|

 Casos Ativos

 Internados

 Recuperados

 Mortes

A+ / A-

​Morais Sarmento.“Marcelo corre riscos e não devia ter estado no processo BPI”

19 abr, 2016 - 01:22 • José Pedro Frazão

“Ele é o mais alto magistrado da nação, precisamos dele, mas não para isto”, afirma o comentador social-democrata no “Falar Claro” da Renascença.

A+ / A-
​"Marcelo corre riscos e não devia ter estado no processo BPI”
​"Marcelo corre riscos e não devia ter estado no processo BPI”

O social-democrata Nuno Morais Sarmento aponta aquele que pode ser um primeiro erro do mandato de Marcelo Rebelo de Sousa como Presidente da República. O antigo ministro considera que o chefe de Estado envolveu-se de forma demasiado voluntarista no processo relacionado com o futuro do banco BPI.

“O Presidente não devia ter estado neste dossiê como esteve. Porque o Presidente da República é um ‘primeiro entre pares’. Não está ao nível do Governo, dos bancos, disto e daquilo. Tem que estar noutro plano, tem que ser uma reserva da nação”, adverte Morais Sarmento no programa “Falar Claro” da Renascença.

O social-democrata comentava os elogios à “excelente coordenação, articulação e colaboração institucional” entre Belém e São Bento deixados no mesmo programa pelo socialista Vitalino Canas.

Sarmento saúda a boa relação entre o Presidente e o Governo, mas marca distâncias entre órgãos de soberania no que toca a certas esferas de intervenção política.

“Acho politicamente positivo que o Presidente queira normalizar, facilitar, agilizar, não viver como vivíamos há uns anos. Não quero dizer que há um limite. Digo que é arriscado, comporta riscos que o Presidente não devia correr. Ele é o mais alto magistrado da nação, precisamos dele, mas não para isto”, insiste Sarmento.

Já Vitalino Canas lembra que o diploma de desblindagem dos estatutos dos bancos para não limitar o direito de voto foi concertado entre Belém e São Bento.

“Não foi algo aprovado no último Conselho de Ministros, que depois foi para a Presidência da República, que em tempo recorde o apreciou e aprovou. Não, é uma coisa que está a ser preparada há algum tempo. Isso é algo que não estávamos habituados a ver nos últimos tempos, mesmo havendo semelhança de cores politicas entre Governo e Presidência da República”, assegura o deputado socialista.

Porque interveio o Governo

A intervenção do Governo no processo BPI é justificada por Vitalino Canas como um caso de interesse nacional. “Estamos a falar de uma questão que está em causa a estabilidade do sistema financeiro, em que está mais uma vez em causa porventura até se calhar com dinheiro dos contribuintes, sabe-se lá ”, argumenta o militante do PS.

Morais Sarmento concede que este caso é uma excepção a uma regra de não ingerência do Estado em negócios privados.

“Começarmos a aceitar como regra que o Governo ande a meter o nariz nos negócios entre privados, que têm outros mecanismos de regulação e supervisão que não uma tutela governamental, é um mau principio”, afirma o comentador social-democrata na Renascença

O processo BPI é, para Morais Sarmento, uma “situação particular, também por causa de efeitos colaterais que pode ter nas relações entre dois países”. Assim, o social-democrata admite que o Governo intervenha numa situação que considera excepcional, em “defesa do interesse nacional”.

Tópicos
Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

  • fanã
    19 abr, 2016 aveiro 16:33
    Que dizer então do Cavaco com o assunto BES !!!!!
  • amorabe
    19 abr, 2016 Gondomar 10:57
    Calma Sr. Presidente, este caso envolve além fronteiras... também me parece ingerência precoce.
  • Luis
    19 abr, 2016 Lisboa 10:19
    Claro que sim e o BPI deveria ter seguido o caminho do BPN e toda a rapaziada Laranja ficaria contente.
  • rfm
    19 abr, 2016 Coimbra 10:01
    ... a falta de intervenção ou omissão dos governos, por essa europa fora (na suprema doutrina em que de resto, os ultraliberais/maoistas insistem em que mercados regulam-se a eles próprios) deu nisto: os financeiros e bancos e especuladores mandas nos governos, nos presidentes nos reis e, levando os impostos aos cidadãos, usam um poder para o qual não foram eleitos instrumentalizando as instituições e des/reguladores a seu belo prazer e os resultados estão aqui, cujo objetivo só pode ser político, colocar o sociedade europeia tão desigual e desequilibrada como a sul americana com a convivências dos poderes instalados, desde os médias aos comentadores a certas hierarquias ..., por favor não lamentem a intervenção dos governos e presidentes porque sendo assertivas, são mais que necessárias num estado e europa de direito
  • Zé Povinho
    19 abr, 2016 Alverca 08:20
    Claro , a não ser que la tivesse o PSD.