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D. Manuel Clemente

Patriarca. Reconhecimento do milagre é "um grande sinal que Deus nos dá"

23 mar, 2017 - 16:21 • Pedro Mesquita

O cardeal patriarca de Lisboa desvaloriza a questão de Fátima vir a ser o local escolhido pelo Papa para formalizar a canonização. "O mais importante está feito", diz D. Manuel.

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D. Manuel Clemente feliz com a notícia da aprovação pelo Papa do milagre dos pastorinhos (na integra) - 23/03/17
D. Manuel Clemente feliz com a notícia da aprovação pelo Papa do milagre dos pastorinhos (na integra) - 23/03/17

O cardeal patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, encara a canonização dos videntes Jacinta e Francisco como "um sinal de Deus" de que o que aconteceu com os pastorinhos de Fátima "é importante, é vinculativo" para todos.

O milagre aprovado esta quinta-feira pelo Papa e que abre em definitivo o caminho à canonização de Francisco e Jacinta foi a cura de uma criança brasileira em 2013, disse à Lusa a postuladora da causa, Ângela Coelho. “Não posso dizer mais nada. O novo regulamento da Causa de Todos os Santos refere explicitamente que o autor da causa (bispo de Leiria-Fátima, António Marto] e a sua postuladora não podem dar pormenores sobre a cura. Envolve uma criança brasileira”, disse.

Confessando-se "muito feliz", o patriarca desvaloriza, contudo, a questão de a canonização poder vir a ser realizada em Fátima, a 13 de Maio, porque "eles [os pastroinhos] já estão connosco" e, assim, "o mais importante está feito".

Como encara esta notícia?

Eu fico muito feliz, como ficam certamente todos os portugueses e como ficam felizes todos os católicos do mundo, porque o milagre aprovado é tomado como um grande sinal que Deus nos dá de que o que aconteceu com estas crianças - e a maneira como elas aderiram ao que lhes foi dito - é importante, é vinculativo. Para elas, para todos nós. E é [um grande sinal] de como aquela verdade que Jesus acentua no Evangelho, de que nós temos de ter este coração de crianças para aceder ao mundo de Deus, entrar no reino dos Céus, é mesmo assim.

Efectivamente, todos os testemunhos coevos da Jacinta, do Francisco, do pouco tempo que eles ainda cá estiveram neste mundo a seguir às aparições, os marcou profundamente e fez deles duas crianças muito muito empenhadas no bem de todos e em que ninguém se perdesse e que o mundo fosse mais segundo Deus, para evitar guerras, para haver paz. Como isto, naquelas crianças, foi tão importante, foi tão determinante, e é importante e determinante também para todos nós.

Se Ele nos dá este sinal, com este milagre aprovado, então, pois ponhamos os olhos onde Deus nos quer, no bem de todos e na entrega das nossas vidas, pelo bem de todos e de cada um e, sobretudo, daquelas que mais precisam da nossa presença, da nossa intercessão.

Não se sabe ainda qual é a data da canonização, mas sabe-se que o Papa vem cá em Maio. Como vê a hipótese de a canonização ocorrer durante a vinda do Papa?

Tanto quanto sei, do caminho que estas canonizações levam, uma vez aprovado o milagre, creio que o caminho está aberto, mas compete ao Santo Padre decidir quando, mas enfim... Eles já estão connosco. A Jacinta e o Francisco, a sua vida já é também, de certo modo, a nossa, e o mais importante está feito.

Seja como for, haja ou não a canonização a 13 de Maio, o centenário de Fátima fica já marcado pela notícia, pelo menos...

Sim, sobretudo por esta afirmação e insistência na importância que têm estas crianças, com a candura própria da sua idade e com a entrega àquilo que lhes foi proposto pelo Céu, como eles o entenderam. Tudo isto é importante para que o nosso mundo seja assim também. Mais um mundo de filhos e de irmãos.

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