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Fogo no centro do Funchal. Prédios em chamas e pessoas em fuga

09 ago, 2016 - 21:44

Há prédios a arder e pessoas a abandonar as suas habitações na baixa da cidade à procura de um local seguro.
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O fogo propagou-se esta terça-feira das zonas altas ao centro do Funchal e há alguns prédios devolutos a arder na cidade.

Em declarações à Renascença pelas 22h30, o presidente da Câmara do Funchal, Paulo Cacôfo, disse que incêndio "numa zona muito comercial" da baixa ainda não está controlado, mas já foi circunscrito.

"O fogo ainda não está controlado. Os principais edifícios já estão a salvo. A Igreja de S. Pedro, que era uma grande preocupação, e o Museu Municipal estão a salvo, mas o fogo ainda se propaga por alguns edifícios", disse o autarca.

"O combate às chamas continua. Nesta fase está circunscrito. Esperemos que não haja mais situações, porque estamos a falar de uma zona histórica, antiga, onde a propagação do fogo é muito fácil”, afirmou Paulo Cafôfo.

O fogo começou pelas 19h00, num palacete devoluto do século XIX, e "facilmente as chamas propagaram-se pelos edifícios vizinhos e ruas anexas. Pelo menos três ruas foram afectadas: A rua das Pretas, de São Pedro e do Surdo", explicou o presidente da Câmara do Funchal.

As chamas consumiram esta noite prédios devolutos no centro do Funchal, tinha referido anteriormente fonte da autarquia.

Segundo fonte da PSP, o fogo chegou à zona da igreja de São Pedro, na baixa do Funchal, depois de ter consumido um edifício devoluto.

A situação também é complicada na zona da Pena, avança a agência Lusa. Ha casas a arder e três viaturas de uma empresa de construção civil estão a tentar ajudar e a atirar água para as casas.

Algumas pessoas abandonaram as suas casas no centro do Funchal, levando malas e animais.

Os relatos dão conta de um "cenário dantesco" e de uma situação "completamente descontrolada", com muitos focos ativos espalhados pela cidade, entre os quais o Til, Rochinha, Penteada, sendo audível o som de algumas explosões.

O presidente do Governo Regional da Madeira considera que o cenário de incêndios no Funchal é "complicado", devido às "múltiplas e variadas" frentes de fogo, que chegou à baixa da cidade. "A força do vento trouxe de facto uma situação complicada", disse Miguel Albuquerque, que se deslocou à zona histórica de São Pedro.

O antigo candidato comunista às presidenciais Edgar Silva disse que teve de fugir de casa e que há centenas de pessoas deslocadas para a baía do Funchal, criticando as autoridades por "mentirem às pessoas".

Governo vai enviar reforços para a Madeira
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Fumo dificulta respiração

O aeroporto do Funchal, situado a 20 quilómetros da capital da Madeira, está a funcionar com normalidade e não há qualquer foco de incêndio na sua zona envolvente, disse fonte aeroportuária.

O vento forte e as elevadas temperaturas fizeram com que o fogo que lavra nas zonas altas do concelho desde a tarde de segunda-feira descesse até ao centro da cidade, provocando algum caos e pânico entre a população.

O trânsito está caótico, com muitos congestionamentos na baixa do Funchal, tendo a PSP encerrado as entradas da cidade. A via rápida foi encerrada entre o nó da Cancela, na parte Este da cidade, e Santo António, nos dois sentidos.

Devido ao tempo quente e ao denso fumo, é muito difícil respirar e as pessoas estão a usar máscaras. Têm sido audíveis várias explosões, depois de a situação se ter agravado ao final da tarde.

O Serviço Regional de Protecção Civil já apelou às pessoas que estão no Funchal e "que não se encontram nas zonas afectadas pelos vários focos de incêndio activos que permaneçam nas suas habitações e, especialmente, que não circulem utilizando viaturas".

As zonas da Pena, da Rochinha, da Boa Nova e Til são alguns locais de onde surgem relatos de problemas devido ao fogo.

Centenas de pessoas deixaram as casas

O presidente da Câmara do Funchal disse que a capacidade de realojamento do Regimento de Guarnição N.º3, o quartel do Funchal, onde foram realojadas cerca de três centenas de pessoas, está esgotada.

A autarquia já contactou o presidente do Club Sport Marítimo para avaliar a possibilidade de ser utilizado o Estádio dos Barreiros para deslocar cidadãos afetados pelos incêndios.

Junto ao Centro de Segurança Social no Funchal a Lusa constatou que um grupo de cidadãos conseguiu apagar o foco que surgiu junto de um depósito de gás de um complexo habitacional na rua Elias Garcia.

Muitas pessoas utilizam mangueiras para molhar terrenos, casas, muros e carros.

Centenas de desalojados, muitas dezenas de casas destruídas, aproximadamente 200 pessoas assistidas no hospital do Funchal devido a problemas de inalação de fumo e um ferido grave transferido para Lisboa pela Força Aérea são algumas das consequências do fogo que tem devastado o Funchal e outros concelhos da Madeira.

Os hospitais dos Marmeleiros e João de Almada foram evacuados.

O primeiro-ministro já anunciou que uma equipa de 35 elementos vai deslocar-se hoje para a Madeira para apoiar no combate ao fogo.


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  • cascais
    10 ago, 2016 cascais 07:37
    É com tristeza que assisto a ver Portugal a arder,e estou solidário com todos nesta hora de perda e também realçar o esforço de todos para fazer parar esta destruição que é o fogo,só lamento que todos os anos tenhamos que passar por isto,já é um lugar comum falar na prevenção e pouco ou nada se tem feito parece que fazem tudo ao contrário gasta-se milhões a combater e tostões a prevenir há que mudra esta filosofia para que não chorarmos por leite derramado ,há que alterar esta politica e começar rapidamente tenho ouvido tantos especialista dizer e tantos relatorios existem portanto á que agir porque já sabemos o que fazer,só que os politicos mais uma vez tem que se entender e não se darem ao luxo de Portugal perder já no passado no presente mas ao menos ainda que o .. FUTURO traga a esperança .Comecem pelos bancos da escola a ensinar o valor da Natureza para melhor compreender tanto precisamos de a preserver.
  • FSILVA
    10 ago, 2016 Oeiras 01:40
    Lamentável esta situação mas previsível porque até hoje os incendiários saem sempre impunes. Lamentável também o comentário do JLOPES para os militares. Esquece que só fala assim porque os militares lhe proporcionaram essa liberdade. Triste povo que morde a mão de quem lhe deu de comer. Podia dizer o mesmo mas de outra forma sem ser ressabiado. SE os militares não saem para o terreno é porque quem governa não quer porque iriam sim e com vontade de bem servir.
  • Joaquim Raposo
    10 ago, 2016 Açores 01:17
    Está parte me chamou atenção "O antigo candidato comunista às presidenciais Edgar Silva disse que teve de fugir de casa e que há centenas de pessoas deslocadas para a baía do Funchal, criticando as autoridades por "mentirem às pessoas". " Foi o primeiro a fugir, só prova que falam, falam, critiquem, mas na hora Hoje nada fazem, fogem
  • Lina costa gomes
    10 ago, 2016 algarve 01:16
    Que horror . . Um abraço solidário a toda a população e um em particular para a Micaela Sousa, uma terapeuta con quem não falo há mais de vinte anos mas que não me sai da cabeça desde que ouvi estas notícias. MICAS UM ABRAÇO MUITO APERTADO.
  • V.F.
    10 ago, 2016 Porto Alegre 01:16
    JLOPES, enviar elementos não treinados para apagar incêndios pode ter um custo elevadíssimo como foi aprendido no final dos anos sessenta quando um pelotão de soldados morreu queimado na serra de Sintra. Os soldados são (ou deviam ser) treinados para combater a fim de manter a nossa loberdade e independência, se necessitamos de mais bombeiros ou de um sistema diferente de combate ao fogo é im problema diferente. Eu creio que a nossa segurança é demasiado importante para ser garantida por elementos voluntários, apesar do extraordinário.serviço que prestam à nação. Tal como a polícia ou os funcionários do sistema nacional de saúde, também os bombeiros deviam ser profissionais, o que, aliás, acontece na maioria dos países.
  • MT
    10 ago, 2016 Lx 00:55
    Não há perdão para tanta mão criminosa a operar no nosso país. Mas para isso, a Justiça tem por obrigação ser cega e muda para condenar com mão pesada toda e qualquer espécie de malvadez humana!!
  • André
    10 ago, 2016 Lisboa 00:27
    Os meios dos bombeiros estão esticados ao máximo... Rita Lima antes de falar da ajuda internacional, vá ver a situação de Espanha que tem 12000 militares, 4000 bombeiros e 30 aviões e helicópteros a tentar evitar que as 2 maiores cidades das Canárias sejam arrasadas. Ou a situação a norte de Marselha onde já morreram 4 pessoas. Neste momento só podemos usar as nossas forças. Não há espaço para muito mais.
  • maria
    10 ago, 2016 Barcelos 00:15
    É pena que a Madeira esteja a arder! Vivi lá uma ano e gostei imenso! É uma ilha lindíssima! É lamentável que haja pessoas sem escrúpulos e destruam o que melhor há na natureza, quer seja no continente quer seja na ilha! Muita força e coragem para todas as pessoas que foram e são vítimas destes incidentes! Se se provar que estes incêndios foram causados por humanos, estes deveriam ter uma pena pesada!! A justiça deve atuar com penas exemplares! Não é justo destruir a natureza e causar tanto sofrimento a pessoas e a animais!
  • David
    09 ago, 2016 centro 23:59
    PSD fora da madeira, o povo acordou e não tolera mais incompetencia.
  • Maria
    09 ago, 2016 porto 23:44
    Mão pesada da justiça para os criminosos que ateiam fogos e colocam em risco a vida das populações e destroem em segundos os sonhos de milhares de pessoas.É um crime inqualificável.Vinte e cinco anos de cadeia é pouco para quem destrói tantas vidas. Cinco anos a limpar matas e florestas das 8 da manhã às 8 da noite, só com meia horita para almoço,(só para não caírem inanimados por falta de alimento, porque estas "bestas" nem comida merecem) sem parar, 365 dias por cada ano e 366 em ano bissexto. Só assim seriam exemplarmente punidos e passava-lhes a vontade de ver a "lindeza" das labaredas. A eles e a outros potenciais "tarados".