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​Dois milhões de crianças sem acesso a educação no Iémen

27 mar, 2018 - 14:40

Educação é uma das vítimas colaterais da guerra no Iémen, alerta Unicef.
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Cerca de meio milhão de crianças abandonaram a escola desde a escalada do conflito no Iémen, em março de 2015, o que eleva para dois milhões o número total de crianças não escolarizadas, revela a Unicef.

Segundo um estudo publicado esta terça-feira pela agência das Nações Unidas para a infância, quase três quartos dos professores nas escolas públicas do Iémen não recebem salário há mais de um ano, o que coloca em grave perigo a educação de outras 4,5 milhões de crianças.

"Uma geração inteira de crianças no Iémen está confrontada com um futuro sombrio devido ao acesso limitado ou inexistente à educação", disse a representante da Unicef no Iémen, Meritxell Relano.

Segundo o estudo, mais de 2.500 escolas estão fora de serviço, dois terços das quais foram destruídas por ataques, 27% foram fechadas e 7% são usadas com fins militares ou como abrigo para deslocados.

A Unicef alerta também para os riscos que correm as crianças a caminho da escola devido aos combates.

A falta de acesso à educação empurrou as crianças e as famílias para alternativas perigosas, como o casamento precoce, o trabalho infantil e o recrutamento como combatentes.

Com efeito, a Unicef estima que pelo menos 2.419 crianças tenham sido recrutadas como combatentes desde março de 2015.

Segundo a agência, 78% dos iemenitas vivem na pobreza, 1,8 milhões de crianças com menos de cinco anos e 1,1 milhões de mulheres grávidas ou que amamentam sofrem de malnutrição aguda, ou seja um aumento de 128% desde o fim de 2014.

Segundo a ONU, 16 milhões de iemenitas, entre os quais quase 8,2 milhões de crianças, precisam de ajuda humanitária.

Desde 26 de março de 2015, uma coligação militar sob comando saudita intervém no Iémen para apoiar as forças do Governo internacionalmente reconhecido, contra os rebeldes huthis, que tomaram em 2014 o controlo de Sana e de outros setores do país.

O conflito fez cerca de 10.000 mortos e 53.000 feridos, dos quais muitos civis, e desencadeou uma catástrofe humanitária classificada como grave pelas Nações Unidas.


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