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Produtores de leite e carne em marcha lenta contra "ditadura das grandes superfícies"

23 ago, 2016 - 01:34

Protesto realiza-se entre Ovar e Estarreja. Produtores estão fartos de "ter prejuízo para continuar a produzir".

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Os produtores de leite e carne realizam hoje uma marcha lenta, na Estrada Nacional (EN) 109, entre Ovar e Estarreja, para exigir melhores preços e o regresso das quotas leiteiras.

A acção é organizada pela Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e pela Associação Portuguesa de Produtores de Leite e Carne (APPLC). Abrange ainda uma concentração junto a três hipermercados em Estarreja, distrito de Aveiro.

"Vamos fechar com um cadeado humano, de uma forma simbólica, os hipermercados que ali estão à beira da EN 109, em protesto contra a ditadura comercial que as grandes superfícies exercem", disse à agência Lusa João Dinis, da Direcção da CNA.

João Dinis acusa as grandes superfícies de "esmagarem" os preços à produção nacional, nomeadamente do leite e da carne, referindo que os produtos alimentares "são por via de regra chamarizes das promoções e, também por isso, atravessam uma grave crise".

O dirigente realçou que os produtores de leite "estão a ter prejuízo para continuar a produzir", alegando que, actualmente, por cada quilo de leite, têm um prejuízo de oito cêntimos.

"A média [do preço do leite ao produtor] está em 26 cêntimos por quilo, enquanto o custo de produção anda em 34 cêntimos. E os agricultores não estão a contabilizar o valor do seu trabalho", sublinhou.

Para João Dinis, o fim das quotas leiteiras na União Europeia, em 2015, está na base da grande crise do sector leiteiro. Por isso, defende a adopção de um sistema idêntico ao das quotas leiteiras.

"O Governo português e este ministro [da Agricultura] têm-se concentrado essencialmente em ajudas para reduzir a produção e isso é um erro estratégico. Nós precisamos de ajudas para aumentar a produção, seja de leite, de fruta, seja do que for. É uma necessidade estratégica do nosso país", defendeu.

O dirigente considera que tem que haver "outro posicionamento político e lutar contra estas adversidades", defendendo "um debate forte" ao nível da Comissão Europeia de retoma do mecanismo público do controlo da produção. "Isso não está na ordem do dia, mas tem de estar", afirmou.

No protesto marcado para terça-feira, os agricultores vão ainda reclamar o aumento dos preços à produção de leite e carne, a redução dos custos de produção e o fim das penalizações sobre quem ultrapassar o limite interno de produção de leite.

Segundo a organização, os tractores vão sair de Válega, em Ovar, e de Estarreja, pelas 10h30, estando a primeira concentração conjunta marcada para as 11h30 em frente aos hipermercados, ao lado da EN 109, em Estarreja.

Os manifestantes vão dirigir-se depois para a Câmara de Estarreja onde esperam ser recebidos pelo presidente da autarquia.

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  • rosinda
    23 ago, 2016 palmela 10:15
    A medida que vamos empobrecendo cada vez a ditadura e maior! Forca pessoal!