A+ / A-

Menores refugiados desaparecidos na Europa. “Chocante, mas não surpreendente”

01 fev, 2016 - 10:39

Em Portugal tem crescido o número de crianças não acompanhadas por adultos a pedir asilo. A presidente do Conselho Português dos Refugiados fala numa “situação dramática”.
A+ / A-

A presidente do Conselho Português dos Refugiados (CPR) considerou esta segunda-feira “muito grave” o desaparecimento de mais de 10 mil crianças migrantes na Europa e adiantou que Portugal tem recebido muitos pedidos de asilo de menores não acompanhados.

“Em Portugal, temos tido ultimamente um aumento de pedidos de asilo de menores não acompanhados, o que significa que estas crianças estão a fugir dos seus países e a chegar à Europa em condições muito precárias e em situações muito vulneráveis”, disse à agência Lusa Teresa Tito Morais.

A responsável, que falava a propósito dos dados da agência de polícia europeia (Europol) que indicam que mais de dez mil crianças não acompanhadas desapareceram na Europa entre 18 e 24 de Dezembro passado, adiantou que, em 2015, Portugal recebeu 50 pedidos de asilo de menores não acompanhados e em Janeiro dois.

“Estes pedidos vêm sobretudo de crianças oriundas do Mali, da Guiné-Conacri, Nigéria e Sri Lanka”, adiantou.

Na opinião de Teresa Tito Morais, os dados da Europol são “muito chocantes, mas infelizmente não são novidade”.

“A notícia não é, para mim, uma novidade. Estamos a assistir a um avolumar de uma situação dramática que os refugiados no seu conjunto estão a viver, e particularmente as crianças, que perdem as suas famílias e ficam sozinhas. É uma situação muito grave”, sublinhou.

Tráfico está a aumentar

De acordo com a responsável, a comunidade internacional tem de estar atenta e agir no sentido de proporcionar a estas crianças que fogem condições de dignidade para as acolher.

“A solução para o problema é difícil, mas a realidade é que o tráfico está a aumentar de maneira feroz através da exploração dos refugiados. Muitas vezes as crianças são trazidas pelas redes para a Europa e ficam sujeitas a estas redes sob pena de as famílias sofrerem retaliações”, contou.

Segundo Teresa Tito Morais, a comunidade internacional e sobretudo a Europa têm de encontrar meios para fazer face a esta situação, nomeadamente com uma política mais solidária de acompanhamento destas situações e de acolhimento nos seus países de modo a que se possa desmantelar as redes de tráfico.

“A mensagem é a de uma mudança de política em termos de solidariedade internacional e uma atenção muito particular para esta faixa etária. São jovens indefesos que desaparecem por serem postos ao serviço das redes de tráfico, mas também porque perdem o rasto das suas famílias e não sabem onde as localizar”, frisou.

De acordo com Brian Donald, director da Europol citado pelo semanário britânico "The Observer", os números divulgados domingo respeitam a crianças a quem se perdeu o rasto após o seu registo pelas autoridades europeias. Cerca de metade delas desapareceu em Itália.

Cerca de um milhão de migrantes chegaram à Europa no ano passado, naquela que é a pior crise migratória nesta região desde a Segunda Guerra Mundial, dos quais 27% são crianças, estima a Europol.


legislativas 2019 promosite
Tópicos
Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

  • Ana Fernandes
    02 fev, 2016 Guimaraes 19:19
    Estes pedidos de asilo de menores. Foi-lhes concedido asilo? Onde estão estas crianças? Somos uma família de 5, cabe mais um...respondam, porque como nós existem mais familias disponiveis para as acolher....temporária ou definitivamente.
  • Miguel Santos
    01 fev, 2016 USA 21:06
    O que SO prova,que a Europa não e a "maquina" que muitos querem fazer parecer e que os politicos da velha Europa ,não tem ideia alguma como actuar em caso de "crise" ,tudo e feito em cima do joelho.....cheio de burocracia ..e incoerência...como e possível as "autoridades " terem perdido" estas crianças e ate pela quantidade????? e claro que ha influencias para "negócios" escuros....mais uma vez $$$$$$$$$ fala mais alto......
  • José Seco
    01 fev, 2016 Lisboa 13:11
    Quantos menores destes supostamente desaparecidos vão ter a cabeça lavada pelos mais velhos para se fazerem explodir publicamente e matarem 100 ou 200 ou mais até?! Tanto povo refugiado por tanto lado mas só com estes que vêm lá da síria é que temos que ser solidários??? Isto tem tudo muita mas mesmo muita água no bico!!!!
  • Pedro Garcia
    01 fev, 2016 Sintra 12:21
    Existem famílias portuguesas disponíveis para ajudar e acolher estas crianças. De que estão à espera?!
  • Joca
    01 fev, 2016 Terra 12:07
    "Crianças"? Não serão antes "adolescentes"? No meu tempo era-se "criança" até aos 12 anos.
  • Maria
    01 fev, 2016 Porto 12:03
    Estas crianças fazem parte da "invasão" e a Europa não acorda.....
  • rfm
    01 fev, 2016 Coimbra 11:43
    ... numa Europa, sujeita a um comité central que se ocupa das arias financeiras de mercado e especulação, esquecendo tudo o resto ou considerando tudo mercado, não conseguem tomar conta dos jovens que abandonados, vão para o mercado "negro", esta europa centralista do dinheiro exclui tudo o resto, incluindo os valores humanos e éticos.
  • André
    01 fev, 2016 Lisboa 11:42
    Ao contrário do que dizem, as crianças não "desaparecem". A maioria é dada como não tendo família... porque a família não quer apresentar a documentação. Assim, as crianças vão para campos de acolhimento, onde tem o melhor que a Europa pode oferecer. Quando os pais chegam a esses campos, recolhem as suas crianças e seguem viagem para o destino. Como existem mais de 1,3 milhões de pessoas sem qualquer registou ou identificação, a circular pela Europa, basta ver que 10000 crianças é uma parte desse grupo.
  • europeu
    01 fev, 2016 europa 11:19
    Estes media são uma anedota. Metem sempre fotos de crianças como se fossem elas a desaparecer. Esses "menores" de que estes "media" falam são migrantes que alegam ter 16/17 anos e muitos deles já com barba e 1.80m. Não acordem não. Em breve estaremos numa Europa onde violação é legal e casar com meninas de 7 anos é normal. Parabéns aos líderes pela vossa política altruísta e aos media por serem falsos, controlados e apoiantes do Islão. Só espero que os verdadeiros europeus acordem e expulsem todos, inclusive estes traidores que ajudam a destruir a nossa Europa.