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“Missão Aqui e Agora” leva estudantes a ajudar vítimas de incêndios

24 jul, 2017 - 09:53 • Ângela Roque

Têm entre 18 e 30 anos e vão colaborar com os Médicos do Mundo, que coordenam a ajuda humanitária em Castanheira de Pêra. São voluntários que saem do seu conforto para dar um bocadinho das férias e ajudar.

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Dezenas de jovens de colégios, centros universitários e campos de férias ligados aos jesuítas chegam a Castanheira de Pêra, um dos concelhos mais afectados pelos incêndios de Junho. A “Missão Aqui e Agora” começa esta segunda-feira e prolonga-se até 6 de Agosto. Para ajudar no que fizer mais falta.

São entre 50 a 60 e vão estar esta semana e na próxima em Castanheira de Pêra. Têm todos entre 18 e 30 anos, e vão colaborar directamente com os Médicos do Mundo, que coordenam a ajuda humanitária naquele concelho.

Francisca Onofre, assistente social e técnica de educação especial, é uma das dinamizadoras da missão. Em entrevista à Renascença conta como surgiu a iniciativa, o que vão fazer e o que mais falta faz no terreno. E como esta é uma missão solidária, em que a dimensão espiritual não será esquecida.

Como é que surgiu a ideia de fazer esta missão?

Quando houve os incêndios comecei a ficar inquieta, a pensar o que é que se podia fazer. Era preciso ajudar e criar oportunidades de voluntariado organizado. Acabei por ir falar com os jesuítas, ligados ao Centro Universitário Pedre António Vieira, e gostaram da ideia. Depois mais tarde descobri que havia um estudante ligado ao Cupav que também estava a pensar organizar uma missão do género, então juntámo-nos a pensar como é que havíamos de fazer, e fomos falar com as equipas que já estão lá no terreno.

Porque é que escolheram fazer missão em Castanheira de Pêra?

Ali à volta todos os concelhos onde houve incêndios precisam de ajuda. Mas a equipa dos Médicos do Mundo, que está em Castanheira de Pêra, foi a primeira que contactámos, e tinham trabalho para nós. Mostrámos a nossa maneira de querer funcionar, com uma parte espiritual, uma parte de visitas, uma parte de trabalho mais logístico, e de estarmos ao dispor de tudo, e eles mostraram-se desde logo muito entusiasmados. Por isso, não foi escolher um concelho, foi com base neste primeiro impacto. Sabendo, claro, que os outros sítios também precisam, mas acho que nestas alturas não podemos querer chegar a todos ao mesmo tempo, porque então não chegamos a nada.

Quem é que vai participar?

É uma missão dirigida principalmente a universitários e a pessoas que começaram a trabalhar há pouco tempo, por isso era dos 20 aos 30, sendo que acabou por flexível e vamos levar algumas pessoas com 18, que já são universitários, e outras mais velhas que os 30, que também mostraram muito interesse em ir connosco.

Pedrógão, um mês depois. Sobreviver depois de perder quase tudo
Pedrógão, um mês depois. Sobreviver depois de perder quase tudo

São todos ligados a movimentos dos jesuítas, ou a iniciativa foi aberta a quem quisesse participar?

Foi aberta a quem quisesse, embora mais dirigida a pessoas ligadas aos jesuítas. Mas vão pessoas de outros lados.

Quantos se inscreveram?

Ao todo vamos cerca de 50, 60. Alguns vão fazer as duas semanas. A primeira semana tem menos vagas, porque em Castanheira de Pêra já estão outros voluntários, da EDP e dos salesianos, por exemplo, então ficou um grupo mais pequeno. Na segunda semana, como já começa Agosto começa a ser mais difícil haver voluntários, e então aí somos um grupo de 30, 33, porque é preciso mais ajuda.

Essas necessidades foram avaliadas no terreno? A Francisca esteve em Castanheira de Pêra, o que é que encontrou?

Para começar encontrei uma equipa espectacular, desde os voluntários e o espírito que lá se vive, ao espírito dos Médicos do Mundo, como fomos acolhidos por eles. São eles que estão a coordenar os voluntários, por isso todos os que chegam a Castanheira de Pêra vão ter com eles, inscrevem-se, e eles dão trabalho. Daí ter ido lá para conhecê-los. E foi com eles que fomos vendo as necessidades que havia.

E o que é que vão fazer? Quais são as necessidades maiores?

Vamos fazer trabalho de logística, desde estarmos nós a receber os voluntários que vão chegando, porque todos os dias chegam pessoas por iniciativa própria. Há um pavilhão, um armazém, que está cheio de bens que foram sendo doados e têm de ser organizado. É preciso ver onde é que há necessidades, para não ser um dar desorganizado. Depois há uma equipa dos salesianos que se vai embora e que tem estado a ajudar nas hortas, a limpar jardins, a entregar sementes e árvores que algumas empresas e particulares deram às pessoas de lá. Por isso, será muito esse o trabalho que vamos fazer, uma continuidade do deles. Será uma maneira de chegar às pessoas.

Mas, fazer companhia também faz parte da missão?

Sim. Vamos estar lá para o que quiserem, é muito isto. Estar em missão é estar aberto ao que vem, e o que vem é bom, por isso acho que todos os que vão têm de estar muito dispostos a isto, a fazer o que se gosta muito e o que se gosta menos, o que importa é fazer o essencial.

Esta é uma missão de solidariedade, mas também tem um cariz espiritual?

Vamos ter tempos de oração de comunidade, vamos estar muito abertos a rezar com as pessoas quando estas mostrarem desejo de o fazer. Uma missão católica passa muito pela maneira de estar, com esperança, com uma alegria que não é excessiva, é uma alegria de ser, uma maneira de estar, de ouvir.

Quando foi a Castanheira avaliar as necessidades sentiu que os voluntários são bem-vindos?

Sim, são, mas temos que entrar em biquinhos dos pés. Não invadir. Há pessoas que neste momento não querem estranhos perto delas. Temos de ir com calma, porque cada pessoa tem o seu tempo nestas situações.

Que expectativas tem para esta missão?

Eu acho que estão altíssimas! Fiz algumas missões quando era mais nova, como universitária, e agora sinto que é um bocadinho voltar a estar no terreno e perceber que não há idade. Se há tempo, se há vontade, e se há necessidade, acima de tudo, então é estar aberto e ir. É estar assim ao dispor, sair do conforto e dar um bocadinho das minhas férias. E também de criar esta oportunidade aos que levamos de poderem sentir isso: o bom que é estar ao serviço e estarmos atentos às necessidades.

Queria pedir que as pessoas rezassem pela nossa missão. Quem não reza que pense de coração na nossa missão. Quando vamos para estes sítios é bom termos uma rectaguarda a rezar e a estar connosco de outra maneira, que também nos dá força.


O voluntariado missionário vai ser um dos destaques do espaço que às segundas-feiras, depois das 12h15, a Renascença dedica aos temas sociais e relacionados com a vida da Igreja.

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