A+ / A-

Fixe este número: 9.176 vítimas. Violência doméstica, abusos e perseguição entre os principais crimes

27 mar, 2018 - 09:58

Relatório da APAV de 2017 diz que a maioria das vítimas era do sexo feminino, com idades entre os 25 e os 54 anos.
A+ / A-

A Associação de Apoio à Vítima (APAV) atendeu no ano passado 40.928 pessoas, um aumento de 19% entre 2015 e 2017, tendo identificado mais de nove mil vítimas, segundo dados divulgados pela organização.

Segundo o relatório anual, do total de atendimentos foram firmados 12.086 processos de apoio, onde foi possível identificar 9.176 vítimas e 21.161 crimes e outras formas de violência.

A APAV salienta que os crimes contra as pessoas apresentam-se com uma dimensão na ordem dos 95% face ao total de crimes registados, destacando-se os crimes de violência doméstica (75,7%).

Por tipo de crime, destacam-se os de violência sexual, nomeadamente o abuso sexual de crianças (175 crimes), o 'stalking'/perseguição (422) e o cibercrime (25).

"Nas restantes dimensões criminais, os destaques vão para os crimes patrimoniais - o crime de dano com 212 registos (1%) - e para as outras formas de violência - 'bullying' com 113 casos (0,5%)", é indicado no relatório.

Segundo a APAV, a maioria das vítimas eram do sexo feminino (82,5%) e tinham idades compreendidas entre os 25 e os 54 anos (38,9%).

Quanto ao estado civil, as vítimas eram sobretudo casadas (28,2%), solteiras (23,1%) enquanto 33,4% pertenciam a um tipo de família nuclear com filhos/as.

Em termos académicos e profissionais, o ensino superior apresentou-se como o grau de ensino mais referenciado (8,4%) e mais de 30% das vítimas encontravam-se profissionalmente ativas.

Quem são os agressores?

"Da análise efetuada aos dados da APAV é possível confirmar a existência de um número superior de autores de crime, face ao número de vítimas", é referido.

Assim, no ano passado, a associção registou um total de 9.481 autores/as de crime, sendo que destes/as, mais de 80% eram do sexo masculino e tinham idades compreendidas entre os 35 e os 54 anos (23,3%).

Segundo os dados recolhidos, cerca de 30% eram casados e possuíam uma ocupação profissional (32,1%), sendo que o tipo de vitimação continuada foi o mais registado em 2017, representando 75% dos casos.

No que diz respeito ao local do crime, a residência comum foi a mais referenciada, seguida da residência da vítima e o lugar/via pública.

Os dados apontam para diferentes tipos vítimas: 944 pessoas idosas, com mais de 65 anos (em média três por dia e 18 por semana), 810 crianças e jovens (duas por dia e 16 por semana), 5.036 mulheres adultas (14 por dia e 97 por semana) e 775 homens adultos (duas por dia e 15 por semana).

Os dados estatísticos dizem respeito aos processos de apoio desenvolvidos presencialmente, por telefone e 'online', no ano transato, pelos serviços de proximidade da APAV.


legislativas 2019 promosite
Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

  • Para refletir...
    27 mar, 2018 Almada 13:20
    Só há vitimas de violência doméstica, ou as outras vitimas são ignoradas? Só há vitimas de comportamentos errados do cidadão comum, ou as outras vitimas são ignoradas? A APAV vê tudo, ou só vê o que lhe interessa? Será que somos um país avançado, ou há muitas aparências?