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Karadzic conhece sentença, 20 anos após o fim da guerra na Bósnia

24 mar, 2016 - 08:01

Aos 70 anos, Karadzic foi indiciado por genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra. Conflito provocou mais de 100 mil mortos e 2,2 milhões de deslocados.

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Mais de 20 anos após o fim da guerra civil na Bósnia-Herzegovina, o antigo chefe político dos sérvios bósnios, Radovan Karadzic, sabe esta quinta-feira se é considerado culpado pelos juízes do TPIJ por genocídio e crimes contra a humanidade.

O fundador da Republika Srpska (RS, a entidade política que partilha a Bósnia a par da Federação croato-muçulmana) é acusado pelo Tribunal Penal Internacional para a ex-Jugoslávia (TPIJ, uma instituição judicial 'ad hoc' da ONU) de envolvimento directo no massacre de Srebrenica e no cerco de Sarajevo, consideradas as piores atrocidades cometidas na Europa após a Segunda Guerra mundial.

Aos 70 anos, Karadzic foi indiciado por genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra cometidos durante a guerra na Bósnia (Abril de 1992 - Novembro de 1995) que provocou mais de 100 mil mortos e 2,2 milhões de deslocados.

Após a morte em 2006, do antigo presidente sérvio Slobodan Milosevic, é o mais alto responsável a ser julgado pelo tribunal pelos presumíveis crimes cometidos no decurso do conflito interétnico.

De acordo com a acusação, pretendia dividir a Bósnia e "expulsar em definitivo os muçulmanos e croatas dos territórios reivindicados pelos sérvios da Bósnia". Para o procurador Serge Brammertz, o julgamento de Karadzic é "um dos mais importantes da história do TPIJ" não apenas pelo número de vítimas mas porque revela "a responsabilidade de homens políticos no sofrimento do seu povo".

Karadzic diz-se inocente

Radovan Karadzic é acusado de genocídio pelo massacre de cerca de 8.000 homens e adolescentes muçulmanos em Srebrenica em Julho de 1995, e que segundo a acusação se inscrevia no plano de "limpeza étnica" planificado por Karadzic, por Ratko Mladic (o chefe militar dos sérvios bósnios e também em julgamento no TPIJ) e por Milosevic após o desmembramento da Jugoslávia.

É ainda acusado de genocídio em outros municípios da Bósnia, mas também deve responder por perseguições, mortes, violações, tratamentos inumanos ou transferências forçadas de populações.

A acusação também lhe atribuiu a responsabilidade pelo cerco de Sarajevo, que se prolongou por 44 meses e provocou 10.000 mortos, para além dos campos de detenção com "condições de vida inumanas".

Após ter-se considerado "não culpado" perante a instância judicial em Março de 2009, o seu processo com mais de 47.500 páginas de transcrições e 115.000 páginas de elementos de prova terminou em Outubro de 2014, na sequência de 497 dias de audiências e 586 testemunhas.

Karadzic manteve sempre a sua posição incorrigível no decurso do julgamento e no final de 2012 declarava aos juízes do TPIJ: "Fiz tudo o que era humanamente possível para evitar a guerra e reduzir o sofrimento humano".


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