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"Copos e mulheres"? Portugal pede afastamento de presidente do Eurogrupo

21 mar, 2017 - 21:30

O ministro dos Negócios Estrangeiros considerou as declarações de Djisselbloem sobre os países do Sul que gastam dinheiro "em álcool e mulheres" "muito infelizes" e, "do ponto de vista português, absolutamente inaceitáveis".

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O ministro dos Negócios Estrangeiros português, Augusto Santos Silva, pediu esta terça-feira em Washington o afastamento do presidente do Eurogrupo, que disse que os países do Sul não podem "gastar o dinheiro todo em álcool e em mulheres".

"Hoje, no Parlamento Europeu, muita gente entende que o presidente do Eurogrupo não tem condições para permanecer à frente do Eurogrupo e o governo português partilha dessa opinião", disse o ministro.

Numa entrevista ao jornal alemão "Frankfurter Allgemeine Zeitung", publicada no domingo, Jeroen Djisselbloem afirmou: "Como social-democrata, considero a solidariedade um valor extremamente importante. Mas também temos obrigações. Não se pode gastar todo o dinheiro em mulheres e álcool e, depois, pedir ajuda".

Augusto Santos Silva considerou que estas "são declarações muito infelizes e, do ponto de vista português, absolutamente inaceitáveis".

"Há, por um lado, o aspecto de uma graçola que usa termos que hoje já não são concebíveis, essa ideia de gente que anda a gastar dinheiro com vinho e mulheres é uma forma de expressão que, com toda a certeza, não é própria de um ministro das Finanças europeu", disse o ministro, acrescentando que não era esse aspecto, no entanto, que mais o preocupa.

"Pelos vistos, o presidente do Eurogrupo continua passados estes anos todos sem compreender o que verdadeiramente se passou. O que se passou com países como Portugal, Espanha ou Irlanda não foi termos gasto dinheiro a mais. O que aconteceu foi que nós, como outros países vulneráveis, sofremos os efeitos negativos da maior crise mundial desde os tempos da grande depressão e as consequências da Europa e a sua união económica e monetária não estar suficientemente habilitada com os instrumentos que nos permitissem responder a todos aos choques que enfrentamos", explicou.

Para o chefe da diplomacia nacional, "está manifesto que o senhor Djisselbloem não tem nenhumas condições para permanecer a frente do Eurogrupo".

"Quem pensa assim, pensa erradamente e infelizmente o presidente do Eurogrupo já nos habituou demasiado a ver erradamente as coisas e a ver menos do que devia, ou mesmo desvalorizar, o esforço que os países estão a fazer", acrescentou.

Santos Silva disse ainda que no caso português o ajustamento que foi feito "foi à custa de muitos sacrifícios que o povo sofreu com uma resiliência e resistência absolutamente assinaláveis".

"Devemos valorizar o esforço dos países que conseguiram ultrapassar a crise e não estar a desprezá-los. Com toda a franqueza, é uma coisa que não fica bem a ninguém", concluiu o ministro português.

Comentários
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  • J.p
    22 mar, 2017 Porto 16:46
    Então, pelos vistos o problema não está em cometer o pecado, mas na forma como este é cometido...Dinheiro mal gasto, sempre houve continua a haver… Então, caro Srº Ministro dê o nome aos “ bois”, e não tome a parte pelo todo...Pois, coitado do pobre Português, que mal ganha para comer quanto mais para gastar em mulheres e vinho… Diga lá Srº Ministro, o “Nome” desses senhores que desfalcaram o País...Diga lá Srº Ministro, que é necessário, apertar a malha da corrupção e punir os culpados… Diga lá Srº Ministro, que é essencial, criar novas leis a nível Europeu para combater a fraude e a evasão fiscal... Não é para isso que aí está!!! E não ofenda, o pobre Português, que como o fado diz, nasceu malfadado por ter nascido pobre..
  • ao teatro dos xuxas
    22 mar, 2017 lx 12:34
    Deves ser um dos encenadores que montaram o péssimo teatro a que assistimos durante 4 anos e meio pelo teu líder e pela sua partenaire financeira, como subservientes deste holandês e do Herr Schauble! Era o teatro em que não havia alternativas! O Miguel de Vasconcelos dos anos 1640, não faria melhor!...
  • João Seixas
    22 mar, 2017 Portimão 12:19
    Ora então vejamos: ●Temos um ex primeiro ministro investigado por suspeitas de corrupção e mais uns quantos crimes relacionados com dinheiro. ● temos uns quantos bancos engasgados, que fizeram desaparecer alguns milhares de milhões de euros dos contribuintes ● banqueiros vigaristas ● mega empresas de energia e comunicações, nas quais os CEOs e os acionistas gordos levam chorudos dividendos, mas quando chega a hora de pagar impostos, arranjam estratagemas para deixarem de pagar milhões... ● poderia continuar até esgotar o número de carateres disponíveis para esta intervenção, que só estaria a arranhar a ponta do iceberg... Conclusão: Os Srs políticos não têm o direito de se sentirem injuriados com as afirmações do Sr Djisselbloem, uma vez que foram eles que legislaram e criaram as condições favoráveis á existência desses conhecidos chicos espertos que comem o país às talhadas e são também os recetores dessa dita solidariedade. Nós os burros, só pagamos...
  • Jp
    22 mar, 2017 Porto 11:54
    Resposta ao Srº Há sempre um parvo! 22 mar, 2017 dequalquerparte 10:23 Olá bom dia, concordo em absoluto consigo, tem toda a razão no seu comentário. Permita-me só acrescentar...E então, a corrupção neste País... De banqueiros sem escrúpulos que "gastaram" o dinheiro dos outros, e do dinheiro desviado para os ditos paraísos fiscais....Talvez para esses "senhores" virem num dia a gasta-lo em mulheres e em copos...
  • Há sempre um parvo!
    22 mar, 2017 dequalquerlado 11:20
    Pois é oh vitor, estes é que os podem defender, e não só, para estradas e campos de futebol e tantas coisas supérfluas, como o dinheiro vindo da união europeia empregue a companhias estrangeiras para os muitos projetos para que as nossas cá rebentassem. Ah, e para que os subsídios servissem para se deixar de produzir e para dar interesses aos estrangeiros e a chineses. A rita moura não consegue enxergar isto, coitadinha, deve sofrer de cataratas...
  • zita
    22 mar, 2017 lisboa 10:25
    Já diziam as minhas avós, " o bom julgador por si se julga", por mim acrescia que a droga tem destes efeitos.
  • Há sempre um parvo!
    22 mar, 2017 dequalquerparte 10:23
    Eu diria o teatro dos idiotas. Há sempre um parvalhão defendido por outro mais parvalhão. Mas qual virgem ofendida qual carapuça?! Então um povo subjugado à austeridade, com famílias que cada vez mais têm perdido a sua dignidade, por salários congelados, salários baixos que não dão dignidade de vida a ninguém, desemprego, a moeda única que tem retirado mais poder de compra, em função dos aumentos em muitos produtos em que já se paga o dobro ou o triplo em relação ao escudo, Um povo condenado à pobreza, por uma economia fraca, sem poder de competição e desigual,pela globalização e pela fraca produtividade, um país que deixou de produzir para importar e se tornar dependente, porque se está numa união europeia governada por idiotas, que parece mais a lei da selva e mais, mais, mais... E é porque é o dinheiro dos outros para viver à tripa fora??? Oh pá tem vergonha do teu comentário. O pior de tudo é enquanto um povo é humilhado e subjugado por estrangeiros e sem autonomia, ainda há parvos que falam e se entretêm a apontar culpas a partidos e a defender quem nos faz de vitimas. Todos eles são culpados, isto não se trata de partidos a ou b, trata-se de um país de rastos, sem trabalhos, com salários precários. sem dignidade, mas por culpa dos politicos incompetentes, corruptos e que têm entregado este país a estrangeiros para que palhaços sem caráter como este nos venha dizer que andamos a gastar o dinheiro em copos e mulheres. Pronto a RR já não vai publicar o meu comentário.
  • JULIO
    22 mar, 2017 vila verde 10:04
    O bloco de esterco que diz não pagar a divida e muitos rendimentos para gastar , é o mais ofendido mas para essa gente que ele fala
  • Rita Moura
    22 mar, 2017 Lisboa 10:00
    Repudiar quem nos emprestou dinheiro e nos ajudou? NÃO SENHOR! Repudiemos é os politicos portugueses que com soberba fantasiosa de se julgarem de um dia para o outro, gestores de pessoas e finanças, em vez dos meros escroques, amoladores de facas e vendedores de banha da cobra, que eram de profissão à algumas décadas.. rebentaram com o país. Estes sim, gastaram em mulheres e álcool... e muito mais. Estes sim deviam ser alvo de repudio publico e judicial e criminal. Não quem nos emprestou dinheiro para comer e apenas constatou um facto. Já os nossos politicos, que andam a plagiar e a pagar para terem doutoramentos em matérias imprestável e abstratas como "politicas e etc" deviam ter algum cuidado antes de falar em mestrados alheios...bem como os que tiraram a licenciatura ao DOMINGO, ou os que julgam que um MBA é um mestrado... como ignorantes damos cartas. Talvez seja melhor estarmos calados.
  • vitor
    22 mar, 2017 lisboa 09:57
    Acho que não foi bem copos e mulheres, mas quintas, jeeps, etc. Foi para aí que foram os subsídios.