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Eutanásia. Bispos não rejeitam referendo, mas apontam cuidados paliativos como prioridade

12 abr, 2018 - 16:14

No final dos trabalhos da assembleia plenária da CEP, D. Manuel Clemente alertou para o riscos do "efeito da ‘rampa deslizante’" que a legalização da eutanásia acarreta. "Abrindo essa porta, ela vai-se escancarar", adverte o cardeal patriarca.

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O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), D. Manuel Clemente, disse esta quinta-feira, em Fátima, que os bispos não fecham a porta à possibilidade de se referendar a eutanásia, mas defendeu que a prioridade, neste campo, deve ser dada aos cuidados paliativos.

"O referendo é uma possibilidade legal, mas há muita coisa a fazer antes disso e até em vez disso. Nós ainda nem sequer desenvolvemos convenientemente uma resposta cabal e capaz em relação aos famosos cuidados paliativos", declarou D. Manuel Clemente, no final dos trabalhos da assembleia plenária da CEP.

"Se nós temos tanto para fazer nesse campo, porque é que vamos, de alguma maneira, enviesar a resposta com uma não resposta, em que, efetivamente, não se elimina a dor, mas se elimina a vida?", questionou o também patriarca de Lisboa, reforçando: "A eutanásia não elimina a dor, elimina a vida."

D. Manuel Clemente considera que aquilo "que a Igreja espera é que nós reflitamos melhor sobre esta problemática e sejamos capazes, como sociedade organizada, ou seja, como Estado e com legislação, dar uma resposta capaz a este problema”. Por isso, defende um diálogo “sereno e humanizador” no debate sobre a legalização da eutanásia, reafirmando a sua posição de “defesa intransigente da vida humana”.

Insistindo em que não deve haver pressa nesta matéria, o cardeal Clemente lembrou exemplos de outros países, onde é evidente a existência de abusos: “Temos o exemplo de países que avançaram para a eutanásia, a principio para casos muito específicos, mas lá tivemos o efeito da ‘rampa deslizante’, e os casos estão aí, comprovadamente aí."

Para o presidente da CEP, "abrindo essa porta, ela vai-se escancarar", correndo-se o risco "de se poder criar uma situação de medo e desconfiança em relação às instituições de saúde".

"O que é que me vão fazer, se eu chego lá num estado debilitado? Isto não é uma hipótese, isto verifica-se já, por causa desse efeito dessa 'rampa deslizante', nalgumas sociedades e nalguns países.

D. Manuel Clemente criticou ainda as forças partidárias que levaram o tema ao Parlamento, sem nunca terem apresentado esta proposta ao eleitorado. “Ninguém debateu isto”, apontou.

O comunicado final da assembleia plenária da CEP recorda a posição assumida na sua nota pastoral de março de 2016 bem como a recente exortação apostólica ‘Alegrai-vos e exultai”, do Papa Francisco, na qual o pontífice declara que “a defesa do inocente nascituro deve ser clara, firme e apaixonada” e denuncia a “eutanásia encoberta de doentes e idosos privados de cuidados”.

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  • Anónimo
    13 abr, 2018 16:37
    João Lopes tem que aprender a usar um dicionário pois não faz ideia do que é a eutanásia.
  • João Lopes
    12 abr, 2018 Viseu 18:27
    A defesa da vida, em todas as circunstâncias, é a defesa da humanidade. Os promotores da cultura da morte − aborto e eutanásia − atentam contra a dignidade da pessoa humana: são os "bárbaros" e os "monstros" destes tempos… A eutanásia e o suicídio assistido são diferentes formas de matar. Os médicos e os enfermeiros existem para defender a vida humana e não para matar nem serem cúmplices do crime de outros...
  • fanã
    12 abr, 2018 aveiro 16:45
    Concordo perfeitamente Sr. Bispo !..........só que o nosso Governo de "somos todos Centeno", diz que não há gito, e que a prioridade é o equilíbrio Financeiro . Portanto podemos todos esperar assentados , a Saúde da População vale menos que um Banco que se tem de capitalizar, Ámen !