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"Que recuperação em Portugal?" Varoufakis descreve "falhanço abjecto" da Europa

20 fev, 2016 - 12:03

Ex-ministro grego participa no "Fórum por um Plano B na Europa" que arrancou sexta-feira em Madrid e que conta com Francisco Louçã, entre outros.

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O ex-ministro das Finanças grego Yanis Varoufakis considerou este sábado que é uma "mentira" dizer que Portugal, Espanha ou Irlanda estejam a recuperar economicamente, afirmando que a política económica da Europa "é um falhanço abjecto".

Varoufakis, que falava no Fórum por um Plano B na Europa, que arrancou sexta-feira em Madrid, agradeceu com um "grande obrigado" ao povo espanhol por, nas eleições gerais de 20 de Dezembro, "não ter comprado a mentira da história de sucesso" da economia espanhola.

"Não compraram a mentira da história de sucesso e não tiveram medo. Quando Alexis Tsipras [primeiro-ministro grego] foi obrigado a render-se [assinado um novo programa de austeridade, perante a falta de liquidez na Grécia], Mariano Rajoy apareceu em frente às câmaras e disse que era aquilo que os esperava se votassem no Syriza espanhol", recordou Varoufakis, numa referência ao Podemos.

Nas eleições espanholas de 20 de Dezembro, o PP de Rajoy foi o partido mais votado (com 123 deputados), mas o Podemos entrou directamente no Parlamento com 69 deputados (incluindo as suas formações regionais, que concorreram com o seu apoio mas com outros nomes).

Varoufakis recordou a sua passagem pelo governo grego - e as negociações com elementos da troika de credores: Banco Central Europeu, Comissão Europeia e FMI - para salientar que os povos europeus dão demasiada credibilidade às instituições europeias.

"A esquerda deu demasiado credibilidade ao 'establishment'. Pensamos que eles podem até ter uma visão política diferente da nossa, mas que têm um plano e são competentes. Pois eles não fazem a mínima ideia, são completamente incompetentes e estão a inventar à medida que isto anda", salientou o economista grego.

"História da Europa nos últimos anos é uma comédia de erros"
Varoufakis realçou que as instituições europeias "não previram o problema" e "não ligaram aos avisos" do governo grego. "A história da Europa nos últimos seis ou sete anos é uma comédia de erros. Erram e depois não podem admitir o erro, o que leva ao falhanço. Quando falham isso leva a austeridade e depois a mais falhanço", disse.

Para o antigo ministro, o único plano de Bruxelas é "manter a estrutura de cartel da União Europeia", independentemente de aferir se a receita económica está a resultar ou não nos países alvo de intervenção. "E depois falam em recuperação. Que recuperação em Espanha e em Portugal? Ou na Irlanda? A política económica europeia é um falhanço abjecto!", sentenciou.

A Irlanda fechou o ano de 2015 com um crescimento do seu PIB de 6,9%, a Espanha com uma subida de 3,2% e Portugal de 1,5%. Ainda assim, Varoufakis salientou que "a velha Europa está a desintegrar-se, a morrer" e que "a nova Europa está a nascer". Para aplicar um "Plano B", defendeu, "a esquerda é necessária mas não suficiente".

"Temos de nos aliar com os Verdes, com os Sociais-Democratas que viram o erro em que caíram. Nós, da esquerda, percebemos que temos uma responsabilidade histórica para com os povos", propôs o antigo ministro.

Por isso mesmo exortou à criação de "Brigadas Internacionais Democráticas" (numa referência às brigadas que combateram na Guerra Civil espanhola), para "convencer a pessoa que está no sofá, paralisada de medo e a ver 'talk shows' ridículos de que existe uma alternativa".

O fórum Plano B para a Europa prossegue até domingo, com conferências de Varoufakis e com a presença do português Francisco Louçã (economista, fundador e antigo líder do Bloco de Esquerda).

Este "Plano B", como lhe chamam os seus impulsionadores, quer dar "um carácter verdadeiramente democrático" às políticas comunitárias.

Comentários
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  • Dr Xico
    22 fev, 2016 LIsboa 15:20
    O problema é alguem ter razão antes de tempo. Como é o caso deste Sr Varoufakis, a nossa divida com os atuais juros é impagavel ou não há recuperação económica, qualquer que seja o governo. Mas como em Portugal os politicos foram formatados para defenderem os seus boys/interesses, nunca se vao juntar como na Irlanda para renegociar as dividas e fazerem um pacto de governo para pelo menos 8 anos.
  • qq
    20 fev, 2016 Lisboa 20:23
    Muita conversa, mas não consegue explicar o "Plano B"
  • Petervlg
    20 fev, 2016 Trofa 20:17
    este fulano podia ir dar palpites para os Gregos
  • João Lopes
    20 fev, 2016 Viseu 16:18
    Este senhor nem credibilidade tem na sua pobre Grécia...e quer vender ilusões nos outros países. É como se fosse um palhaço…faz rir!
  • maria
    20 fev, 2016 lisboa 14:56
    Cortaram-lhe o pio na terra dele e agora vem dar palpites para aqui, onde as vozes que se ouvem são da esquerda e, especialmente do Bloco.
  • Alberto
    20 fev, 2016 Funchal 14:09
    Numa coisa tem razão: desde o 25 de abril de 1974 e sempre que o PS está no Governo, aumenta o nº de pobres em Portugal.
  • JULIO
    20 fev, 2016 vila verde 12:39
    Para os aldrabões da esquerda todos mentem , so eles falam verdade

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