD, contrastando com o habitual nos últimos meses, muito estranha", refere o guarda-redes.

"Acresce que, nessa reunião, os jogadores foram surpreendidos com a antecipação do treino de quarta-feira para terça-feira. O Presidente da Sporting clube de Portugal - Futebol SAD terminou a reunião dizendo que estava tudo tranquilo: 'amanhã vão treinar à Academia e preparar bem o jogo para ganhar a Taça'", acrescenta Patrício, na missiva.

Terça-feira, 15 de maio de 2018 - o dia das agressões

Na descrição dos eventos, Rui Patrício começa por referir que os jogadores "acharam anormal que o Team Manager André Geraldes, que estava sempre na Academia em dias de treino, não estivesse presente".

O guarda-redes conta como os jogadores foram para ao ginásio enquanto Jorge Jesus preparava tudo para o treino de campo, que estava marcado para as 18h00. "Quanto acabaram o trabalho de ginásio, foram para o balneário para se equiparem e foi nessa altura que, de repente, começaram a entrar homens encapuçados para dentro do balneário, agredindo os jogadores, elementos da equipa técnica, funcionários e gritando expressões atemorizantes", recorda Patrício, que detalha que os indivíduos "barricaram os jogadores no balneário, impedindo-os de saírem e lançando tochas de fumo que dificultavam a visão".

"Entraram a perguntar por determinados jogadores em concreto: Acuña, Battaglia, William e por mim", lembra o guardião, que depois passa para um relato mais detalhado dos acontecimentos, com agressões a vários jogadores e elementos da equipa técnica, incluindo Jorge Jesus.

Rui Patrício revela que temeu pela vida e que ainda não conseguiu tirar as imagens do sucedido da cabeça: "A verdade, é que tememos todos pela nossa vida. A partir de determinada altura, o descontrolo era tal que senti que podia não sair dali com vida! Ainda hoje, acordo de noite, em sobressalto, com as imagens de horror que retive e que revejo e não consigo pensar em voltar àquele local. Temo mais que existem responsáveis do ataque de Alcochete que fugiram, e podem voltar a atacar-nos, até para nos intimidar nos nossos depoimentos".

A certeza do plantel e a estranheza de Rui Patrício

Patrício garante que o ataque em Alcochete foi premeditado e revela que, já terminada a invasão, Gelson Martins reparou que "tinha recebido uma mensagem de um adepto, seu conhecido e da claque, a avisar que os agressores estavam a chegar" para fazer estragos. "Não existiram quaisquer dúvidas, muito menos para os jogadores, que os agressores eram elementos da claque Juve Leo", acusa o internacional português.

Para Patrício, "é manifesto que o referido ataque na Academia não foi uma conduta isolada e imprevisível que pudesse escapar à capacidade de previsão dos dirigentes" do Sporting, "mas antes um acontecimento não só perfeitamente previsível de se verificar, como até sucessivamente provocado, tornando por isso mesmo ainda mais inaceitável a ausência de qualquer dispositivo de segurança". O guardião acusa a SAD leonina de não ter "agido da forma que lhe era exigida para evitar o sucedido e para garantir as condições de segurança dos jogadores".

"A verdade é que, factos 'estranhos' concorrem para criar, ainda, uma sensação de desconfiança relativamente ao sucedido e à atuação da Sporting clube de Portugal - Futebol SAD em todo o acontecimento. Com efeito, desde logo, é estranho que o treino tenha sido antecipado, e mais estranho, ainda, que o 'assalto' se tenha dado no exato momento em que os jogadores se encontravam no balneário, evitando, assim, a dispersão que aconteceria se estivessem em campo", insinua Rui Patrício.

O guardião elabora a estranheza: "Estranho também é que os assaltantes soubessem dirigir-se sem hesitações para os balneários da equipa principal, que muito pouca gente sabe onde ficam. Estranho, ainda, que os 'assaltantes' conseguissem percorrer uma distância tão grande sem que tivesse havido qualquer aviso a prevenir os jogadores do 'ataque'".

Patrício considera, ainda, "inusitado" que Jorge Jesus, "ao correr para os balneários para ajudar os jogadores", tenha encontrado o antigo presidente da Juve Leo, Fernando Mendes, "que ali se encontrava, sem qualquer justificação, de cara tapada" e que tenha dito que "aquilo não era para ser assim, que era só para assustarem os jogadores, mas que tudo se tinha descontrolado e que não podia fazer nada".

O guarda-redes e capitão do Sporting apelida, assim, de "conduta de negligência grosseira" o facto de a SAD leonina não ter sabido precaver-se para o ataque em questão e reforçar as condições de segurança. "Se é que não se vem a averiguar que até foi mais do que isso", atira.

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