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Polémica em França

Proibir o burkini, a burqa de praia, defende as mulheres ou é islamofobia "histérica"?

16 ago, 2016 - 16:44 • Redacção com Reuters e Lusa

Três mulheres já foram multadas por estarem na praia com o fato de banho que segue as regras do islão. O Governo francês vê a proibição com bons olhos. Colectivo contra islamofobia faz queixa ao Conselho de Estado.

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Três cidades francesas banhadas pelo Mediterrâneo já o fizeram e uma quarta, Le Touquet, na costa atlântica, planeia fazer o mesmo. Cannes, Villeneuve-Loubet e Sisco baniram o burkini, uma alternativa ao bikini que tapa o corpo da mulher, deixando apenas visíveis a cara, as mãos e os pés. Argumento: o burkini, que permite cumprir as regras do islão que pedem às mulheres contenção no vestuário, desafia as leis seculares da França.

A medida, tomada nos últimos dias por aquelas autarquias, já teve consequências práticas para pelo menos três mulheres, de 29, 32 e 57 anos – vão ter que pagar os 38 euros de multa previstos no decreto municipal de Cannes, noticia o jornal francês "Nice Matin".

Outras seis mulheres que tomavam banho "demasiado cobertas" receberam advertências, mas optaram por abandonar a praia ou mudar de traje, afirmou ao jornal o chefe da polícia municipal. Yves Daros garantiu que a medida tem o apoio da população.

As autoridades locais justificam a proibição do burkini com motivos de segurança, considerando que este tipo de fato de banho demonstra, de forma "ostensiva", a pertença ao islão, o que pode gerar distúrbios numa altura em que a França vive o medo da ameaça de grupos extremistas como o autoproclamado Estado Islâmico.

O presidente da Câmara de Villeneuve-Loubet, Lionnel Luca, vê no uso do burkini uma provocação ideológica. “Desde o ataque de Nice”, a 14 de Julho, que matou 130 pessoas, “a população está particularmente sensível”, disse Luca, que argumenta também que este fato de banho apresenta problemas de higiene e pode complicar salvamentos.

Símbolo de um projecto político "hostil" às mulheres

A proibição do burkini merece o apoio do Governo. “O burkini não é apenas uma nova linha de fatos de banho, é a versão de praia da burqa e tem a mesma lógica: esconder o corpo das mulheres para melhor as controlar”, disse a ministra dos Direitos das Mulheres, Laurence Rossignol.

A governante socialista rejeita que as proibições sejam vistas no contexto da luta antiterrorista, mas defende que o burkini é um “símbolo de um projecto político que é hostil à diversidade e à emancipação das mulheres”.

O Colectivo contra a Islamofobia em França apresentou esta terça-feira uma queixa no Conselho de Estado contra a proibição do burkini, o mais importante tribunal administrativo francês. Para já, os tribunais têm validado as decisões das três cidades francesas.

O porta-voz do colectivo, Marwan Muhammad, disse que a medida restringe liberdades fundamentais e discrimina as mulheres muçulmanas. “Este Verão estamos a testemunhar uma islamofobia política histérica que põe cidadãos uns contra os outros”, afirmou.

No sábado, em Sisco, na Córsega, registaram-se conflitos entre famílias muçulmanas e um grupo de jovens depois de um turista ter tirado fotografias de mulheres a tomar banho de burkini. Na segunda-feira, o presidente da Câmara de Sisco baniu o burkini.

A polémica não é de agora. Em Março, em entrevista à rádio RMC, a ministra Laurence Rossignol criticou marcas como a Marks and Spencer, que colocou o burkini à venda em lojas ocidentais, depois de o fazer em mercados como o Dubai e a Líbia.

“É irresponsável da parte destas marcas”, disse. A Marks and Spencer reagiu, através de um porta-voz, sem fazer grandes comentários: “Vendemos este item há vários anos e é popular entre os nossos clientes internacionalmente.”

Laurence Rossignol comparou as mulheres a favor deste tipo de fato de banho a “negros que apoiam a escravatura”.

Comentários
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  • Cão do Maçãs
    26 ago, 2016 Viseu 16:23
    Acho um atentado. O burkini esconde cada material por baixo, que é obra. Até é pecado um gajo não poder lavar as vistas com aqueles materiais.
  • Manuel Dias
    26 ago, 2016 Cova da Piedade 15:26
    As cruzadas para eles Muçulmanos, ainda lhes está no goto. Foi uma derrota terrível . Aos poucos, séculos perdidos e derrotados nesta Europa Velha, eles andam a conquistar terra a terra . País a País . Seus Líderes Muçulmanos assim o clamam . A tudo o custo seja por guerra, ou imigração . Parece que existe aqui uma vingança de anos atrás . Querem tomar a Europa a todo o custo !! Mas a Europa se esquece numa coisa ! Os verdadeiros homens/ cavaleiros das Cruzadas nas ditas Monarquias, já se finaram . A Europa mudou, e as Monarquias viraram Repúblicas . ( Algumas delas ) . No Século xxi ainda existe um certo ódio pela parte Muçulmana para com os infiéis. NÓS EUROPEUS .
  • AP
    26 ago, 2016 Portugal 09:04
    ATEIA; realmente tem mesmo de experimentar porque já vi que nunca o fez! Que triste é falarmos sem saber...
  • Ateia
    24 ago, 2016 Braga 21:10
    Gostava de saber o que me aconteceria a mim se fosse de bikini para uma praia num país muçulmano. Acho muito bem proibir e esta proibição deveria ser em todos os países da ue.
  • Manuel
    24 ago, 2016 Alvor 15:10
    Acho muito bem que proíbam. Eu, para visitar uma mesquita, como estava de calções tive de por um pano para tapar as pernas. Já é altura da europa ter mão dura com estas pessoas, caso contrário, estamos a cavar a nossa sepultura.
  • Nadia
    22 ago, 2016 19:37
    QUAL PROBLEMA ESSA VIDA DE ELES E NOIS NAO TEMOS NADA VER COM ISSO , QUE INTERES PARA PESSOAS NU PRAIA QUEM VESTRIR BICINI O VESTIDO O OUTRA COISA
  • p/disparate 3
    22 ago, 2016 dequalquerlado 11:12
    Oh disparate 3, Eu não disse que todos os muçulmanos eram o daesh, a tua falta de senso é que te leva a isto. Mas qual é o problema de se proibir burkas? Mas agora os países têm que aceitar mulheres todas cobertas de negro, porque manda a sua religião? Ainda por cima isto representa uma humilhação à mulher, como falta de respeito.... É tão simples, se querem usar os seus costumes que vão para os seus países. Só me apetecia era chamar-te todos os nomes, mas não o vou fazer, mas tens um raciocínio que deixa muito a desejar. É por estas e por outras que quando algumas têm vontade de se libertarem são mortas até pelos seus familiares, mas não me digas que também apoias isto? Quer dizer achas bem a burka? Então põe as tuas filhas a andar de burka e a tua mulher. Quando te trato por tu, estou a te dar a liberdade para me tratares por igual, até porque não te conheço de parte nenhuma, é a minha maneira de ser, não é isto que desrespeita as pessoas, é a tua maneira de pensar é que é muito pior, que concorda com a opressão que os muçulmanos fazem às mulheres. Eu não sou radical, nunca te fiz mal nenhum nem nunca fiz mal a ninguém, disto posso te garantir. Quanto a frustrações, eu não vim para aqui mostrar as minhas frustrações, mas ver disparates como tu pões neste espaço é que dá vontade de te mandar à ..............Sabias que o outro dia estive a ver uma reportagem, feita por uma sunita, ela própria critica os muçulmanos e diz mesmo que não precisa que pvs como tu os venha defend
  • Europa em guerra
    19 ago, 2016 lisboa 19:37
    Defender as mulheres não defende porque elas estarão sempre subjugadas à lei da sharia, e ai delas que não cumpram! Quanto à Islamofobia histérica pode ser designada por receio de segurança e nisso os culpados são os terroristas islamicos que nos têm atacado em nome do islao.
  • Disparates 3
    18 ago, 2016 Lisboa 17:00
    Dequalquerlado. Uma coisa é o Daesh e outra coisa o Islão. É absolutamente cretino, numa altura em nos temos de concentrar para lutar eficazmente contra o terrorismo, perder tempo com proibições absurdas e que em nada ajudam. E não tenho memória de lhe ter dado autorização para me tratar por tu. Se não consegue conviver com opiniões diferentes da sua, tal pode significar que é tão fundamentalista como os terroristas do Daesh. Já conhecemos todos esta nova moda de descarregar as frustrações, a bílis, e a falta sabe Deus do quê ... num teclado de computador. O fenómeno está mais do que estudado. Desejo-lhe um reconfortante chá de tília e menos intolerância no coração.
  • Pois é!
    18 ago, 2016 caranguejo 11:13
    Então o meu comentário fica na gaveta? Esta renascença é uma vergonha. Parece que vive no tempo do fascismo....

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