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Falta água e comida para os animais. Próximo ano agrícola em risco

14 out, 2017 - 10:04 • Olímpia Mairos

Produtores de gado transmontano temem não conseguir alimentar os animais devido à seca extrema em Trás-os-Montes.

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Os produtores de leite do Planalto Mirandês estão apreensivos com as consequências da seca severa no sector. Temem uma redução em cerca de um terço da actual produção que se situa nos 45 mil litros por dia.

“Em quase todos os locais de pastoreio não há água nem alimento e a produção vai ficar reduzida em cerca de um terço”, revela o presidente da Associação de Produtores de Leite do Planalto Mirandês (APLPM), João Henriques.

O produtor retrata um cenário dramático, referindo que “há ribeiros que nunca tinham secado, mas que hoje não correm”, e que os poços “estão muito aquém das suas capacidades e os lençóis freáticos começam a secar”.

Para colmatar a falta de alimento, os agricultores estão a comprar palha e armazenar para o inverno.

A situação “é muito preocupante” e “se, não chover bastante a partir da segunda quinzena de outubro, o próximo ano agrícola está comprometido, no que respeita à produção de forragens e cereais”, adianta o produtor.

“Não podemos avançar para as sementeiras, porque não se consegue mexer nas terras, estão secas, estão duras”, lamenta João Henriques.

A produção de leite e cereal é uma das principais fontes de riqueza do território do Nordeste Transmontano.

A APLPM abrange os concelhos de Mogadouro, Miranda do Douro e Vimioso.

Recurso a charcos de água pode originar grave praga parasitária para os animais

A seca também está a preocupar os produtores de ovinos de Raça Churra Mirandesa que temem que a falta de água possa conduzir à escassez de alimento e colocar em causa algumas explorações agrícolas.

“As condições de pastoreio começam a ser drásticas devido à escassez de alimento e à falta de água para os animais beberem”, refere a secretária técnica da Associação Nacional de Criadores Ovinos de Raça Churra Mirandesa, Andrea Cortinhas.

Apesar de se tratar de uma raça autóctone, que se sabe “adaptar às condições do clima do território e fazer frente a estas adversidades, a falta de água pode provocar doenças aos animais”.

Para colmatar a escassez de água nos riachos e ribeiras, os agricultores são obrigados a recorrer a charcos. E, “com a recolha de água estagnada, corremos de o risco de acarretar com uma grave praga parasitária para os animais”, alerta Andrea Cortinhas.

Segundo a técnica, há pastores que “estão a vender os animais mais velhos, para evitar que morram” e a recorrer à compra de alimento para o gado noutros locais, principalmente na vizinha Espanha.

Nos concelhos de Miranda do Douro, Mogadouro e Vimioso, verifica-se já um decréscimo do efectivo dos animais inscritos no Livro Genealógico, que tem por fim assegurar a pureza da raça, concorrer para o seu progresso genético e favorecer a criação e difusão de bons reprodutores.

“Receio que continuemos com este decréscimo, acentuado do efectivo, até a situação estar normalizada”, conclui a secretária técnica da Associação Nacional de Criadores Ovinos de Raça Churra Mirandesa.

Mais de 80% de Portugal continental encontrava-se, em Setembro, em seca severa, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera, caracterizando-o de mês “extremamente quente”. Neste período, o total de precipitação acumulado foi de 621,8 milímetros (70% do normal), sendo o 9º valor mais baixo desde 1931.

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  • Bela
    14 out, 2017 Coimbra 15:44
    Uma boa ocasião para os 'fanáticos' de certas causas darem uma ajuda para aliviar os esfomeados.
  • Loid
    14 out, 2017 Roma 12:51
    Mas a agricultura de Portugal está na idade medieval? Já ninguém no mundo desenvolvido depende da chuva. Só em África. É preciso ter condutas de água e regar.
  • Maria
    14 out, 2017 Porto 12:03
    Madonna está "aborrecida" com o nosso País. Ninguém a chamou para cá, digo eu. Se se for embora, é menos uma pessoa a comer, sobra mais para outros.... desculpem a comparação.