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Observatório defende "instrumentos adicionais" para se perceber criminalidade

03 abr, 2018 - 19:40

A criminalidade violenta e grave em Portugal diminuiu 8,7% em relação a 2016, tendo, em contrapartida, a criminalidade geral aumentado 3,3%.

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O Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo (OSCOT) defendeu esta terça-feira a existência de "instrumentos adicionais" ao Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) para se entender o fenómeno da criminalidade em Portugal.

"O RASI é um relatório de criminalidade participada. Tem que existir um conjunto de outros instrumentos complementares ao RASI para podermos fazer uma avaliação global da criminalidade efetiva, que é um pouco diferente da criminalidade participada", disse aos jornalistas o presidente do OSCOT, António Nunes.

Para o OSCOT, que organizou a conferência "O Terrorismo na Europa", "falta entender qual é o sentimento de segurança ou insegurança das populações", situação que não está espelhada no RASI.

O presidente do observatório avançou que é necessário existirem outros instrumentos adicionais ao RASI para se entender o fenómeno da criminalidade em Portugal.

"Portugal é um país seguro, queremos perceber se o sentimento de segurança das populações está refletido nesse relatório. O RASI é um repositório daquilo que é a atividade das forças e serviços de segurança, mas gostávamos de ter outros instrumentos" disse.

Segundo o RASI de 2017, divulgado na semana passada, a criminalidade violenta e grave em Portugal diminuiu 8,7% em relação a 2016, tendo, em contrapartida, a criminalidade geral aumentado 3,3%, devido sobretudo aos crimes de moeda falsa, incêndio florestal e burlas.

O presidente do OSCOT sublinhou que os números do RASI são bons, mas "é preciso dar algum tempo para a consolidação" destes dados.

O RASI alerta também para as movimentações da extrema-direita portuguesa em 2017, que intensificou os contactos com as principais tendências europeias e reforçaram a propaganda online e a realização de iniciativas com alguma visibilidade.

Sobre estes grupos de extrema-direita, António Nunes afirmou que "são normalmente residuais e temporários" e que não constituem uma preocupação para a segurança em Portugal.

Também sobre o terrorismo, o presidente do OSCOT disse que Portugal tem risco moderado, não se verificando no país qualquer célula constituída ou a existência de cidadãos com o fim de executar um atentado.

No entanto, chamou a atenção para os novos métodos ou metodologias utilizadas por 'lobos solitários', que podem executar um determinado tipo de atentado.

O RASI indica que a ameaça terrorista em Portugal é classificada como moderada, embora exista a possibilidade de o país ser utilizado como plataforma de trânsito ou apoio logístico para o recrutamento de jihadistas.

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