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Prémio Agustina Bessa-Luís. Júri anula distinção a Carla Pais

11 jan, 2017 - 09:50

A autora já tem publicada uma obra de teor romanesco, violando o artigo 1.º do regulamento do prémio, instituído pela Estoril Sol em homenagem à escritora.

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“Por ter sido violado o regulamento do galardão”, o júri do Prémio Revelação Agustina Bessa-Luís, presidido por Guilherme d´Oliveira Martins, decidiu anular a distinção a Carla Pais.

O júri deliberou, em reunião, “anular a decisão anterior, não atribuindo o prémio nesta 9.ª edição, uma vez que a autora publicara já, numa editora portuguesa, uma obra de teor romanesco”, lê-se na ata, à qual a agência Lusa teve acesso.

O prémio distingue uma primeira obra, não devendo o autor, segundo o regulamento, ter publicado anteriormente qualquer obra romanesca.

Fonte do júri afirmou que se “verificou, entretanto, que a candidatura viola o artigo 1.º do Regulamento do Prémio, que estabelece que este Prémio, instituído pela Estoril Sol em homenagem à grande escritora, ‘destina-se a distinguir, anualmente, um romance inédito de autor português sem qualquer obra publicada no género’”.

Na acta lê-se que o júri distinguiu, “em tempo próprio, a obra ‘Mea Culpa’, apresentada sob pseudónimo por Carla Pais, no pressuposto da sua conformidade com as normas do concurso”.

Segundo o site da Câmara de Leiria, Carla Pais, natural de Regueira de Pontes, no concelho de Leiria, apresentou, há cinco anos, o romance "Renascer", na Biblioteca Municipal Afonso Lopes Vieira, naquela cidade. Segundo a mesma fonte, “este é o terceiro livro que a escritora publica, no espaço de dois anos”, e adiantava que “o quarto romance” estava “a ser escrito ‘online’” em www.decarlapais.wordpress.com.

O prémio Agustina, no valor pecuniário de 10.000 euros, é uma parceria da Estoril Sol com a Editorial Gradiva, que publica o título vencedor.

Sobre “Mea Culpa”, o júri tinha considerado tratar-se de “um romance que transporta o leitor para um duro patamar de existência humana e social. Miséria e decadência sob formas violentas, que vão do incesto a diversos modos de servidão, [que] circunscrevem relações humanas envenenadas por injustiças e desesperos”.

Realçaram os jurados em ata que “a linguagem do romance é ela própria atraentemente crua e distanciada, embora sem nunca perder o sentido da sua orientação literária, quer na riqueza vocabular e imagística, quer no alcance da construção narrativa, quer ainda no modo como a memória da poesia acaba por ocupar uma espécie de espaço de luz em vidas dela afastadas”.

Carla Pais, que vive em Paris, onde trabalha num Centro de Formação à Distância, quando soube da vitória, afirmou-se “surpreendida” com a distinção.

Em 2015 tinha já arrecadado o 3.º lugar do Prémio Poesia Agostinho Gomes, com o poema “Assimetria dos lábios”.

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