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Ministro desafia sector da saúde a atrair Agência Europeia do Medicamento

02 mai, 2017 - 14:13

A sede da Agência Europeia do Medicamento, actualmente em Londres, terá se ser relocalizada, com base numa decisão que será tomada em Dezembro, em consequência do Brexit.

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O ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, defendeu, esta terça-feira, em Sintra, que a candidatura portuguesa para receber a Agência Europeia do Medicamento "não é apenas uma acção de natureza política" e que precisa de envolver todo o sector empresarial e académico.

"Neste momento, nós estamos numa luta, que é uma luta intensa, e em que todos os contributos são importantes, não é apenas uma acção de natureza política. É importante que a Europa perceba que Portugal é um país hoje competitivo do ponto de vista da inteligência, do ponto de vista da inovação, do ponto de vista industrial", afirmou Campos Fernandes.

O governante, que falava após inaugurar uma nova linha de produção de medicamentos estéreis liofilizados da Sofarimex, do grupo Azevedos, acrescentou que, na sequência da candidatura apresentada pelo primeiro-ministro em Bruxelas, "o Governo tem que se aliar com os diferentes ‘stakeholders' empresariais, socioprofissionais, [e] com as universidades".

A sede da Agência Europeia do Medicamento terá se ser relocalizada, com base numa decisão que será tomada em Dezembro, em consequência da saída do Reino Unido da União Europeia.

O ministro salientou, após visitar a nova linha de produção de medicamentos, que a saúde "é também a criação de valor, é também o dinamismo da economia" e reconheceu o papel do grupo farmacêutico enquanto principal exportador e proprietário da mais fábrica portuguesa.

"Somos um país com elevado nível de independência industrial, não estamos comprometidos com nenhuma das grandes multinacionais que estão no sector", notou Adalberto Campos Fernandes, embora admitindo "uma luta muito dura" para conseguir a instalação da sede da EMA (European Medecines Agency), que supervisiona a segurança dos medicamentos no espaço europeu.

O ministro reconheceu que "a austeridade estrangula a criatividade e estrangula o crescimento", mas argumentou que o executivo está "a fazer o caminho inverso e a procurar que o país com segurança, com rigor, com equilíbrio, veja cada vez mais pelas costas os tempos difíceis" mais recentes, para que "a economia crie emprego".

A nova linha de produção de medicamentos estéreis liofilizados da Sofarimex, empresa do grupo Azevedos, instalada no Alto de Colaride, em Agualva-Cacém, representou um investimento de cerca de nove milhões de euros, criou cerca de 30 novos postos de trabalho e possui uma capacidade de produção de 12 milhões de unidades por ano.

"Em Portugal todos passámos períodos particularmente difíceis, ainda não saímos, ainda estamos com dificuldades, e houve uma retracção muito grande a nível de mercado de medicamentos, originado pelas políticas de contenção na saúde", afirmou, por seu lado, Thebar Miranda.

O presidente executivo do grupo Azevedos explicou que a crise "afectou a capacidade de gerar recursos próprios para investir", mas a empresa prevê aumentar a capacidade de produção através de mais investimento.

A unidade da Sofarimex, que emprega cerca de 200 trabalhadores, possui uma carteira de mais de 650 produtos, com uma capacidade de produção superior a 90 milhões de unidades por ano, da qual cerca de 75% para exportação.

Segundo Thebar Miranda, a unidade tem capacidade para, com uma ampliação que já está a ser projectada, "produzir sensivelmente duas vezes e meio" mais da produção actual.

Um aumento de produção que será possível principalmente através da instalação de equipamento mais produtivo, com um aumento de cerca de 30% dos atuais postos de trabalho.

O vereador da Solidariedade e Inovação Social na Câmara de Sintra, Eduardo Quinta Nova (PS), assegurou que o município está disponível para apoiar as empresas que apostam na criação de emprego, nomeadamente a ampliação da capacidade produtiva da Sofarimex.

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