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Rio quer aumentar o investimento e descentralizar o Estado

18 fev, 2018 - 15:18 • Eunice Lourenço, Paula Caeiro Varela e João Carlos Malta

No discurso com que encerrou o Congresso do PSD, o novo líder elegeu a classe média como prioridade e falou de saúde, educação e segurança social.

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O caminho de Rui Rio. Descentralizar o Estado, investir na natalidade e apostar da saúde privada
O caminho de Rui Rio. Descentralizar o Estado, investir na natalidade e apostar da saúde privada

Portugal tem de ter um crescimento económico baseado no investimento e nas exportações que lhe permita ultrapassar a média de crescimento da União Europeia. Mas para que este crescimento chegue a todos é preciso mudar o “país irracionalmente concentrado” – este é o caminho indicado por Rui Rio no discurso com que encerrou o 37º Congresso do PSD, que terminou este domingo em Lisboa.

Um discurso com cerca de 50 minutos em que o novo líder se preocupou em falar para a classe média que “tem de ser o principal foco” da acção do PSD. Uma classe média que, disse, foi muito afectada pelo programa de ajustamento. “A nossa aposta tem de ser reforçar a qualidade e o nível de vida dos portugueses”, disse Rui Rio, num discurso em que falou de várias áreas de governação, como a economia e a reforma do Estado, mas com muita atenção a questões de saúde, educação e segurança social tão caros à classe média.

Rio começou pela questão demográfica, defendendo que é preciso “sistematizar” as razões pelas quais os casais não têm filhos e “tomar medidas drásticas”. Recorde-se que a questão da natalidade foi eleita por Passos Coelho como prioridade no penúltimo congresso, há quatro anos.

À questão da natalidade, Rio associou o combate à desertificação e o envelhecimento da população que, cada vez mais, coloca desafios às famílias, divididas entre a vida profissional e a vida familiar. O líder do PSD defende que é preciso apostar em “respostas mais humanas que valorizem a proximidade” e permitam aos idosos continuar inseridos na família e na comunidade.

E dos idosos para a sustentabilidade da segurança social, porque a evolução demográfica também obriga a olhar para a sustentabilidade do sistema. Rui Rio considera que a receita da taxa social única – que, disse, é altissima e dificulta a criação de emprego – já não é suficiente e é preciso procurar outros caminhos. “É imprescindível pensar globalmente no sistema. Esta reflexão tem de ser guiada pela dimensão humana, mas temos de atuar enquanto é tempo. É um imperativo moral e ético”, afirmou o novo líder do PSD.

Propostas na saúde

Aí, Rio começou por apontar os problemas: urgências caóticas, défice de investimento, atrasos nos serviços de emergência, tudo “exemplos de degradação a que o atual governo tem conduzido o serviço nacional de saúde”. Neste sector, Rio defende mais investimento, valorização dos cuidadores informais e dos cuidados hospitalares domiciliários, assim como o aumento da rede de cuidados integrados e rede de cuidados paliativos. Para o líder social-democrata é preciso garantir um serviço nacional de saúde de qualidade, que coabite com um sector privado também de qualidade e onde o lucro não pode ser visto como ilegítimo.

Foi também com críticas à atual maioria que Rio entrou no tema da educação, onde fiz ter havido um “retrocesso”, feito “ao abrigo de interesses corporativos” e ao sabor de “um experimentalismo pedagógico sem controlo”. Neste sector, defende uma profissionalização mais rigorosa dos professores e uma melhor organização da rede escolar.

Motor da economia não pode ser o consumo

Por fim, o modelo económico que, defende Rui Rio, “não pode assentar no consumo, nem público, nem privado”. “O motor do nosso crescimento tem ser exportações e investimento”, disse Rio, num momento do discurso em que teve de para porque se embrulhou numa das frases (o congresso compreendeu e aplaudiu, num gesto solidário).

“O atual governo não tem condições para levar a cabo políticas que conduzam ao crescimento económico”, prosseguiu o líder social-democrata, para quem o atual crescimento da economia portuguesa “é filho da conjuntura internacional”. Rio também alerta para a excessiva dependência do turismo.

Será, então, no investimento e nas exportações, que Portugal deve apostar para chegar à meta de Rio: passar de um crescimento económico que atualmente é 77 por cento da média europeia para os 101 por cento. Mas, continuou, esse crescimento não valerá de anda se não for bem distribuído pelo território nacional. “Temos de trocar a visão paroquial pela dimensão nacional que o Estado nos impõe. Portugal tem de ser todo o seu território”, continuou, passando então para a descentralização e a reforma do Estado.

“Será que todos os institutos públicos têm de ter a sua sede na capital?”, perguntou Rui Rio, questionando também se o Tribunal Constitucional ou a provedoria da justiça não podem, por exemplo, ir para Coimbra.

Com uma “administração central despesista e muitas vezes descontrolada” é preciso “arrumar a casa para melhorar o grau de competência”, defendeu o presidente do PSD, que terminou o discurso manifestando a natural intenção de ganhar eleições.

Comentários
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  • DR XICO
    19 fev, 2018 LISBOA 09:31
    Afinal o homem é muito fraquinho, cedeu a tudo que Santana lhe exigiu até parece que quem ganhou as eleições no PSD foi Santana Lopes, aquilo agora parece a geringonça é só tachos e poleiros. Andava este tipo Rui Rio há tantos anos a preparar-se para fazer uma figurinha daquelas no congresso ESTÁS LÁ ATÉ ÁS ELEIÇÕES
  • PJ
    18 fev, 2018 Snt 21:31
    Vamos ver se este Rio, não começará a fazer espuma de poluição...
  • mogadouro
    18 fev, 2018 lax 19:22
    a mesma conversa de sempre sr. E preciso nao esquecer o passado recente ,e da miseria que foi imposta por o ultimo governo (se assim se pode chamar)das vossas cores.com todo o respeito que merece por comandos camararios nao estara o sr. longe da realidade N ACIONAL OU SERAO SO INTERESSES PESSOAIS na cartada
  • 18 fev, 2018 aldeia 18:17
    Ficas até ás eleições!....................
  • classe media?
    18 fev, 2018 lx 15:49
    Mas quem é que a destruiu?...Bem pode queixar-se ao seu antigo líder que agora ainda o elogia e agradece pelo trabalho prestado! Contradições conjunturais? Mas quem assim o faz, não pode ser levado a serio!...de atentados à inteligência, estamos todos fartos!
  • Falacioso
    18 fev, 2018 lx 15:45
    Discurso falacioso, dando a entender que todos os males, por exemplo na saúde e educação, estão nas actuais politicas do actual governo e esquecendo que, em 4 anos, estes sectores foram os mais atacados e desinvestidos, levando à emigração de milhares de enfermeiros, médicos e professores! Mistura isto, com outras matérias que estão a ser implementadas pelo actual governo, como por exemplo a ligação das universidades às empresas. Portanto nada de novo tem a apresentar! Senão como justifica todos os valores positivos que a economia portuguesa está a atravessar? Baralha tudo numa sopinha de pedra para servir às mentes mais esquecidas! Rio, esquece-se ou está de má fé, não sabendo ou querendo ignorar que, para se destruir bastam minutos, mas para se construir ou reconstruir poderá levar anos!...os portugueses devem ter muita cautela com certas afirmações que não passam de cantos de sereia, deturpando os assuntos, para tentarem chegar rapidamente ao poder, coisa com que o PSD não sabe viver, se não o tiver!