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Cáritas

Melhores salários e mais formação. A chave para quebrar a pobreza entre os jovens

27 fev, 2018 - 10:47

O presidente da Cáritas Portuguesa, Eugénio Fonseca, esteve na Manhã da Renascença para comentar o estudo segundo o qual quase 30% dos jovens estão em risco de pobreza.

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A Cáritas Portuguesa pede ao Governo que dê mais atenção ao mercado laboral, de modo a resolver o problema da pobreza, que ainda atinge muitos jovens portugueses.

Na Manhã da Renascença, Eugénio Fonseca, presidente da instituição, enumera as principais medidas a tomar.

  1. Uma “vigilância mais apertada” por parte do Estado “no sentido das condições de trabalho que são fornecidas aos jovens”
  2. Melhorar os salários. “É uma questão de distribuição de rendimentos. Porque se a lógica continua a ser mais produtividade para maior lucro e depois a distribuição do lucro produzido não tem expressão naquilo que é a distribuição por aqueles que produzem essa mesma riqueza, será difícil conseguirmos esses salários dignos”.
  3. Escolaridade. “A proposta é que haja investimento para uma maior atratividade dos jovens ao ensino formal e a condição de poder ter acesso à formação mesmo no sistema informal”.
  4. Salários proporcionais à escolaridade – “o tal investimento inicial”. Em Portugal, “há hoje jovens que têm que esconder as suas qualificações para poderem ter acesso ao mercado de trabalho”, ao mesmo tempo que a OCDE recomenda, para o país, “mais licenciados, mais doutorados”.
  5. Maior fiscalização dos recibos verdes, “outra área em que se abusa bastante”.

O presidente da Cáritas Portuguesa comentava assim o relatório que é divulgado esta terça-feira e que tem como título “Os jovens na Europa precisam de um futuro”.

Segundo o documento, “as políticas adotadas nos últimos 10 anos não conseguiram quebrar ciclos de pobreza geracional” e “os jovens são confrontados com situações de desemprego, empregos precários, contratos irregulares e baixos salários”, o que torna "muito difícil" um jovem conseguir suportar os custos de habitação.

A crise não passou

Eugénio Fonseca reconhece que “há um crescimento económico em Portugal” e “dados favoráveis, nomeadamente, ao nível do PIB”, mas sublinha que “a crise não passou e não passou para uma boa parte da população portuguesa, onde podemos situar os mais vulneráveis”, entre os quais “os jovens, mas também uma classe média e média/baixa – estas duas sobretudo – que ainda não estão a sentir no concreto os efeitos deste crescimento económico”.

A contribuir para a dificuldade em superar as dificuldades está a baixa natalidade. “Quando foi o tempo da crise, nós apontávamos as questões que eram na altura mais emergentes, mas no fundo a baixa da natalidade e o envelhecimento é um desafio enorme que temos que enfrentar”, admite o presidente da Cáritas.

“Se continuarmos com as condições que temos relativamente ao envelhecimento, vamos ter problemas de produtividade, de sustentabilidade dos sistemas de proteção social e de saúde, etc. e há que enfrentar tudo isso e não haver uma atitude de resignação, como muitas vezes parece”, alerta Eugénio Fonseca na Manhã da Renascença.

Comentários
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  • Ze Fala Barato
    27 fev, 2018 Oslo 23:33
    As diferencias salarias sao de tal modo gigantes que cabe um dinosauro pelo meio.A revolucao foi uma farsa que deveria ter mudado tudo mas que nao mudou quase nada.Vejamos um exemplo quem entra com salario de 1000euros (chamados de licenciados) quando forem aumentados passarao para quase 1200euros.Vejamos os restantes jovens(que nao tem pais ricos para estudarem ate ficarem carecas)entram com 580euros e se tudo correr bem quando forem aumentados vao ganhar 600euros.Ena 20 euros de aumento contra 200 de quem ja tinha salario muitissimo superior.Se algums conseguem pagar 500euros pela renda(porque tem emprego demasiado bem pago) nunca o mais pobre conseguira alugar um apartamento igual por 200euros.Eis o destinos ate ao dia em que as cartas vao ser baralhadas novamente....
  • Cidadao...
    27 fev, 2018 Viseu 17:11
    Mais, os actuais jovens empregados estao com dificuldade em construir o seu futuro, a sua familia, com os salarios minimos, com a fraca valorizacao das suas qualificacoes, o nulo reconhecimento do seu esforco e dedicacao, e mais, se este governo nem o funcionalismo publico satisfaz, com que autoridade de conhecimento pode falar da actividade empresarial privada, so se for com estatisticas., o que faz correntemente.
  • Maria Catarina Lopes
    27 fev, 2018 Porto 11:31
    Ora aí está o busílis da questão, mas entretanto o governo cacareja os bons ???? resultados , mas será que são bons ou será como o queijo da Dinamarca?

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