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Marcelo faz furor em São Tomé, com direito a um pezinho de dança

20 fev, 2018 - 15:39 • Eunice Lourenço , enviada especial a São Tomé e Príncipe

​“Marcelo, eu estou aqui só para te ver”, gritou a multidão para o Presidente português, que está a ser recebido em festa em S. Tomé e Príncipe, onde está em visita de Estado.

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São Tomé em festa. "Marcelo, cadê você, eu estou aqui só p
São Tomé em festa. "Marcelo, cadê você, eu estou aqui só p'ra te ver!"

Foi uma euforia coletiva quando Marcelo Rebelo de Sousa saiu da residência oficial do primeiro-ministro santomense.

As dezenas de crianças que o esperavam e tinha cantando “Marcelo cadê você, eu estou aqui só p'ra te ver”, gritaram como se tivesse chegado uma estrela da televisão ou do futebol.

E o Presidente português – que está numa visita de Estado de três dias a S. Tomé e Príncipe - mergulhou na multidão, levando com ele o primeiro-ministro anfitrião, Patrice Trovoada.

Logo à chegada à praça Yon Gato, no centro da capital, o Presidente português em vez de entrar na residência do primeiro-ministro levou-o com ele a cumprimentar as crianças que já se alinhavam de uniforme escolar, enquanto alguns grupos folclóricos e culturais iam ensaiando. Mas, depois, foram à reunião de trabalho e a multidão foi crescendo à volta da praça.

Quando regressaram foi, então, a euforia, com o Presidente a passar quase uma hora em beijinhos, fotografias e cumprimentos. E Marcelo – que, recorde-se, foi operado a uma hérnia há dois meses – até voltou a dançar como fez em Moçambique na sua primeira visita oficial como Presidente.

Parou em todos os grupos culturais que mostravam várias formas de dança e de cultura santomense. Dançou no penúltimo. E no último recebeu um quadro de um grupo muito especial: o grupo Anka, que dança em cadeira de rodas.

Foi, pois, um Marcelo na sua melhor forma que teve a sua primeira manhã de visita oficial, que começou com honras militares no Palácio do Povo, onde reuniu com o presidente de S. Tomé, Evaristo Carvalho. Mas também aí, depois das declarações oficiais, o Presidente português fez questão de ir conviver com quem estava na rua, entre o Palácio e a catedral, onde também quis entrar.

E, rodeado de crianças, aplaudiu um grupo tradicional todo composto por homens, mas com alguns vestidos de mulher. O que até motivou um momento caricato desta visita, com Marcelo Rebelo de Sousa a não se aperceber e a dar beijinhos a alguns homens.

“Já estava com saudades de África, isso é verdade. E já estava com saudades de S. Tomé e Príncipe”, reconheceu o Presidente em declarações aos jornalistas, antes de um almoço com organizações não-governamentais.

Marcelo recordou que veio várias vezes a este país ensinar e que estava aqui, em 1988, a dar formação a altos quadros da administração pública, das forças armadas e das forças de segurança quando aconteceu um “momento intenso da história politica de S. Tomé” e o aeroporto foi encerrado.

“Foi uma delicia para mim”, recordou Marcelo, que agora mata saudades. Ainda não sabe é se tem tempo para “matar saudades de um mergulho”.

Novo empréstimo e linha de crédito

A receção ao Presidente português parece, assim, ultrapassar algum mal-estar que ainda existisse depois de, na semana passada e em antecipação a esta visita, o primeiro-ministro santomense ter dado uma entrevista em que manifestava descontentamento com o actual estado da cooperação entre os dois países.

E o objetivo do Presidente e do Governo português parece mesmo ser um reforço das relações, com Marcelo a insistir num “novo patamar” da cooperação. O Presidente, em declarações aos jornalistas ao fim da manhã, rejeitou que tenha havido consequências políticas e diplomáticas do facto de Cavaco Silva nunca ter visitado S. Tomé como Presidente (a última visita tinha sido a de Jorge Sampaio em 2000).

Marcelo atribuiu, antes, algum enfraquecimento da cooperação à crise económica que Portugal viveu. “O papel social continuou o seu caminho, mas em matéria de funções de soberania não se foi tão longe quanto se esperava, nem na justiça, nem na administração interna, nem na defesa e, na parte empresarial houve muitas iniciativas, mas não enquadradas”, disse o Presidente, que fez questão de, ainda assim, deixar uma palavra ao anterior Governo.

“A crise e a saída da crise significaram de algum modo não se ir tão longe quanto seria desejável, mas devo prestar homenagem ao Governo português anterior porque alguns dos acordos celebrados foram já no começo da saída da crise, nomeadamente em 2015”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, que acredita que Portugal tem hoje condições para “ir mais longe”. E ao mesmo tempo, acrescentou, há um “entendimento reforçado em S. Tomé e Príncipe”.

O “ir mais longe” passa, entre outros aspetos, por uma nova linha de crédito, como anunciou o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, que também acompanha esta visita.

“Tivemos uma linha de credito no valor de 50 milhões de euros com S. Tomé que se foi realizado, mas num ritmo que dependeu mais da capacidade de apresentação de projetos por S. Tomé do que problemas em Portugal”, disse Santos Silva, em declarações aos jornalistas na representação portuguesa.

«Agora estamos a estudar um empréstimo direto estado a Estado, para o qual S. Tomé tem de apresentar garantias estatais e uma nova linha de crédito que está a ser discutida entre os dois ministérios das Finanças”, anunciou o ministro.

Santos Silva concluiu: “Cremos que chegaremos a um bom resultado que garanta taxas de juro muito favoráveis para S. Tomé e as garantias necessárias para que os projetos a financiar por essa linha de crédito possam ser realizados.”

Comentários
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  • 20 fev, 2018 17:20
    Oxala algum dia ele va a algum lado gostem tanto dele e nao o deixem regressar!