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20 anos da Expo 98

Transformar o inferno num paraíso prometido

15 mai, 2018 - 08:10 • Dina Soares , Joana Bourgard

O limite oriental de Lisboa, junto ao rio Tejo, era a zona mais poluída da cidade. Os antigos terrenos industriais entraram num processo de degradação contínua ao longo das décadas de 1970 e 80. Sobrou o lixo e uma enorme quantidade de materiais tóxicos. Limpar os terrenos foi o primeiro passo para a construção da Expo 98. A Renascença recorda a Expo com 20 histórias da maior intervenção feita na cidade de Lisboa desde o terramoto de 1755.

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Eram os quatro cavaleiros do apocalipse em matéria ambiental. Uma refinaria, uma lixeira, um matadouro industrial e um depósito de material de guerra ocupavam grande parte dos terrenos onde iria ser construída a Expo 98. As instalações datavam, sobretudo, das décadas de 50 e 60 do século passado, quando não se usavam, ainda, tecnologias de proteção ambiental. Resultado: uma área de 50 hectares fortemente poluída em terra, no rio e no ar.

Miguel Castelão, engenheiro ambiental e responsável da Ambientar, uma empresa especializada em estudos e projetos ambientais, foi um dos responsáveis pelos projetos de requalificação daquela zona, uma zona remota e muito degradada onde só ia quem tinha mesmo que ir.

Quando chegou àquela zona, encontrou um pequeno inferno:. “Um problema de contaminação dos solos decorrente da presença do polo petrolífero. A degradação da qualidade da água em toda a frente de rio devido às descargas de esgotos sem qualquer tipo de tratamento. Resíduos diversos dispersos por toda a zona e níveis de ruído muito elevados e perturbadores.” Já para não falar dos níveis de poluição do ar, certamente nocivos para a saúde de quem ali vivia

Nem tudo ficou completamente limpo

A equipa encarregue de limpar toda aquela zona começou a ser constituída logo em 1993, quando Portugal conquistou a organização da exposição. Os projetos de descontaminação começaram a ser elaborados no ano seguinte. Uma equipa multidisciplinar de pouco mais de uma dezena de pessoas elaborou os estudos necessários e iniciou as intervenções. A partir de 1996, a equipa foi reforçada e as grandes obras de requalificação ambiental avançaram.

“Todos aqueles problemas não eram fáceis de resolver se não fosse uma intervenção como a da Expo, aproveitando a disponibilidade financeira decorrente da organização da exposição internacional para fazer esta requalificação”, reconhece Miguel Castelão.

Apesar de todos os meios financeiros e técnicos colocados à disposição desta equipa, transformar aquele inferno no paraíso prometido não era fácil, sobretudo porque o tempo era muito escasso. Alguns problemas foram reduzidos, mas continuam a existir, como contaremos amanhã.

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