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Papa pede colaboração entre líderes religiosos e políticos para combater terrorismo

09 jan, 2017 - 11:38

No discurso anual ao corpo diplomático acreditado junto do Vaticano, Francisco defendeu a importância da liberdade religiosa e apelou à renovação do projecto europeu.
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Papa pede colaboração entre líderes religiosos e políticos para combater terrorismo

A segurança e a paz marcam o discurso do Papa perante o corpo diplomático acreditado no Vaticano, esta segunda-feira. Na sua intervenção, Francisco passou em revista as principais dificuldades que o mundo atravessa, desde a guerra na Síria, ao problema dos refugiados, sem esquecer o terrorismo.

Recordando os muitos episódios de violência e terrorismo, em muitos casos praticados por grupos religiosos, o Papa apelou a todas as autoridades religiosas para que se mantenham unidas, reiterando que nunca se pode matar em nome de Deus.

“Trata-se duma loucura homicida que, na tentativa de afirmar uma vontade de predomínio e poder, abusa do nome de Deus para semear morte. Por isso, faço apelo a todas as autoridades religiosas para que se mantenham unidas em reiterar vigorosamente que nunca se pode matar em nome de Deus. O terrorismo fundamentalista é fruto duma grave miséria espiritual, que muitas vezes aparece associada também com notável pobreza social”, afirma.

Francisco pede a colaboração das autoridades religiosas e civis para combater o flagelo do terrorismo e em particular a estes últimos insiste na importância de preservar a liberdade religiosa. “Isto poderá ser plenamente vencido apenas com a colaboração conjunta dos líderes religiosos e dos líderes políticos. Aos primeiros, cabe a tarefa de transmitir aqueles valores religiosos que não admitem contraposição entre o temor de Deus e o amor ao próximo. Aos líderes políticos, compete garantir, no espaço público, o direito à liberdade religiosa, reconhecendo a contribuição positiva e construtiva que a mesma exerce na edificação da sociedade civil, onde não podem ser sentidas como contraditórias a pertença social, sancionada pelo princípio de cidadania, e a dimensão espiritual da vida.”

Francisco fez referências a vários pontos do mundo, manifestando a sua preocupação por situações concretas e particulares, mas falou também da Europa, sublinhando que é preciso dar à luz um novo humanismo.

“A Europa inteira está a atravessar um momento decisivo da sua história, em que é chamada a reencontrar a sua identidade. Isto exige a redescoberta das suas raízes, a fim de poder moldar o seu próprio futuro. Face aos impulsos desagregadores, é muito urgente actualizar ‘a ideia de Europa’ para dar à luz um novo humanismo baseado na capacidade de integrar, dialogar e gerar, que fez grande o chamado Velho Continente.”

Depois de um ano em que o 'Brexit' chocou até aos alicerces o projecto europeu, Francisco insistiu na importância da unificação europeia. “O processo de unificação europeia, que começou depois do segundo conflito mundial, foi e continua a ser uma ocasião única de estabilidade, paz e solidariedade entre os povos.”

“Nesta sede, não posso deixar de reiterar o interesse e a preocupação da Santa Sé pela Europa e o seu futuro, na certeza de que os valores, nos quais teve origem e está baseado este projecto – que chega este ano ao sexagésimo aniversário –, são comuns a todo o Continente e estendem-se para além das próprias fronteiras da União Europeia”, concluiu o Papa.


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