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Notícia Renascença

Comandos. Hospital das Forças Armadas não se sentiu capacitado para receber soldados

05 jan, 2017 - 18:32 • Raquel Abecasis

A retirada de militares durante o 127.º curso de Comandos pode ter sido atrasada porque a unidade hospitalar não se sentia capacitada tecnicamente para receber os instruendos.

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A retirada de militares para o Hospital das Forças Armadas (HFAR) durante o 127.º curso de Comandos, em que morreram dois candidatos, pode ter sido atrasada porque, de acordo com testemunhos prestados à Polícia Judiciária Militar da equipa sanitária da prova, a unidade hospitalar não se sentia capacitada tecnicamente para receber os soldados em dificuldades.

Na prova zero (a principal prova de resistência dos Comandos) do 127.º curso de comandos, que teve início a 4 de Setembro de 2016, morreram dois militares, Hugo Abreu e Dylan Silva. Vários outros instruendos tiveram de receber assistência hospitalar.

Segundo relatos a que a Renascença teve acesso, já no dia seguinte às mortes, quando foi preciso transportar de urgência outros instruendos em dificuldades, a médica que estava de serviço no hospital disse a um colega que acompanhava os candidatos: “Não devias trazer estes militares para o HFAR porque não existem todas as especialidades disponíveis (…) deviam ter ido para um hospital local (…) quem é que os vai assumir? Eu não assumo”.

A falta de capacidade técnica do HFAR não foi o único argumento invocado pela equipa sanitária para pensar duas vezes antes de decidir transportar de urgência quem estava em maiores dificuldades.

Habitualmente, este hospital levanta também problemas de outra natureza, como a limpeza dos doentes que recebe. “Como os instruendos estavam todos sujos de terra, pó e camuflados com os ‘sticks’ de camuflagem, bem como a farda toda suja, e como os enfermeiros e os socorristas sabem que o HFAR não gosta de receber militares sujos, procederam à higiene pessoal de preparação dos mesmos”, refere um dos depoimentos recolhidos.

O candidato a comando Hugo Abreu morreu no campo antes de ser transportado para um hospital. Quanto a Dylan Silva, foi encontrado pelo INEM em estado crítico e sem assistência médica. Foi levado para o hospital do Barreiro e acabou transferido para o Curry Cabral, em Lisboa, onde viria a morrer dias mais tarde, a 10 de Setembro.

Água a menos

Este episódio soma-se a outros do polémico 127.º curso de Comandos.

Esta quinta-feira, a Renascença avançou que todos os instruendos do curso garantem ter ingerido no máximo três cantis de água e não os cinco estabelecidos no guião.

A informação foi apurada pela Renascença através da consulta dos depoimentos prestados à Polícia Judiciária Militar (PJM) por todos os intervenientes no curso.

Ao contrário do que está estabelecido no guião utilizado na prova – e que consta do processo judicial que averigua as mortes dos soldados Hugo Abreu e Dylan Silva – todos os instruendos do curso garantem ter ingerido no máximo três cantis de água em vez dos cinco estabelecidos no guião.

Contactado pela Renascença sobre esta questão, o Exército não faz comentários porque decorre uma investigação aos factos ocorridos no 127.º curso de Comandos.

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  • sergio silva
    06 jan, 2017 Lisboa 22:53
    O processo de branqueamento aos instrutores continua
  • Luis
    06 jan, 2017 Lisboa 10:08
    Bom, sendo assim tem-se que concluir que as Forças Armadas estão com deficite de organização. Por falta de meios não é pois dinheiro é coisa que não falta a demonstrar isso estão os actos de corrupção de muitos milhões recentemente noticiados. Não seria melhor encerrar por seis meses as Forças Armadas para reflecção? Se depois se concluir que não são necessarias encerram-se e compram-se uns soldaditos de chumbo para destribuir pelas centenas de generais, brigadeiros e coroneis para que eles não entrem em depressão.
  • Pilotaço
    05 jan, 2017 Lisboa 23:01
    O HFAR, antigo hospital da força aérea está minado de gente incompetente, pouco fariam para ajudar certamente.
  • Gustavo Woltmann
    05 jan, 2017 22:14
    É assim que estamos de hospital militar
  • NL
    05 jan, 2017 Ermesinde 22:12
    Porque é que andam tão preocupados com os meninos que andam a brincar aos comandos e espezinham, tratam-nos pior do que cães vadios aos heróis que deram sangue, suor e lágrimas aos ex-combatentes das guerras coloniais?
  • jcn
    05 jan, 2017 amadora 21:45
    Começa a história a ser contada. Eu culpei o médico, agora culpo quem dirige um hospital com Hospital das Forças Armadas com estas lacunas.