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Bloco à procura do caminho para as autárquicas

18 set, 2017 - 10:45 • Eunice Lourenço

Partido mudou estratégia de escolha de candidatos e tem esperanças em dois municípios. Mas o objectivo é, sobretudo, conquistar mais lugares de vereadores.

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É o terceiro partido parlamentar, necessário à maioria de esquerda que sustenta o Governo, tem 19 deputados, ultrapassou os dois dígitos de votação em 2015 (10,1%), mas, no que toca a eleições autárquicas, o Bloco de Esquerda não conta para as contas. E quer passar a contar. Por isso, mudou de estratégia e espera este ano começar a colher frutos.

Esperanças em conquistar câmaras são poucas. Talvez Salvaterra de Magos, o único município que já liderou e que perdeu em 2013. Nas últimas autárquicas, o BE teve 2,4% nas eleições para as câmaras, conseguindo apenas oito vereadores no total nacional. E nas assembleias municipais teve 3,15% e uma centena de eleitos. Bem abaixo do que foi conseguido por grupos de cidadãos eleitores, tal como aconteceu com o CDS.

Fruto das suas próprias características de partido urbano e com pouca implantação territorial, com voto muito concentrado, o Bloco tem tido dificuldade em afirmar-se nas autarquias. Mesmo em Lisboa, onde concentra boa parte da sua votação, já conseguiu eleger vereadores, mas perdeu-os. Primeiro, porque José Sá Fernandes rompeu com o Bloco, em 2008; depois, porque em 2013 não conseguiu sequer eleger um vereador.

Nos últimos anos, ao que foi explicado à Renascença, o Bloco tem vindo a tentar ter mais presença no território e também que os seus candidatos sejam figuras com ligação ao município a que se candidatam.

Em Torres Novas, fizeram a experiência. Helena Pinto dedicou-se a construir uma candidatura autárquica naquele concelho. Há quatro anos, foi eleita vereadora e, agora, espera crescer.

A estratégia em Lisboa também, pela primeira vez, rompe com o que vinha sendo tradição no Bloco, que era colocar figuras nacionais do partido a liderar a lista à câmara. Miguel Portas, Luís Fazenda e João Semedo foram protagonistas sem grandes frutos. Em 2013, Semedo não conseguiu sequer a eleição de um vereador.

Este ano, a escolha recaiu em Ricardo Robles, deputado municipal do partido, presença constante nas reuniões da Assembleia Municipal. Robles é alguém que, segundo quem anda no terreno, começa a ser reconhecido e tem, sobretudo, a vantagem de os eleitores saberem que votam nele para ficar na câmara e não para exercer outros cargos.

Para trás, ficou a hipótese de a lista a Lisboa ser liderada por Mariana Mortágua, bastante mais reconhecida a nível nacional, mas que tinha vários inconvenientes: parecia que era a solução do Bloco para tudo (para ser estrela no Parlamento, para negociar orçamentos, para ser candidata à capital), como se não houvesse outros protagonistas; e, ao protagonizar uma candidatura a Lisboa, poderia extremar posições em relação ao PS ao mesmo tempo que estaria a negociar o Orçamento do Estado para 2018. Além disso, os eleitores saberiam que não estavam a votar em Mariana Mortágua para vereadora, pois essa não seria a sua principal ocupação.

Já no Porto, o Bloco teve um revés. Primeiro, João Semedo avançou como candidato, mas, devido a problemas de saúde, teve de recuar, trocando de lugar com João Teixeira Lopes.

Ser parte da solução para governar

As duas principais cidades são, sem dúvida, apostas do Bloco para ganhar votos e recuperar lugares, mas sempre longe de sonhar com alguma vitória.

Os objectivos do BE nestas eleições passam por conseguir ser nalgumas cidades aquilo que é no país: parte da solução para governar. Ou seja, alcançar lugares de vereação necessários à formação de maiorias. Isso é tão assumido que, no debate na Renascença entre os candidatos a Lisboa, Ricardo Robles foi o único a assumir disponibilidade para uma “gerigonça” à lisboeta.

A aposta em mais votos e mais mandatos tem levado a líder bloquista, Catarina Martins, a percorrer o país em pré-campanha. O interior, onde o Bloco espera crescer em votos, ficou para Julho e Agosto e início de Setembro. Também já este mês, a líder do Bloco foi aos Açores e à Madeira, onde faz parte da coligação de Paulo Cafôfo, presidente da Câmara do Funchal.

No período oficial de campanha, o Bloco concentra esforços no litoral, nos locais onde já elegeu e quer voltar a eleger ou quando tem esperança de eleição.

Santarém, Leiria, Setúbal, Aveiro Braga e Algarve são as apostas, além de Lisboa e Porto, distritos onde Catarina Martins vai duas vezes durante a campanha. A líder bloquista reserva também os dois últimos dias para os próprios concelhos de Lisboa e Porto.

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  • Augusto
    19 set, 2017 Lisboa 00:25
    Escrever que o BE concentra em Lisboa boa parte do seu eleitorado, é uma afirmação errada, no Distrito de Lisboa o BE teve 125.000 votos , no total do País 550.000 votos .