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Um livro para “subir à montanha e ver a paisagem da Igreja em Portugal"

10 mai, 2017 - 22:57 • Ângela Roque

Chama-se ‘Portugal Católico – a beleza na diversidade’, e os autores quiseram tê-lo pronto a tempo da visita do Papa a Fátima. Francisco irá receber um exemplar único desta obra, que faz o retrato do catolicismo português, e que irá ficar na biblioteca do Vaticano.

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Esta é uma obra que teve inspiração em França. “Em 2015, foi publicado o livro ‘La France Catholique’, com a radiografia do catolicismo francês na contemporaneidade. Uma obra ilustrada, com textos sintéticos e que mostrava todo um dinamismo emergente de dinâmicas inovadoras”, explica à Renascença José Eduardo Franco.

“Fiquei encantado, e pensei que seria possível fazer algo semelhante também em Portugal. E que seria interessante fazê-la para oferecer ao Papa”, sublinha o historiador do Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, que avançou com o projecto em colaboração com o director do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, José Carlos Seabra Pereira.

A obra teve, assim, como horizonte temporal a visita de Francisco a Fátima, e acabou por ser muito mais abrangente do que a edição original francesa de 200 páginas: “esta tem 14 capítulos, como as obras de misericórdia, num total de 800 páginas. Inicialmente o plano era mais modesto, mas houve muita adesão dos autores que colaboraram”. E foram muitos: “190, dos mais diferentes quadrantes e especialidades, e das mais diferentes gerações, da casa dos 20 aos 90 anos, e que produziram mais de 200 textos, intercalados com fotos (aéreas e terrestres) e gravuras”.

Muitos autores estão ligados à Igreja, mas “também tivemos olhares de fora, como do judaísmo e do islamismo que nos ajudam a compreender a importância do catolicismo em Portugal”.

O livro, que tem prefácio do presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, um prelúdio do cardeal-patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, e um limiar do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, contou com a participação de várias figuras da cultura, da ciência e da sociedade portuguesa, como Eduardo Lourenço, Leonor Xavier, Guilherme d’Oliveira Martins, Manuela Silva, Adriano Moreira, José Mattoso, Rui Vieira Nery, João César das Neves, Carlos Fiolhais, Artur Santos Silva e Daniel Serrão.

“Muitas vezes temos uma visão muito paroquial e paroquializada do catolicismo” e “mesmo os católicos não fazem ideia da riqueza e das dinâmicas tão diversas que a Igreja em Portugal tem, do empenho e das diferentes iniciativas que existem”, diz José Eduardo Franco, para quem esta obra “vai permitir que subamos à montanha e possamos ver a paisagem católica de uma forma global e abrangente”.

O projecto recebeu vários apoios “da Conferência Episcopal Portuguesa, da Misericórdia do Porto e da União das Misericórdias, da Fundação Gulbenkian, todos perceberam a relevância desta obra, porque assim se faria uma espécie de enciclopédia do catolicismo português”. A ideia é agora alargar o projecto: “Vamos fazer uma obra em sete volumes sobre o Portugal religioso.

Começamos com este, mas depois daremos também atenção a outras dinâmicas religiosas que existem no país”.

O livro foi concluído num tempo record “em menos de 9 meses”, a tempo da visita do Papa, mas para já está apenas pronto o exemplar único que será entregue a Francisco em data ainda a marcar: “é um exemplar único especialíssimo, expressão do melhor que se faz em termos editoriais em Portugal, feito à mão, trabalhado, e que vai ser entregue ao Papa para ser depositado na biblioteca do Vaticano”, conta à Renascença José Eduardo Franco. A data para a entrega ainda não foi definida.

A obra ‘Portugal Católico – A beleza na diversidade’ deverá chegar ao público em geral em Novembro de 2017, numa edição do Círculo de Leitores. “Será uma edição especial e de prestígio, para sair antes do Natal”. Na Páscoa de 2018 haverá uma edição corrente: “o conteúdo será o mesmo, mas terá outra apresentação e mais acessível, para atingir um público maior”. José Eduardo Franco adianta, ainda, que “haverá também uma versão infanto-juvenil, para os mais jovens, e usaremos também alguma tecnologia inovadora de realidade aumentada onde poderemos, usando aplicações de telemóveis, aceder a conteúdos a partir da obra, que poderão complementar as informações que estarão no próprio livro”.

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