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Vítimas de Pedrógão pedem que investigadores sejam “guerreiros incansáveis” da verdade

01 ago, 2017 - 17:40 • Eunice Lourenço

Famílias que estão a criar associação foram recebidas pelo Presidente da República e deixaram apelos à transparência no uso de fundos solidários e preocupações com crianças e idosos.

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Vítimas de Pedrogão apelam pela "justiça que as vítimas merecem"
Vítimas de Pedrogão apelam pela "justiça que as vítimas merecem"

Foi com um forte e emotivo apelo ao apuramento de toda a verdade sobre o que se passou no incêndio de Pedrógão em que morreram 64 pessoas que um grupo de famílias de vítimas saiu esta terça-feira à tarde do Palácio de Belém. Depois de mais de duas horas de reunião com o Presidente da República, a porta-voz das famílias que se tentam constituir como associação foi Nádia Piazza, mãe de uma das crianças que morreu.

Nádia Piazza, com a voz bastante embargada, fez um apelo “àqueles que podem fazer história e que estão no terreno a investigar”. E enumerou: “Aos magistrados, aos inspectores da Polícia Judiciária, aos investigadores e cientistas da comissão técnica independente e aos investigadores do centro de estudo florestais, que sejam independes e imparciais, guerreiros incansáveis contra quaisquer dificuldades ou forças contrárias ao apuramento da verdade.”

Antes deste, fez um outro apelo em que também manifestou receio por relatórios que não esclareçam o que aconteceu e as responsabilidades do Estado. Apelou aos familiares das vítimas mortais que ainda não contactaram este grupo que tenta formar a associação e também aos feridos e seus familiares. “Juntos somos fortes, separados a nossa voz será esquecida e com ela os nossos entes falecidos, superada por uma versão institucional dos factos, fundamentada por um qualquer relatório dúbio”, disse numa declaração sem direito a perguntas.

Este grupo de famílias está a tentar constituir-se como associação e tenciona promover uma lei. “Manifestamos a nossa intenção em motivar um ante-projecto de lei em matéria de direito das vítimas em caso de catástrofes com a criação imediata de uma associação de vítimas ao coberto da lei, com apoio jurídico associado, a criação de uma unidade de missão independente desde a primeira hora responsável por agilizar e coordenar todas as questões burocráticas, logísticas e de ressarcimento dos danos materiais e pessoais”, anunciou.

Transparência para os fundos

Na declaração com menos de cinco minutos, Nádia Piazza começou por dizer que tinham ido falar com o Presidente da República sobre as responsabilidades do Estado e as razões estruturais que levaram a esta catástrofe.

“É ao Presidente da Republica, o Presidente de todos nós, último garante da Constituição da República e do Estado de direito que manifestamos a nossa mais sentida revolta pela morte de tantas pessoas e é no Presidente da República que manifestamos a nossa mais firme confiança na garantia da obtenção da justiça que todas e cada uma das vítimas merecem”, disse a porta-voz das famílias, que chamou a atenção para o regresso das crianças à escola e com o cada vez maior isolamento dos idosos.

Nádia Piazza agradeceu a ajuda de todas as pessoas pela solidariedade manifestada depois da tragédia, mas manifestou preocupação pela “ausência de mecanismos de transparência internacionalmente reconhecidos na aplicação de fundos”.

A terminar, a porta-voz das famílias deixou um apelo a todos: “Portugal é um estado de direito, ás vezes esquece-se de como foi viver nos tempos em que buscar a justiça era sinónimo de oposição. Não é. Esta luta é de todos: cidadãos, Presidência, Assembleia da República, Governo e Judiciária.”

Comentários
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  • FR
    01 ago, 2017 Portugal 20:44
    Transparência não é com os portugueses. É a última coisa que muitos desejam.
  • Por favor
    01 ago, 2017 port 20:28
    Deixem-se de suspeições! O pior que pode acontecer é colocar os carros à frente dos bois e como usual, começarem a fazer justiça na praça publica! Tudo leva o seu tempo e só o tempo pode resolver as situações complexas!
  • é tudo bonito
    01 ago, 2017 lx 20:23
    Mas passando o tempo, daqui a alguns anos, se tudo não for feito de acordo com as regras, regulamentos e leis existentes, as culpas são atiradas para quem agilizou e fugiu às regras! Tem sido assim, infelizmente, repito infelizmente, e os culpados passam a ser aqueles que agilizaram! O que estamos a assistir é à parte sentimental das pessoas, com toda a razão, porque sofreram a tragédia, mas com a hipocrisia que faz parte do ADN de muitos portugueses, o querer agilizar, pode mais tarde, sair caro! Já se confunde responsabilidades de quem ficou com a gestão das contribuições e doações dos portugueses, com responsabilidades do governo! Há que separar o trigo do joio com cabeça fria e não com o sentimentalismo a quente! As associações civicas são úteis, só que devem ser enquadradas no Estado de Direito e não "adhoc" precisamente para se evitarem bodes expiatórios!
  • lv
    01 ago, 2017 lx 20:19
    A Nádia Piazza não tem uma parceria com a empresária de Lisboa?!
  • Joan semana
    01 ago, 2017 Porto 19:56
    Estão a falar das instituições que receberam os fundos que toda a gente deu. Misericórdias, bancos, tudo e mais alguma coisa. O dinheiro nunca mais o vão ver, porque metade fica pelo caminho nas mãos de alguém e a outra metade vão ser migalhas para reconstruir casas e coisas assim. Mas parece-me que esta gente é um bocado ingénua e queriam o dinheirinho vivo que os portugueses deram para a mão e isso nunca lho darão..Desenganem-se.
  • arouto
    01 ago, 2017 almeirim 19:00
    Ainda a procissão vai na coxia !
  • juzze do vale
    01 ago, 2017 Porto 18:19
    Respeito a posição desta senhora e pela dor sofrida. mas por favor não caia na tentação de ser instrumentalizada....nem servir de cavalo de tróia para um conjunto de políticos oportunistas...
  • JP
    01 ago, 2017 Olhão 18:05
    Mais um truque da imprensa portuguesa. Os lesados de Pedrogão estão a falar do governo ou das chamadas instituições de solidariedade? Era bom que a notícia esclarecesse.
  • Cidadao
    01 ago, 2017 Viseu 17:57
    Olha a surpresa! Começa com a rolha e acaba em.........

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