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Advogada das vítimas da Cova da Moura: acusação dos 18 agentes da PSP é "decisão histórica"

11 jul, 2017 - 16:31

Para a advogada de defesa dos jovens, esta acusação é "histórica porque admite a existência de racismo e de xenofobia numa actuação policial", que foi "criminosa".

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A advogada de defesa dos jovens envolvidos no incidente na Cova da Moura classificou como "decisão histórica" a acusação de 18 polícias pelo Ministério Público, porque "admite a existência de racismo e de xenofobia numa actuação policial".

Os agentes da PSP foram acusados pelo Ministério Público (MP) de denúncia caluniosa, injúria, ofensa à integridade física e falsidade de testemunho, num caso que remonta a 2015 e envolveu agressões a jovens do bairro da Cova da Moura, na Amadora.

Segundo informação disponibilizada esta terça-feira no site da Procuradoria-geral Distrital de Lisboa, os agentes estão igualmente acusados de outros "tratamentos cruéis e degradantes ou desumanos e sequestro agravado" e falsificação de documento.

Para a advogada de defesa dos jovens, Lúcia Gomes, esta acusação é "uma decisão muito importante, uma decisão histórica porque admite a existência de racismo e de xenofobia numa actuação policial, que foi uma actuação criminosa".

Luísa Gomes adiantou à agência Lusa que a actuação destes agentes da esquadra de Alfragide, que supervisiona a Cova da Moura, foi alvo nos últimos dois anos de "um processo muito minucioso e muito criterioso de investigação".

"Este despacho de acusação reflecte precisamente isso" ao "desconstruir toda a narrativa que foi elaborada no sentido de atemorizar as vítimas", disse a advogada.

Estes agentes "tentaram por todos os meios uma caracterização que replicasse os estereótipos que existem sobre os habitantes do bairro da Cova da Moura e quis torná-los em criminosos", explicou.

Para Lúcia Gomes, a acusação é "muito clara na desconstrução toda que faz, quer dos autos de notícia que foram fabricados, quer dos depoimentos dos próprios agentes no tribunal, que foram depoimentos falsos".

Por outro lado, "demostra muito bem todas as atrocidades que foram cometidas contra estes seis jovens da Cova da Moura".

"Estes jovens são pessoas perfeitamente integradas na sociedade, que trabalham, pessoas que têm um contributo absolutamente valioso não só na comunidade como na sociedade em geral", disse a advogada.

Lúcia Gomes disse ainda esperar que esta decisão sirva de exemplo e contribua para evitar mais comportamentos deste tipo.

Apesar de destacar a importância da investigação, de apurar responsáveis e verificar o que se passou, o "mais importante" para Lúcia Gomes "é garantir que estas situações não se repetem: isso é que é absolutamente fundamental".

"As pessoas na Cova da Moura são gente e têm direitos e não é porque vivem ali que qualquer autoridade pode abusar do poder em função da vulnerabilidade ou da raça", frisou.

Segundo a acusação do MP, os agentes da PSP, em Fevereiro de 2015, "fizeram constar de documentos factos que não correspondiam à verdade, praticaram actos e proferiram expressões que ofenderam o corpo e a honra dos ofendidos, prestaram declarações que igualmente não correspondiam à verdade e privaram-nos da liberdade".

Os arguidos encontram-se sujeitos a termo de identidade e residência.

Comentários
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  • Margarida
    11 jul, 2017 Lisboa 19:00
    Já era altura do MP perceber que há esquadras onde batem nas pessoas e não são só contra negros também o fazem contra brancos. Os arguidos chegam ao tribunal todos feridos e ninguém vê
  • verdade
    11 jul, 2017 aveiro 18:40
    Coitadinhos dos inocentes. Há quem goste de defender a poeira. Porque será que é chamada a autoridade ao local.
  • mendes
    11 jul, 2017 braga 17:09
    este pais caiu na desgraca os policias sao presos os gatunos os curruptos os violadores os pedofilos sao condecorados os advogados em vez de defenderem a moral e a lei defendem quem mais lhes paga os politicos em vez de olharem para o bem do pais so se preocupam com o poder tiram a forca as forcas da ordem e depois choram quando se assaltam esquadras e quarteis juro que se eu fosse policia em vez de actuar escodia me do perigo