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Bairro 6 de Maio. Câmara da Amadora diz que demoliu casas de moradores que não tinham direito a elas

07 fev, 2017 - 18:10 • Pedro Rios , Filomena Barros

Quatro "construções degradadas" e um anexo usado para "práticas ilícitas" foram demolidos com base em "provas fundamentadas" de abusos dos moradores.

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Uma das casas demolidas esta terça-feira. Foto: Filomena Barros/RR

A Câmara da Amadora rejeita as críticas dos moradores e de associações e defende que as demolições desta terça-feira no Bairro 6 de Maio basearam-se em “provas fundamentadas” que demonstram que os habitantes das casas não tinham direito às mesmas.

No local, a Renascença ouviu críticas de moradores. Queixam-se de não ter sido avisados pelas autoridades e de uma actuação violenta por parte da PSP - três polícias e um morador sofreram ferimentos na sequência de uma troca de agressões.

No bairro reina o receio: é o caso de Amália, desempregada, que mora com dois filhos e uma neta de quatro meses. Diz que, devido à sua situação económica, não consegue encontrar alternativa de alojamento.

“A Câmara Municipal da Amadora procedeu hoje à demolição de quatro construções degradadas no núcleo do bairro, bem como de um anexo referenciado como local utilizado para práticas ilícitas”, afirma a autarquia em comunicado.

No comunicado, a autarquia elenca as situações que levaram aos quatro despejos:

  • “A construção era habitada por uma munícipe já realojada em habitação social por esta câmara em Agosto do ano passado no bairro Casal do Silva, habitação cuja chave continua nas mãos da titular do arrendamento”;
  • “Nesta construção habitava uma família recenseada no PER, entretanto excluída por residir há alguns anos em Almada. Sabemos que esta construção foi entretanto indevidamente ocupada por um outro indivíduo, também excluído do PER por apresentar residência no parque habitacional privado na freguesia das Águas Livres”;
  • “A construção ocupada ilegalmente (…) foi demolida após se ter verificado que o mesmo tem alternativa habitacional no Bairro do Zambujal”;
  • “A construção estava ocupada por um agregado familiar que, em Agosto do ano passado, recebeu da Câmara Municipal da Amadora a quantia de 46.977,60 euros no âmbito do PAAR (Programa de Apoio de Auto Realojamento). O apoio foi solicitado pela família para aquisição de habitação própria”.

A câmara garante que as decisões de demolir as quatro casas, tal como todas as que são tomadas “no âmbito dos processos de erradicação dos bairros degradados”, “encontram-se fundamentadas em provas documentais, pelo que, ao contrário do que é veiculado por moradores e associações através dos órgãos de comunicação social, estas decisões não são tomadas de forma arbitral [sic] [arbitrária] e levianamente”.

A autarquia diz que “encontra-se a dar cumprimento ao Programa Especial de Realojamento – PER, criado em 1993 para as áreas metropolitanas de Lisboa e Porto”.

Através do PER, que a autarquia rejeita interromper, a Câmara da Amadora “já procedeu à erradicação de mais de 20 núcleos degradados dos 35 existentes, tendo realojado mais de três mil agregados familiares”.

“Desde o início da erradicação do Bairro 6 de Maio já foram solucionados os problemas habitacionais de 189 famílias, através do arrendamento social (realojamento) e de outros programas habitacionais municipais, estando ainda 72 famílias a aguardar o seu realojamento em habitações condignas.

Durante as acções de despejo registaram-se episódios violentos. Segundo a PSP, três elementos da polícia foram agredidos por um morador, enquanto a associação Habita afirma que foi a polícia a agredir o morador.

Comentários
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  • Português
    08 fev, 2017 Amadora 11:48
    Eu tenho a solução para ajudar essas " pessoas " coitadinhas que não trabalham e tudo oferecido de graça pelo estado português. Coitadas, em Cabo Verde tinham uma vida muito melhor que aqui em Portugal ! Pois a minha solução era recambia las a todas para as suas terras, e pronto, resolvia se todos os problemas de uma sò vez. Coitadinhos.
  • Noemia
    08 fev, 2017 Lisdoa 09:46
    É uma vergonha a maneira como está gente vive É uma vergonha como esta gente vive e gosta São guetos onde se prática de tudo nós somos um país civilizado não queremos esta maneira de viver na nossa terra.
  • Antonio Santos
    08 fev, 2017 Queluz 09:23
    O episodio no bairro 6 de Maio já é recorrente. Estas pessoas sao manhosas e vigaristas e o comunicado da camara esclarece isso. Uns já tinham casa, outros já tinham recebido indemnizações e outros nem sequer eram daquele bairro. Isto já aconteceu no passado e há-de continuar a acontecer no futuro. O intuito é sempre receber mais dinheiro ou conseguir casas para amigos que nao têm direito a elas. O comportamento do PCP também é de uma hipocrisia a toda a prova, como perderam a camara da Amadora para o PS, estao sempre do contra e a apoiar a escumalha, garanto que se a camara continuasse PC, nenhum deputado comunista aparecia a "defender" as minorias.
  • ZÉPOVINHO
    08 fev, 2017 LISBOA 08:31
    Mandem a conta destes custos tidos com estes meninos do couro, para as Associações que os defendem, para o PCP e BE e outros esquerdopatas que por aí vagueiam. Agora?? só um partido Nacionalista forte poderia remediar este desastre civilizacional esta e muitas, muitas , muitas outras situações representam um retrocesso na nossa cultura, na nossa identidade!!
  • tuga
    08 fev, 2017 lisboa 08:13
    A culpa disto é a esquerdalhada que apadrinhou a imigração totalmente descontrolada, para agravar a situação com a criminosa lei da nacionalidade passou este lixo a português e agora nós contribuintes a que temos de pagar isto tudo!!! Mandem a conta para o PCP e BE, há uns anos quando se previa isto no futuro, estes partidos carimbavam as pessoas!!!! Isto é o começo, fora o que a imprensa não divulga!!!!
  • Atento
    07 fev, 2017 Lisboa 23:26
    46.977,60 euros? PAAR? Que chulice para as pessoas que trabalham!! Vamos todos fazer casas clandestinas...
  • Toninho Marreco
    07 fev, 2017 Al Qualquer Coisa 22:58
    E EU A PAGAR PARA TUDO ISTO ...
  • Dav
    07 fev, 2017 Lisboa 21:55
    Estas situações eram esperadas e ainda vai haver mais problemas nomeadamente no Bairro Estrada Militar no alto da Damaia onde muita gente, depois do recenseamento, foi para lá viver.
  • lv
    07 fev, 2017 lx 21:20
    Valeu a estes moradores a solidariedade dos jornalixos!
  • Francisco Sousa
    07 fev, 2017 Sintra 20:48
    Não vi aqui o Marcelo.Porque será?Já sei a câmara é do PS do costa e é feio por gente com rendimentos miseráveis e com filhos pequenos a dormir na rua.Não está em causa a razão da lei, está a questão humana e política. Aqui não apareceu a dupla costa/marcelo a proteger os pobres.Estes ou não dâo votos ou não votam mesmo.A hipocrisia é doença de políticos oportunistas.