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Francisco Sarsfield Cabral
Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
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Escândalos bancários

25 mai, 2017 • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral


A banca, um sector outrora considerado próspero e sólido, começou a cair com o caso BPN.

Ao fim de seis anos, foi ontem lida a sentença de primeira instância sobre o caso BPN. Seguem-se os recursos, ou seja, mais alguns anos.

O BPN saiu caríssimo aos contribuintes portugueses (cerca de 7 mil milhões de euros, calcula-se). Em 2008 foi nacionalizado pelo então ministro das Finanças, Teixeira dos Santos.

Na altura concordei com a decisão e entretanto não mudei de ideias. Não sendo um grande banco, o BPN tinha mais de 200 agências espalhadas pelo país. O seu colapso poderia gerar um perigoso pânico, com uma corrida ao levantamento de depósitos neste e noutros bancos. Teixeira dos Santos não quis correr esse risco e fez bem. Hoje é fácil criticá-lo, pois é como fazer prognósticos no fim do jogo.

Depois da nacionalização passou muito tempo e os prejuízos do BPN cresceram. O processo de venda do banco iniciou-se em 2009, mas só em 2011 e à terceira tentativa o BPN foi vendido ao BIC por um preço simbólico (40 milhões de euros). Mas uma avaliação séria da decisão de o nacionalizar tem que tomar em conta as circunstâncias do momento em que ela foi tomada.

Infelizmente, o BPN não foi o único escândalo bancário em Portugal. Recordem-se os casos do BPN, do BCP (que esteve perto de ser destruído por uma luta pelo poder, com interferências políticas), do Banif, da Caixa Geral de Depósitos (com os seus prejuízos e a decorrente necessidade de ser recapitalizado várias vezes com dinheiro dos contribuintes) e sobretudo do terramoto que foi e ainda é o fim do BES e do grupo familiar a ele ligado.

Não surpreende, assim, que quase todos os bancos comerciais que hoje operam em Portugal sejam comandados por capital estrangeiro – o que, aliás, julgo constituir a razão decisiva para manter o Estado como único dono da CGD.

Comentários
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  • João Galhardo
    25 mai, 2017 Lisboa 23:22
    Venho aqui manifestar a minha preocupação por, mais uma vez, um dos meus comentários ter sido censurado da caixa de comentários de Francisco Sarsfield Cabral. Isto aconteceu na opinião com o título «Decepção na Grécia». Não sei qual foi a ideia em censurar um comentário que ia contra a ordem de comentários publicada (todas a favor do autor destas crónicas). Devo chamar a atenção a Sarsfield Cabral que o debate democrático foi conquistado em 25 de Abril de 1974. Não se esqueça disso. Vivemos 48 anos afastados da democracia e do debate por uma mentalidade igual àquela que o senhor defende aqui. Por favor, não volte atrás no tempo. Deixe o debate existir. Censurar comentários, como ontem fez aqui, prova muito do seu desespero e, ao mesmo tempo, arrogância e admitir que existe uma opinião contra si (muito forte) e que o quer fora da comunicação social, o mais depressa possível.
  • JP
    25 mai, 2017 Lisboa 22:02
    Será que todos os responsáveis nas falcatruas no BPN e que ganharam com o negócio foram desmascarado e trazidos à barra do tribunal. Não me parece.
  • António Costa
    25 mai, 2017 Cacém 19:31
    O dinheiro não tem religião, nem cor politica. Muito recentemente na Arábia Saudita vimos isso mesmo com Donald Trump. Os bancos "vivem" do movimento do dinheiro e das "comissões" que cobram. Os bancos, penso que nem são mais, nem menos "sólidos" do que "eram". A titulo de exemplo, temos a grande crise económica a seguir a 1929. Os negócios em que o BPN esteve envolvido? Penso é do conhecimento geral, de que foi alegado de que esteva envolvido em "grandes negócios internacionais".... E de que como de costume, quem se "l__a" é sempre o mexilhão.
  • Indignada
    25 mai, 2017 Fig Foz 15:45
    Pois é..., esqueceu-se que a mentalidade subjacente às desonestas falências bancárias, é a mesma que está subjacente às criminosas descolonizações e nacionalizações, bem como às bancarrotas e democrático endividamentos. A ganância por um lado e a incompetência e compadrio por outro, levam a cometerem-se loucuras económico-financeiras cujas consequências são assumidas pelo povo (que numa atitude estupidificante, ainda apoia os democratas que colaboram nisto!) e os responsáveis, arranjam esquemas para se safarem, pois estão concubinados com os corruptos políticos. Algum democrata já foi julgado, condenado e preso pelos crimes cometidos, a começar pela criminosa descolonização?
  • Justus
    25 mai, 2017 Espinho 12:24
    Sarsfield Cabral, quando não lhe convém, esquece o essencial. Fala, escreve, mas não diz nada. Porque não escreve que é preciso que se saiba para onde foi o dinheiro que faltou no BPN? Falar nas medidas que o governo teve que tomar é apenas e tão só pretender acusar uns e ilibar outros, é o jogo do empurra que ele sabe jogar muito bem. Porque não escreve que o BPN era o Banco do PSD, criado por militantes e simpatizantes deste partido para encher os bolsos, com empréstimos duvidosos, a amigos e correlegionários? Onde está o dinheiro que faltou ao BPN? Evidentemente nas mãos desta gente. Quem não se lembra do caso Cavaco Silva que ganhou milhares de euros através da compra e venda de acções cujo preço era feito pelo seu amigo Oliveira e Costa? Para estes ganhos e para os ganhos de muitos empresários ligados a este partido tivemos nós, portugueses, de pagar tudo muito bem pago. Fale disto, S. Sarsfield, das razões do descalabro do BPN e não venha com histórias para enganar e distrair. Os portugueses foram roubados e os ladrões andam por aí.