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Relação de Évora confirma arquivamento do caso das mortes de jovens no Meco

26 jan, 2016 - 16:39 • Liliana Monteiro

Grupo de universitários foi surpreendido e arrastado por uma onda na praia, em 2013. Seis jovens morreram. Os familiares vão recorrer para as instâncias judiciais europeias.

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O Tribunal da Relação de Évora confirmou o arquivamento do caso Meco que envolve a morte de seis estudantes da Universidade Lusófona. Os pais das vítimas prometem recorrer para o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem.

Em declarações à Renascença, o advogado de defesa dos jovens, Vítor Parente Ribeiro, diz que não a decisão não foi recebida com surpresa.

“Esta decisão vem no fundo confirmar o que o Tribunal de Setúbal já tinha entendido. Não há indícios suficientes para submeter João Gouveia a julgamento. Respeitamos a decisão, mas não concordamos com ela.”

Vítor Parente Ribeiro adianta que, desde a primeira hora, ficou claro que “a investigação foi conduzida para esta conclusão”.

“Partiu-se do pressuposto que isto foi um acidente e foi nesse pressuposto que se fez a investigação. A investigação nunca procurou apurar verdadeiramente a verdade, mas sim concluir que aquilo foi um acidente e quando assim é o processo fica inquinado desde início”, acusa o advogado.

“Nunca vi processo como este. A cada prova que as famílias apresentavam o Ministério Público apresentava uma contraprova que colocasse em causa o que os pais apresentavam . Num processo onde há testemunhas ouvidas quatro vezes, e algumas delas na casa da própria testemunha, está tudo dito”, sublinha.

Em Outubro do ano passado, o Tribunal de Setúbal já tinha mandado arquivar o processo por falta de provas.

As famílias ainda não desistiram. Têm um curso um conjunto de acções de responsabilidade civil que estão a dar entrada em tribunal desde Dezembro, uma por cada jovem, em que exigem a responsabilização da Universidade e do único sobrevivente, João Gouveia.

A par disso está a ser preparada uma queixa que vai ser enviada ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem.

“Desde a primeira hora que ficámos com a ideia de que houve não só manifesta negligência na condução do inquérito logo na fase inicial - o processo esteve dois meses parado -, como entendemos que num Estado de Direito - e num caso em que morrem seis jovens - não se admite que o Estado português esteja dois meses para começar uma investigação. Vamos participar ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem esta situação e exigimos que o Estado seja condenado por não ter regulamentação sobre estas praxes abusivas que acontecem ano após ano no meio estudantil”, explica o advogado Vítor Parente Ribeiro.

Foi a 15 de Dezembro de 2013 que morreram os estudantes da Universidade Lusófona. Foram arrastados para o mar por uma onda. Apenas um colega sobreviveu. Ao que tudo indica, os jovens participavam numa praxe na presença do ex-'dux' João Gouveia, único sobrevivente.

[notícia actualizada às 20h03]

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  • Já chega!
    26 jan, 2016 Lisboa 23:47
    Infelizmente, há sempre quem queira encontrar um "bode expiatório". Eram todos gente adulta, nem sequer de caloiros se tratava. Portanto, o argumento da chantagem psicológica não colhe. Gostavam de praxes, estavam no seu direito, e ninguém os obrigou. Eu estudei em Coimbra e quem queria participar neste mundo, participava; quem não queria, abstinha-se. Estes jovens tiveram a imensa infelicidade de a "mãe natureza" ter sido infinitamente mais forte do que eles. Querer condenar o Dux à força, e por ter sido o único a sobreviver, não só não se justifica, pois os intervenientes deram o seu óbvio consentimento, como é uma injustiça que releva de uma maldade que já cansa, ao ler-mos certos comentários.
  • Maria
    26 jan, 2016 Porto 19:56
    No fundo foram 6 contra um. Alinho em tudo o que diz o Sr. Daniel. Tem toda a razão. Infelizmente correu da pior maneira, que é muito triste....
  • Carlos
    26 jan, 2016 Lisboa 19:51
    "Seis mortes, cujos culpados, ficaram impunes. LAMENTÀVEL!!!!", pode ser duro de dizer e de ler, mas creio que esta frase não é totalmente verdade, pois 6 dos culpados faleceram, logo não ficaram impunes! Haverá mais culpados? Certo há, mas não faleceu... terá tido sorte! Como os 6 que faleceram também eram "chefes da praxe", se dessa vez estivessem a coadjuvar" o "dux" e fossem outros a morrer, sendo esses MESMO INOCENTES, como seria??
  • nekas
    26 jan, 2016 Lisboa 19:50
    Caso flagrante de incompetência (ou proteção)a nossa justiça fica muito mal na fotografia em relação a este assunto e o mundo académico continua com praxes á vontade de meninos (as) de luxo que ditam ordens impunemente sendo obedecidos com chantagens psicológicas pelo temor da exclusão.
  • Joao Semana
    26 jan, 2016 19:49
    Caro Daniel. O Sr. tem razão. Quem vai para uma coisa dessas vai com consciencia e com VONTADE. Não ha aqui crianças, todos eram adultos e sabiam o que queriam. Não pode um DUX por mais que o queiram inferniza ser culpado do que quer que seja. Empurrou-os um a um..? Além disso ha uma coisa que poucos se lembram. Ele também foi vitima e sobreviveu e as pessoas acham que ele sabe tudo porque viu tudo. Pode ter visto e não saber de nada. Há uma coisa que se chama choque post-traumatico que elimina toda a memoria para antes e durante o acidente.. Quanto aos outros comentarios de outras pessoas daqui, podem ter as razões que tem e a sua opinião, mas sempre gostava de perguntar se ele não fez nada (e parece que não) qual a responsabilidade que tem.? Gostava que alguém me dissesse porque é culpado e de quê..?
  • manuel
    26 jan, 2016 paris 18:12
    COMO E POSSIVEL, SEIS MORTOS E NAO HA CULPADOS??? PARA ONDE VAIS JUSTICA PORTUGUESA. TRISTEZA
  • Carlos Costa
    26 jan, 2016 Santarem 17:41
    Seis mortes,cujos culpados,ficaram impunes. LAMENTÀVEL!!!!
  • Pedro Gomes
    26 jan, 2016 Ponte de Lima 17:30
    Na realidade, e parafraseando Jô Soares, apetece afirmar: "-- Só contaram p'ra você"... Este 'dux', único sobrevivente (e também o único inteligente do grupo, pois só ele até já tinha ouvido falar que as ondas do mar, em especial no inverno e com a grandeza de que se fala, são muito capazes de arrastar para o precipício quem com elas brincar às escondidas, em especial à noite) de HOMEM NADA TÉM, nunca se tendo disponibilizando (como seria sua primeira obrigação) para enfrentar todos aqueles pais, minimizando-lhes, eventualmente, a dor e a dúvida que permanecerão até que haja uma luz. A luz que este 'dux' não conhece, porque não passa de um cobarde. Força e coragem aos pais para esta nova iniciativa.
  • fanã
    26 jan, 2016 aveiro 17:26
    "a culpa foi das ondas".........que o diga o Sr. João Gouveia!!!!!!!!..................que se refugiou no silencio e nas saias da mamã!
  • Ah pois é!
    26 jan, 2016 Lisboa 17:15
    Para as famílias das vítimas, tudo seria diferente (para melhor?) se o "Dux" também tivesse morrido. Gente tenebrosa!!!